Guilherme Duarte
Quando se fala em desenvolvimento econômico é comum pensarmos somente nos benefícios que virão com o crescimento da cidade e esquecermos os males que estão diretamente ligados ao crescimento desenfreado. Mas como diz o ditado, “Não há bônus sem ônus”, e esses reflexos negativos já vêm sendo sentidos pela população riobonitense. Um dos principais vilões dessa história é o aumento da violência. Para se ter uma ideia, só neste ano três estabelecimentos comerciais foram assaltados em plena luz do dia. Além disso, entre setembro e novembro do ano passado, cerca de 40 roubos de veículos foram registrados na cidade.
Apesar desse número assustador e das constantes reclamações de insegurança por parte da população, o comandante da 3ª Companhia de Polícia Militar de Rio Bonito, tenente Toledo, demonstra, com base em estatísticas, que o cenário não é tão ruim quanto parece. “Nosso trabalho é baseado em metas. Temos três principais crimes para combater, são eles roubo de veículos, homicídios e roubo a transeuntes. Em todos eles, estamos alcançando nosso objetivo e mantendo esses índices abaixo da média. Essa redução de delitos pode até não refletir nas ruas já que está havendo um pânico generalizado nas cidades do interior devido a suposta migração de marginais oriundos das comunidades pacificadas, mas trabalhamos em cima de números. Os dados mostram que a segurança da nossa cidade está sob controle. É claro que delitos acontecem em Rio Bonito como acontecem em qualquer outro lugar, mas volto a afirmar que não há motivo para pânico. Para se ter uma noção, os três últimos crimes que tiveram mais repercussão na cidade (assaltos a joalheria, lan house e padaria) foram solucionados”, revelou Toledo.
Outro fator que vem ocasionando diversos transtornos à população é o trânsito desordenado. O aumento do número de veículos, somado a falta de educação dos motoristas ao volante vem resultando em engarrafamentos cada vez mais constantes nas principais ruas da cidade. Além disso, o fechamento da Avenida Presidente Castelo Branco (Rua dos Bancos), as poucas vagas de estacionamento e a falta de sinalização também contribuem para esse caos no trânsito da cidade, como explica o urbanista Julio César Miranda. “Um estudo detalhado sobre o trânsito da cidade precisa ser feito o mais breve possível. Engarrafamentos já viraram rotina em Rio Bonito. A tendência é esse cenário piorar ainda mais nos próximos anos, já que o número de carros vem só aumentando. Além disso, o motorista precisa fazer a sua parte. Devido a falta de fiscalização, essa situação piora ainda mais. O Poder Público precisa agir imediatamente, caso contrário, vai ficar impossível sair de carro”, alertou Julio César.
Aluguéis com preços altos
Já o setor imobiliário é um dos que mais está afetando o bolso da população. Se antes era possível alugar um bom imóvel no centro da cidade por R$ 600, hoje em dia o locatário não paga menos de R$ 1 mil por um imóvel de dois quartos. Numa rápida pesquisa pelos sites das principais imobiliárias da cidade é possível encontrar imóveis com aluguel superior a R$ 2.500. “Isso é o resultado da lei da procura e da oferta. Como a demanda está muito alta e não há tantos imóveis disponíveis, os preços dos alugueis tendem a subir. Somado a isso, o alto valor para aquisição de um imóvel faz com que os interessados optem pelo aluguel. A boa localização geográfica na nossa cidade também contribui para essa valorização”, informou o corretor Joel Nunes.
De acordo com o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rio Bonito possuía há dois anos pouco mais de 53 mil habitantes. Especialistas acreditam que esse número possa dobrar até 2014, quando o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro deverá entrar em funcionamento. Esse crescimento desenfreado poderá acarretar em problemas que até o momento estão sob controle como ocupação de encostas, favelização, aumento de lixo nas ruas, caos na saúde, déficit de vagas na educação, entre outros. Problemas que o futuro prefeito da cidade terá a difícil missão de evitar.