Lívia Louzada

Cerca de 350 pessoas de vários municípios da região, como Silva Jardim, Tanguá, e Casimiro de Abreu, são atendidas todos os dias no Hospital Regional Darcy Vargas, mas são poucos os que conhecem a história, de muitos capítulos, dessa entidade. O HRDV fará em setembro deste ano 69 anos de fundação, e no mesmo dia em que a cidade completará 166 anos (7 de maio), fará 50 anos de funcionamento. Os 19 anos que separam a fundação da inauguração, também são recheados de histórias que se confundem com o crescimento da cidade.

Segundo o voluntário e ex-secretário do hospital Roberto Figueiredo, o Robertinho, de 71 anos, em 19 de setembro de 1943, o então prefeito de Rio Bonito Celso Peçanha, fez uma reunião com 34 pessoas e anunciou a fundação do HRDV. De acordo com Robertinho, Celso tinha uma boa visão administrativa, já que além de perceber a necessidade da entidade para os riobonitenses, ele também enxergou longe. “O hospital também foi construído com a intenção de alavancar o progresso de Rio Bonito, pois pessoas de outras cidades da região viriam para cá, pois o hospital mais próximo ficava em Niterói”, disse. Depois de anunciar a intenção, de formar uma comissão e criar o estatuto, surgiu a oportunidade, em 1944, de comprar o terreno onde hoje está localizado o hospital, na Rua João Carmo, nº110, no Centro. De acordo com Robertinho, para conseguir pagar as prestações do terreno Celso teve uma ideia que deu certo. Como o terreno era muito grande, ele loteou,vendeu os imóveis, e com o dinheiro da venda, quitou a compra do terreno.Com o terreno comprado, começou-se a captação de recursos para iniciar a construção, que só começou em junho de 1949, seis anos após a fundação, com verbas do governo Estadual e Federal. Mas em 1953, o então prefeito Francisco Alves de Mendonça, passa
através de ofício, a responsabilidade da construção, para a Sociedade Beneficente. Neste período, segundo Robertinho, o Hospital já estava no esqueleto, com algumas alas construídas e parte da verba ainda poderia ser usada por algum tempo, mas em 57, não teve jeito, as obras foram interrompidas por falta de recursos.

Não se sabe ao certo, por quanto tempo a obra fi cou paralisada, mas pouco tempo depois, com nova ajuda da Prefeitura de Rio Bonito, das prefeituras de outros municípios da região e da população riobonitense, a construção foi retomada. Até que em 1961, Edmundo Campello Costa assumiu a presidência da Sociedade Beneficente, e o governo do Estado liberou uma grande verba para o término da obra. No ano seguinte, no dia 7 de maio, o já governador Celso Peçanha, inaugurou o Darcy Vargas, com a presença do arcebispo de Niterói, Dom Antônio de Almeida Moraes Júnior e centenas de pessoas.

O bêbado e a campainha

Já longe da função que exercia na instituição, mas nunca distante do voluntariado, Robertinho lembra com riqueza de detalhes, alguns fatos que marcaram o dia-a-dia do HRDV. “Há alguns anos, existia um bêbado em Rio Bonito que sempre arrumava briga na rua, e as pessoas levavam ele para o hospital”. Só que naquela época, o hospital fechava a noite, e do lado da porta, tinha uma campainha. Quase sempre as pessoas levavam o bêbado machucado, colocavam ele sentado e encostado na porta, tocavam a campainha e iam embora. Quando alguém abria a porta para ver quem era, o bêbado caía de rosto no chão”,lembra Robertinho, entre risos.
Manuel Benevides
Soares: 1º presidente

Dentre muitos presidentes que a instituição teve, pode-se destacar onome de Manuel Benevides Soares, o primeiro presidente do Hospital. Outro nome que também deve ser lembrado na história do Darcy Vargas é o do médico Mário Lage, recentemente falecido, que foi o primeiro
médico cirurgião do hospital que residia em Rio Bonito e o primeiro diretor médico da instituição.

A frente do HRDV há 10 anos, o atual presidente Luis Gustavo Siqueira Martins, que já entrou
para a história da unidade como o presidente que fi cou mais tempo no cargo, diz que “a missão que se exerce no hospital, é fazer o bem, sem olhar a quem. E é por essa razão que todos sentem-se honrados, quando convidados a trabalhar pelo Hospital Darcy Vargas. Porque aqui não plantamos favores para colheitas futuras. Aqui todos somos iguais”, diz Gustavo. De acordo com Robertinho, como toda entidade filantrópica, o hospital também passou e passa por problemas financeiros, mas apesar disso, a missão de ajudar a quem precisa sem olhar a quem, continua cada dia mais forte. “Antigamente o hospital tinha poucos sócios, hoje são 253, que contribuem com R$10,00 por mês e não recebem nenhum benefício (ou remuneração) por isso (assim como os integrantes da diretoria, incluindo o presidente). Mas mesmo assim, a forma com que as pessoas falam do Hospital entristece a gente, pois é uma falta de consideração com o serviço que a entidade oferece. Mesmo com todos os problemas, como o pequeno apoio que os governos dão, na região, não existe um complexo hospitalar com
o atendimento e o tamanho do nosso Darcy Vargas”, desabafa. Nestes 50 anos de história,em que até o posto de saúde da cidade chegou a funcionar dentro do hospital, muita coisa mudou e evoluiu. Hoje, a entidade possui tratamento para pessoas com câncer (Unacon),centro cirúrgico, laboratório de análises clínicas, enfermaria para suporte a pacientes graves, serviço de radiologia - Raio X, tomografia computadorizada e muitos outros serviços, bem diferentes. Mas segundo

o próprio presidente, “ainda estamos longe de onde pretendemos chegar, mas bem longe, também, do ponto que partimos”.