A Educação e o Carnaval riobonitense tiveram uma grande perda na última quarta-feira (18), com a morte da professora Nazareth Mello. Ela estava internada no Hospital Regional Darcy Vargas, em Rio Bonito, há algumas semanas porque estava com diverticulite, mas por volta das 9h da última quarta-feira, não resistiu. O velório aconteceu no salão de festas do Motorista Futebol Clube, onde centenas de pessoas se despediram da professora. Nazareth foi enterrada no Cemitério Jardim das Acácias, no final da tarde do mesmo dia.

Durante toda sua vida profissional, Nazareth se dedicou a Educação, e não somente dar aulas, mas educar todos aqueles que “passavam por suas mãos”. Nazareth Mello foi professora e diretora do Colégio Estadual Professor Dyrceu Rodrigues da Costa, instituição pela qual tinha imenso carinho. Engajada na luta pela Educação e por condições melhores para os professores, ela tinha orgulho do seu ofício e por isso dizia de boca cheia, “sou professora”.

Além da Educação, outra paixão de Naza, como os amigos a chamavam, era o Carnaval. Foliã inveterada, Nazareth chegou a ser destaque da Escola de Samba Leleô, de Rio Bonito, em 1980, quando a escola foi tri-campeã. Ela saiu como sereia em um dos carros alegóricos da agremiação, que tinha o enredo “Mar, seus encantos e Magias”. No Carnaval deste ano, desfilou na mesma escola, só que na ala da Velha Guarda. Em seu perfil no Facebook, Nazareth escreveu: “É meus amigos... O tempo passa, o tempo voa e não perdoa. Lembram da sereia do Leleô? Pois é, agora virou Velha Guarda... Estaremos de volta no Carnaval”, brincou a foliã.

Quem não conheceu a educadora ou foliã Nazareth, com certeza ouviu falar de sua garra, perseverança, simpatia e irreverência. Dona de uma gargalhada contagiante, a professora tinha um bom humor que não permitia ficar ao seu lado, qualquer pessoa carrancuda, uma verdadeira lição de vida para quem costuma reclamar da vida. Nazareth era deficiente física desde criança, mas o título de especial, só se aplicava a grande pessoa que ela era, já que quem a conheceu, muitas vezes se esquecia de sua dificuldade de locomoção.

 

Homenagens no faceboock

Durante todo o dia do seu falecimento, em seu perfil no Facebook, parentes, amigos e admiradores demonstraram o pesar que sentiram pela sua partida. Uma dessas pessoas postou: “A missão de Nazareth Mello, foi cumprida e sua lembrança será eternizada em nosso coração. Ficará sempre acesa a lembrança da tua passagem por nossas vidas”.

Nazareth iria completar 61 anos no próximo dia 6 de agosto. Era filha do ex-fiscal de renda Joaquim Mello e de Dona Nelza Viana de Mello, e tinha cinco irmãos: Sandra, Cristina, Quinquinha, Serginho e Norival. Ela deixa, além de muitos fãs, dois filhos, Beatriz e Luis Fernando. Este último deixou em seu perfil, na mesma rede social, um poema que fez em homenagem a mãe.

 

Eu queria ver o sol sorrir

Do jeitinho que você faz

Quando eu lhe surpreendo de bigode francês

Quando imito alguém enrolando no inglês

Quando Silvio vira Paulo Henrique,

Quando a Marília diz “por que” e a cabeça da um tremelique.

Eu queria ver o sol sorrir

Do jeitinho que você faz

Quando o padre reza a missa e a igreja é o nome do queijo

Quando você diz que sou pão duro para ganhar mais um beijo

Quando implica dizendo que sou um palerma

Quando eu respondo dizendo: “vê se me erra”.

 

Ah, mas se o sol sorrisse assim como você faz,

O mundo seria outro, não teria gente pobre,

Não teria gente rica, não teria criança com fome

E nem com dor de barriga.

Como disse o poeta: “O mundo inteirinho se enche de graça”,

E fazendo uma intromissão: “fica mais lindo por causa do seu amor”.