Guilherme Duarte
Campeão Parapan-Americano em Guadalajara, o atleta Carlos Augusto Barbosa, de 41 anos, se prepara para mais um desafio. Desta vez, Guto, como é conhecido, está entre os 11 atletas que vão representar o Brasil na modalidade vôlei sentado nas Paraolimpíadas de Londres. O ponteiro passador embarca para Alemanha no próximo dia 3 de agosto, onde fará alguns amistosos com a seleção brasileira em preparação para os jogos paraolímpicos, que acontecem entre os dias 22 de agosto e 10 de setembro.
Treinando há três anos no time do Sesi/São Paulo, Guto vai para sua primeira Paraolimpíada. Visivelmente emocionado, o atleta conta como recebeu a notícia da convocação. “Só de falar, fico arrepiado (Guto mostrou o braço). Foi uma emoção muito grande saber que eu estava convocado para representar meu país na maior competição do planeta. É um orgulho que não tem tamanho, quantas pessoas queriam estar no meu lugar. É a realização de um sonho”, disse Guto.
Depois dos amistosos na Alemanha, a seleção embarca para a cidade de Manchester, na Inglaterra, para a aclimatação dos atletas. Apesar do ouro no Parapan-Americano, o atleta acredita que uma medalha na Paraolimpíada será uma tarefa difícil. “Serão 10 equipes disputando um lugar no pódio. No nosso grupo, enfrentaremos a campeã (Irã) e a vice-campeã (Bósnia) da última Paraolimpíada. Teremos um caminho muito difícil, mas estamos confiantes num bom resultado. Estamos trabalhando forte, estudando todos os adversários para surpreender nos jogos”, afirmou.
Lesão medular
Nascido em São Gonçalo, Guto chegou a Rio Bonito há oito anos. Formado em Educação Física pela Universo, ele conta que foi através de um professor da Universidade que iniciou no vôlei sentado. “Aos 25 anos, tive uma infecção na coluna que me causou uma lesão modular. Foi tudo muito rápido. Dormi com uma dor nas costas e no outro dia amanheci sem mexer as pernas. Quando fui levado ao hospital, estava numa condição de paraplégico. O médico fez alguns exames e constatou que eu precisava passar por uma cirurgia. Minha vida mudou completamente, mas não abaixei a cabeça. Passei por dois longos anos fazendo fisioterapia. Tempos depois, resolvi fazer faculdade de Educação Física e conheci o professor Alexandre Medeiros, que me convidou para conhecer a Andef (Associação Niteroiense de Deficientes Físicos). Lá conheci o vôlei paraolímpico e não larguei mais”, contou.
Logo na primeira competição que disputou, Guto foi convocado pela seleção brasileira. Como ainda tinha pouca experiência na modalidade, o atleta foi cortado da lista para as Paraolimpíadas de Pequim. “Em 2010, fui jogar no Sesi/São Paulo e comecei a ser convocado constantemente. A primeira competição que disputei com a seleção foi na Bósnia, ficando em 5° lugar. Mas o ponto alto da minha carreira foi nos jogos Parapan-Americanos de Guadalajara, onde conquistamos a medalha de ouro derrotando os Estados Unidos na final por 3 x 1. Agora, nosso objetivo é conquistar essa medalha tão sonhada nos jogos paraolímpicos. Será uma realização como atleta”, encerrou.
Vôlei paraolímpico
No voleibol sentado, competem atletas amputados, principalmente de membros inferiores e pessoas com outros tipos de deficiência locomotora (como é o caso de Guto). Em relação ao convencional a quadra é menor, com 10 por 6 metros, e a altura da rede é inferior à da modalidade, com 1,15m do solo no masculino e 1,05m para o feminino. Os atletas jogam sentados na quadra. No voleibol paralímpico, o saque pode ser bloqueado.
A quadra se divide em zonas de ataque e defesa. É permitido o contato das pernas de jogadores de um time com os do outro, porém as mesmas não podem atrapalhar o jogo do adversário. O contato com o chão deve ser mantido em toda e qualquer ação, sendo permitido perdê-lo somente nos deslocamentos.