Guilherme Duarte
Preocupados com os rumos do setor cultural do município, representantes da classe artística riobonitense realizaram na noite da última segunda-feira (17) um encontro com os três candidatos a prefeito de Rio Bonito. Idealizado pelo Grupo Lona na Lua, em parceria com o Programa Flávio Azevedo, da Rádio Sambê FM, o encontro serviu para os candidatos apresentarem suas propostas para o setor. Ao todo, cerca de 300 pessoas prestigiaram o evento, que foi realizado no espaço cultural Lona na Lua, na Avenida Sete de Maio.
De acordo com o regulamento do encontro, cada candidato teve uma hora para apresentar suas propostas e responder aos questionamentos da classe artística. Por ordem de sorteio, o candidato governista Matheus Neto (PSB) foi o primeiro a se apresentar, seguido da ex-prefeita Solange Almeida e do deputado estadual Marcos Abrahão. A apresentação foi dividida em três partes. A primeira, de 15 minutos, foi dedicada a explanação de cada candidato. Na segunda parte, foi a vez dos candidatos responderem aos questionamentos dos integrantes do Grupo Lona na Lua. Por último, o público presente teve a oportunidade de sabatinar os candidatos.
Apesar de terem discursado em momentos diferentes, Matheus Neto (PSB), Solange Almeida (PMDB) e Marcos Abrahão (PT do B) apresentaram rigorosamente as mesmas propostas para o setor cultural do município. Os três candidatos afirmaram que vão criar a Secretaria Municipal de Cultura, construir o tão aguardado Teatro Municipal, apoiar os artistas locais, implantar o calendário municipal de cultura, resgatar os antigos carnavais e revitalizar a biblioteca municipal, entre outras coisas.
Matheus: “Teremos
uma equipe pensando
exclusivamente em Cultura”
Primeiro candidato a apresentar suas propostas, Matheus Neto afirmou que a reestruturação do setor, através da criação da Secretaria Municipal de Cultura, possibilitará mais investimentos nos artistas locais. “Vamos trabalhar para criar, já em 2013, a Secretaria de Cultura. A partir daí, montaremos um plano municipal de cultura, que irá nortear as ações voltadas para o setor. Teremos uma equipe capacitada pensando exclusivamente em cultura”, disse.
Após anunciar as propostas já citadas acima, o candidato foi questionado sobre a atual situação da biblioteca municipal (que perdeu sua sede para a Receita Federal), apoio aos grupos teatrais e o futuro secretário municipal de cultura. “Nossa intenção é instalar a biblioteca municipal no antigo prédio da estação rodoviária. Temos a consciência que a atual localização não é a mais adequada. Já quanto ao apoio aos grupos teatrais, vamos trabalhar juntos sim, mas vamos querer uma contrapartida, através de espetáculos educativos, que conscientizem a população. Por fim, o secretário será uma pessoa que tenha uma identidade com a cultura. Ainda não tenho nomes, mas será uma pessoa que tenha com o que contribuir”, explicou o candidato.
Solange: “Reconheço que errei quando juntei a
Cultura com a Educação”
Terminada a apresentação de Matheus Neto, foi a vez de Solange Almeida mostrar suas propostas. Reconhecendo o “erro” que cometeu ao anexar a pasta de Cultura à Educação, quando foi prefeita, a ex-deputada federal revelou que, além da Secretaria, pretende criar a Fundação Municipal de Cultura. “O setor cultural terá um papel de destaque no meu governo. Vejo a cultura como um importante agente transformador. Hoje, o momento do nosso país é totalmente diferente. Não faltam recursos, mas sim projetos”, pontuou.
Acompanhada do candidato a vice Andinho, a ex-prefeita foi interpelada sobre os motivos que a levaram a extinguir a Secretaria Municipal de Cultura, apoio a classe artística e o futuro secretário municipal de cultura. “Reconheço meu erro, mas continua assim até hoje. Me criticam, mas não fizeram nada durante oito anos para mudar. Naquela época, as prioridades eram outras. Preferi salvar vidas e levar educação para a população do que manter uma Secretaria que não ia bem. Claro que vou apoiar a classe artística, hoje tudo é mais barato. A cultura e o esporte são ferramentas importantes para o combate as drogas, que é um problema que atinge nosso município. Quanto ao secretário, será um gestor técnico. Uma pessoa da área cultural”, afirmou.
Abrahão: “É uma pena
que isso aqui tenha virado um palanque político”
Último a se apresentar, o deputado Marcos Abrahão não perdeu a oportunidade de alfinetar seus adversários. Polêmico, Abrahão afirmou que as propostas apresentadas pelos candidatos anteriores foram copiadas do seu plano de governo. “Ao contrário dos meus adversários, não vim aqui fazer teatro. Tenho propostas e vou colocá-las em prática. Vou fazer por vocês o que eles não fizeram durante 20 anos. Sou a favor do debate, mas eles têm medo. É uma pena que esse encontro tenha virado um palanque político”, criticou.
Confiante na vitória no dia 7 de outubro, ele estava acompanhado do candidato a vice Luiz da Luz, e respondeu às mesmas perguntas anteriores. “O artista de Rio Bonito não tem o apoio que merece. Muitos talentos são desperdiçados pela falta de sensibilidade do Executivo. Vou construir o teatro municipal logo no meu primeiro mandato. Tenho um grande amigo que é o Flavio Migliaccio, que já se disponibilizou para dar todo aporte para o setor cultural do município. Vou ganhar as eleições para mudar a realidade do município. Reuniões como essa não vão mais precisar existir, pois não vão faltar incentivos para nenhuma área”.
Opinião
Um dos idealizadores do encontro, o ator Zeca Novaes, coordenador do Grupo Lona na Lua, fez um balanço do evento. “Discutir o setor cultural do município nunca foi prioridade entre os políticos de Rio Bonito. Do ponto de vista técnico, consegui enxergar propostas fundamentadas. Por conta do apelo popular, é visível que hoje há uma busca maior pela valorização da cultura no município. O encontro foi muito satisfatório e marcou história em Rio Bonito. Parabéns aos artistas que marcaram presença e fizeram parte deste grande espetáculo da democracia riobonitense”, afirmou.
Sem citar nomes, o ator revela que algumas propostas apresentadas durante o encontro atendem as necessidades do setor. “Temos que recomeçar do zero. As iniciativas para este setor ficaram paradas por muito tempo. Não dá pra discutirmos somente sobre obras, como a construção do sonhado Teatro Municipal ou de um espaço multicultural. O futuro da nossa arte está em apostar nos talentos locais e investir em cultura associada à outros setores, como Meio Ambiente e Educação”, encerrou.