Guilherme Duarte
Apesar de já ter iniciado o pagamento dos salários atrasados do funcionalismo público municipal, a prefeita de Rio Bonito, Solange Almeida, acredita que só conseguirá quitar totalmente a folha de dezembro daqui a dois meses. A revelação foi feita logo após a inauguração do novo Fórum da cidade, na manhã da última quarta-feira (23), numa rápida entrevista ao final da cerimônia. Na ocasião, Solange também mostrou preocupação com a dívida de cerca de R$ 6 milhões que a Prefeitura tem com o Instituto de Previdência do município (IPREVIRB), que impede que o município receba recursos federais.
“Já começamos a pagar os salários dos servidores que ganham até R$ 1.200,00 e, em meados do mês que vem, efetuaremos o pagamento de quem ganha até R$2.500,00. Nesse meio tempo, vamos pagar os salários referentes ao mês de janeiro desse ano e, até março, espero que a gente consiga pagar toda a folha de dezembro. Essa é uma situação muito complicada que estamos direcionando todos os nossos esforços para solucionar. As pessoas trabalharam e tem o direito de receber, por isso essa é a nossa prioridade nesse início de governo”, explicou a prefeita.
Além dos salários atrasados, Solange revelou que a gestão anterior também deixou de pagar os empréstimos consignados dos funcionários da Prefeitura nos meses de outubro e novembro. “Essa é outra situação que nos preocupa bastante, pois já temos conhecimento que alguns funcionários já estão sendo acionados pelo não pagamento, o que eu acho um erro já que o valor vem sendo descontado no contra-cheque. O que aconteceu é que a Prefeitura não repassou a quantia aos banco e, sendo assim, quem deveria ser acionado é a Prefeitura e não o funcionário. É uma situação difícil, mas já estamos conversando com os bancos para que não acionem os funcionários, mas sim a Prefeitura para que a gente possa abrir um inquérito e apurar os fatos”, disse Solange.
Sobre a dívida que o município tem com o IPREVIRB, de cerca R$ 6 milhões, a prefeita disse que pretende sanar o problema o mais rápido possível para que o município possa estar apto a receber recursos federais. “Só a dívida da cota patronal está em mais de R$ 4 milhões. Somado ao que foi descontado do funcionalismo e não foi repassado ao Instituto, a quantia chega a R$ 6 milhões. É uma dívida muita alta que herdamos e temos que honrá-la para que o município possa receber recursos federais. Nessa semana, saiu uma portaria do Ministério da Previdência autorizando o parcelamento em 240 meses a cota patronal e 60 meses a parte do funcionalismo. Vamos, aos poucos, buscando soluções para as dívidas deixadas pelo governo anterior”, esclareceu.
Criação das novas secretarias
Promessa de campanha da atual prefeita, as novas secretarias municipais ainda devem demorar a sair do papel. Em entrevista no último dia 16, o presidente da Câmara de Vereadores, Reis, disse que, devido a dívida deixada pelo governo anterior, o momento não é oportuno para a criação de novas despesas. Apesar de concordar em parte com o vereador, Solange afirmou que a criação das novas pastas não irá gerar nenhum tipo de aumento nas despesas. “Não desisti da criação das novas secretarias, elas são instrumentos de gestão e não irão gerar nenhum tipo de aumento. Mas acho que hoje, com o impasse no pagamento do funcionalismo, criar uma secretaria, mesmo não tendo ônus, vai ser uma coisa muito difícil de entendimento e compreensão”, pontuou a prefeita.
Perto de completar um mês a frente do Executivo, Solange revela que a herança deixada pela última gestão impedirá qualquer tipo de despesa no primeiro trimestre. “É como se nós tivéssemos que parar tudo durante três meses. Estou apertando o cinto mesmo, segurando todos os gastos e assim que nós resolvermos a questão dos pagamentos, principalmente do funcionalismo, vamos começar a equacionar e pensar no modelo que a gente quer para a gestão do município”, disse Solange.
No fim da entrevista, a prefeita apontou algumas prioridades para o segundo semestre. “O primeiro passo é colocar a folha de pagamento em dia. A outra questão é o aumento de arrecadação, redução de gastos e otimização dos recursos da Prefeitura. Está sendo um começo muito complicado, mas estamos trabalhando para solucionar esses problemas”, encerrou a prefeita.