Guilherme Duarte
“Passo o Ponto. Motivo: Em 6 meses 2 assaltos VIOLENTOS”. Essa foi a maneira encontrada pelo comerciante Sebastião Caetano, proprietário da joalheria “Caetano Jóias” expressar a sua indignação com a falta de segurança em Rio Bonito. Com uma faixa fixada na entrada de sua loja, na Rua da Conceição, no Centro comercial da cidade, Caetano, além do anúncio, fez também um protesto contra o assalto de que foi vítima na manhã do último dia 1º (sexta-feira), o segundo ocorrido este ano. Por volta das 10h30min, dois homens armados entraram na loja, renderam os funcionários, inclusive o proprietário e levaram jóias expostas nas vitrines e peças de clientes que estavam no conserto. O valor das peças roubadas não foi divulgado pelo comerciante.
A ação, que durou 15 minutos, contou com a participação de outros dois elementos, um que dava cobertura no outro lado da rua, e outro que esperava o resto da quadrilha dentro do carro, um Fiat Uno vermelho, que foi utilizado na fuga, próximo a loja. Caetano, que em 27 de Maio levou dois tiros durante a ação de quatro bandidos, estava revoltado com a falta de segurança na cidade. “Isso é uma vergonha, deveria ter mais segurança, principalmente aqui no Centro da cidade. Dá vontade até de desistir de trabalhar nesse ramo aqui em Rio Bonito. Dois assaltos em menos de seis meses, isso é um absurdo”, reclamou ele, que não quis falar com a imprensa sobre o assalto.
A ação dos bandidos
Dessa vez, ao contrário do último assalto, os bandidos foram mais ousados e agiram em plena luz do dia, desafiando a polícia, já que o prédio da 119ª DP (Rio Bonito) fica a cerca de 100 metros do local. Segundo informações, os assaltantes já vinham rondando a loja há mais de uma semana, e dias antes um deles chegou a deixar no estabelecimento uma pulseira de prata para consertar, a fim de para observar a rotina dos funcionários.
A ação começou por volta das 10h30min, quando dois homens, cujas características não foram divulgadas pela polícia, entraram armados na loja. Um deles subiu até o segundo andar, onde estavam os funcionários trabalhando, enquanto o outro, para não chamar a atenção, ficou na parte inferior da loja com a esposa de Caetano, fingindo que estava sendo atendido. Depois de amarrar o proprietário e mais quatro funcionários no andar de cima, o assaltante passou a recolher as jóias. Em seguida, ele levou a esposa do comerciante até a parte de cima, onde ela também foi amarrada, e depois trancou todas as vítimas no banheiro, ameaçando matá-las se tentassem fugir. Ninguém percebeu a ação dos bandidos, que fugiram em direção ignorada.
Funcionários passam momentos de terror
Segundo depoimento de um funcionário que estava na parte superior da loja, que não quis se identificar, os bandidos agiram rápido. “Foi tudo muito rápido, estava fazendo alguns consertos e quando olhei para o lado vi um dos assaltantes já com a arma na mão. Não deu tempo nem de fazer nada, ele foi logo amarrando a gente com uma fita e ficava nos ameaçando o tempo todo com a arma em punho, dizendo que atiraria a qualquer tentativa de fuga”, revelou.
O crime pode ter ligação com os autores da tentativa de assalto ocorrida no dia 27 de maio deste ano. “Ao ser amarrado, Caetano avisou do problema que tinha no braço em decorrência do tiro que havia tomado no último assalto, e antes dele acabar de falar, o assaltante o interrompeu afirmando que já sabia do acontecido”, afirmou um funcionário.
O ex-delegado da 119ª DP (Rio Bonito), Marcello Maia, que na última quarta-feira (6) foi transferido para o município de Miracema, e que até então cuidava do caso, afirmou que existem poucas chances de ser a mesma quadrilha que efetuou o último assalto. “Acredito que não sejam os mesmos assaltantes, pois quando efetuamos a prisão do menor, que havia participado do primeiro assalto, ele revelou que dois dos assaltantes já haviam sido presos. O outro está foragido. Por isso, achamos que não há uma ligação entre os dois assaltos”, contou Marcello Maia. O caso foi registrado na 119ª DP (Rio Bonito), mas até o fechamento desta matéria, Caetano não havia comparecido na delegacia para prestar depoimento, alegando que ainda estava muito abalado com o acontecimento. Agora, o empresário vai ser intimado a depor para esclarecer os fatos.
O primeiro assalto
A tentativa de assalto à joalheria, ocorrida em maio, terminou com duas pessoas baleadas. Além de Caetano, que tomou um tiro no ombro e outro no abdômen, um menor de 16 anos, que acabou sendo detido pela polícia, foi baleado por um policial civil. A tentativa de assalto foi praticada por quatro homens, sendo um deles menor.