Lívia Louzada
“Rio Bonito não está abandonado como diziam os cartazes”. Essa foi a frase usada pelo delegado da 119ª Delegacia de Polícia de Rio Bonito, Paulo Henrique da Silva Pinto, na reunião de março do Conselho Comunitário de Segurança, realizado na última segunda-feira (04), na Câmara de Vereadores. Ele rebateu as críticas feitas pelo proprietário da Joalheria Caetano Jóias, em forma de cartazes colados na porta de seu estabelecimento, após ser vítima do 13º assalto – o empresário escreveu que a cidade estava sem delegado, juiz e promotor. Também insatisfeitos com a segurança do município, três empresários do Condomínio Industrial, entre eles, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Rio Bonito (Ascirb), Geison Demier, foram a reunião com o intuito de buscar orientações e entender um pouco mais sobre o trabalho das Polícias.
Sobre a manifestação do proprietário da joalheria, o delegado explicou que apesar de estar em seu direito de protestar, tanto a Polícia Civil, quanto o Poder Judiciário, funcionam sob plantão nos fins de semana e datas comemorativas, e que no Carnaval, período em que aconteceu o furto, só havia juiz nas cidades de plantão, e delegado nas delegacias de plantão.
Já sobre o furto, o delegado revelou que as investigações estão avançadas e que espera, ainda este mês, apresentar “resultados satisfatórios”. “O que vai ser mais difícil é recuperar as jóias, pois a primeira coisa que eles fazem (os receptadores), é derreter o ouro”, disse.
“Completamos mais de dois anos aqui em Rio Bonito, fazemos prisões, relatamos mais inquéritos do que os últimos 10 ou 15 (delegados) que passaram por aqui anteriormente, e mais do que qualquer delegacia da região, então, Rio Bonito não está abandonado”, rebateu.
Insegurança
“Inseguros e perdidos”. Foi assim que o presidente da Ascirb, Geison Demier, definiu como os empresários do Condomínio Industrial estão se sentindo depois de três empresas terem sido vítimas de bandidos em fevereiro. Segundo Geison, em uma das empresas, a notícia que se tem, é que foram cerca de quatro ou cinco homens armados, que roubaram dentre outras coisas, R$4 mil. Já outro empresário presente, revelou que antes do Carnaval, sua empresa também havia sido vítima de bandidos, e que o arrombamento aconteceu no dia em que as câmeras de monitoramento estavam em manutenção.
Ao término da reunião, os empresários conversaram com o delegado e com os comandantes da Polícia Militar. Segundo Geison, o delegado deu dicas de segurança e se mostrou solícito em resolver as questões, mas a sensação de falta de segurança ainda persiste. “Percebo que pela explanação do delegado, tudo está muito preso a estatística, e em alguns momentos os números são pequenos (de ocorrências), e em outros, os números são altos (para receber ocorrências de outros municípios nos plantões)”, disse.
Ele ainda completou afirmando que apesar dos acontecimentos, nem todos os empresários estiveram presentes na reunião. “Seria bom que todos os empresários que estão insatisfeitos, tivessem ido a reunião, mas só fomos três. Mas de qualquer forma, foi bom conhecer como funciona o sistema da Polícia, e em quais questões eles esbarram. Eu diria que o que está sendo feito é pouco diante dos problemas que existem, está aquém do que precisa ser feito. Sinceramente não sei como vamos fazer daqui pra frente, só sei que estamos nos sentindo inseguros e perdidos”, finalizou o empresário.
Caso Américo
Em entrevista exclusiva a reportagem da FOLHA, o delegado Paulo Henrique voltou a afirmar que a Polícia Civil não está parada. Ele disse que em fevereiro recuperou um caminhão que havia sido roubado no bairro de Brás de Pina, no Rio de Janeiro, há alguns meses, e em seguida recuperou boa parte do material roubado de um comércio em Boa Esperança, em fevereiro. Neste último caso, os ladrões também foram identificados.
Além dos casos de roubo, o delegado também fez questão de mencionar a prisão de dois homens, Luciano Bino, conhecido como Lula, e Jeferson de Souza Dias, mais conhecido como Pangaré. De acordo com o delegado, os acusados tentaram matar Paulo Vieira da Silva, em um bar, no Loteamento Cambucaes, há alguns meses.
Já sobre o caso do assassinato do empresário Américo Branco, em maio de 2011, o delegado disse que já colheu o depoimento de dois entregadores de gás. Eles teriam fornecido seus CPF’s para Fabiano Amorim (acusado de mandar matar Américo), para que o acusado abrisse empresas fantasmas.
Ele também revelou que na última semana fez uma série de buscas e apreensões em Rio Bonito, Niterói (Camboinhas) e São Gonçalo. Em uma das cidades, o delegado disse que encontrou vários objetos que comprovam crimes de estelionato, documentos de empresas fantasmas e documentos falsificados. Um homem chegou a ser preso, mas pagou fiança e teve que ser liberado.
Em uma das casas, localizada em um condomínio de luxo, o proprietário tinha três carros importados na garagem (dois New Beetle e um Mercedes) e uma motocicleta, tudo avaliado em cerca de R$400 mil.