Por Fabiano Martinez
O barulho da maquininha dita o ritmo do ambiente. Com mão firme, o tatuador cria formas e grava cores, que provavelmente vão ficar para a vida toda. A pele é o fundo perfeito para essa arte. E gente querendo se tatuar é o que não falta. Os estúdios ficam lotados e funcionam com esquema de hora marcada. São homens e mulheres, que procuram por todo tipo de tatuagem. Borboletas, laços, dragões, nome de filho, foto da mãe. Tudo pode ser inspiração para uma bela tattoo.
Ela parece ter virado “acessório” quase obrigatório para o carioca. É na praia, quando os corpos ficam à mostra, que as tatuagens ficam mais visíveis. E vale tudo para chamar atenção. Tem gente que chega a tatuar o corpo inteiro, outros vão mais além e não deixam escapar nem mesmo o rosto. Mas a última novidade e a mais chocante é o ‘eye tattoo’, o preenchimento da parte branca do olho com uma tinta especial. O efeito causa estranheza e pode até assustar quem vê pela primeira vez. Olhos totalmente pretos como de zumbis, ou vermelhos como de vampiros dos filmes, já podem ser vistos nas ruas das grandes cidades do Brasil.
Em Rio Bonito, basta uma volta rápida pelo centro ou uma conferida nas academias para achar quem tenha um desenho, frase ou mesmo o rosto de alguém na pele. Impressão confirmada pelo tatuador Marcos Carvalho, o Marcão. Com o estúdio lotado todos os dias e mais de cinco mil tattoos, em três anos de trabalho na cidade, Marcão diz que o preconceito contra a tatuagem está diminuindo. Entre seus clientes estão adolescentes, pais e mães de família e até mesmo senhoras com mais de 60 anos. O tatuador que está há mais de 12 anos no mercado ainda se lembra da sua “primeira vez”.
“Foi no braço de um amigo, com uma máquina feita em casa. Eu ia só desenhar um coração, mas ele pediu pra eu continuar e fazer a tatuagem inteira. Eu nem sabia como funcionava aquilo.” Confessa, entre risos, Marcão.
Hoje existe uma verdadeira indústria relacionada à tatuagem, com uma infinidade de equipamentos e tintas desenvolvidas com alta tecnologia, revistas especializadas, convenções e concursos. Sem falar nos famosos programas de TV, no estilo reality show. Tem até cursos para quem deseja entrar na profissão e já se estuda a criação de um sindicato dos tatuadores. Mas esse ‘boom’ carrega uma história bem antiga. Os polinésios, povos que viviam nas ilhas do Pacífico, já marcavam o corpo para registrar etapas da vida. Os japoneses também se destacaram nessa arte, com os lendários samurais. Mas foi através dos marinheiros ingleses, mais especificamente, pelo capitão James Cook, no século XVIII, que a tatuagem chegou ao ocidente. Nesse lado do mundo, ela Já foi símbolo de marginalidade e usada como código nas cadeias. Passou pelos anos 70 e 80 carregada de rebeldia e anarquia e se popularizou na pele de motociclistas e punks.
Charme, técnica e variedade nos tattoos
Atualmente, a tatuagem está mais ligada à estética e faz parte do repertório da cultura pop, facilmente encontrada em corpos malhados e em outros nem tanto. Está mais para uma expressão individual, cada um “gritando” da sua maneira. Mas se por um lado perdeu um pouco do significado, ganhou charme, técnica e variedade. Alguns trabalhos impressionam pela riqueza de detalhes, como no caso do realismo, que reproduz desenhos e até fotos de pessoas com precisão e semelhança incríveis. Se expressar pela arte na pele, em alguns casos, pode não ser barato. Tatuar um braço inteiro, por exemplo, pode passar de R$ 2 mil. O preço ainda varia de acordo com a fama do artista. Mas também há trabalhos mais acessíveis, a partir de R$ 50. Quanto à dor, uma dúvida frequente, depende de onde a agulhinha vai penetrar, mas é unanimidade que pés e costelas doem de verdade. Em outras partes pode se sentir apenas um pequeno incômodo.
O inspetor industrial, Gabriel Duarte, de 20 anos é um desses apaixonados por tatuagem e impressiona pela quantidade e diversidade de desenhos e cores que tem no corpo. São quase dez tattoos distribuídas no peito, costas, braços e pernas. Ele garante que todas têm significado. A última, uma grande, caveira com asas (acredite é grande mesmo), está sendo feita há quase seis meses e veio da inspiração do rock, já que Gabriel é guitarrista de uma banda. A coisa ficou tão séria que ele comprou todo equipamento para a namorada, que está aprendendo a arte e a moça não perdeu tempo e já fez sua primeira obra, no braço do rapaz.
“Ela está aprendendo com Marcão, aí decidi dar de presente o equipamento para ela. Não teve jeito e acabei sendo “cobaia” também”, diz, com orgulho, Gabriel.
Quem está pensando em fazer sua primeira tattoo deve tomar alguns cuidados. Começando pela higiene do estúdio e do equipamento (acima de tudo as agulhas devem ser descartáveis). Dar uma olhada em alguns trabalhos do tatuador ajuda a ter uma idéia se o cara é bom ou não. Estar totalmente consciente do que vai fazer é básico. Gravar o nome da pessoa amada pode ser uma verdadeira roubada. Relacionamentos acabam, a tatuagem pode ficar para sempre. Tem como remover, mas é mais caro, demorado e pode deixar marcas. Checados todos os itens, se você tem mais de 18 anos (menores precisam da autorização dos responsáveis), é só escolher uma arte bem bacana, marcar uma hora e relaxar.