Flávio Azevedo
O prefeito Cosme Salles, de Itaboraí, e a Petrobras, reuniram a imprensa na última terça-feira (19) pela manhã, para anunciar que a Cena Brasileira, empresa que presta serviços à estatal, vai iniciar em janeiro o levantamento sócio-econômico das comunidades da área onde será implantado o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A reunião, que foi realizada no salão nobre da Prefeitura, contou com a presença da Gerente de Relacionamento Externo da Petrobras, Cláudia Labruna, que dirigiu os trabalhos, dos secretários municipais de Governo, Janô Bezerra, de Meio Ambiente, Francisco Geraldo, da representante da Cena Brasileira, Gilda Pessoa.
O levantamento faz parte da primeira etapa do processo de desapropriação e remanejamento das famílias que moram em sítios e propriedades dentro da área do Comperj. De acordo com Gilda Pessoa, durante seis meses uma equipe composta de sociólogos, assistentes sociais e jornalistas, visitará a região com o intuito de sanar as dúvidas que possam existir sobre o COMPERJ. Munidos dessas informações, esses profissionais irão realizar um levantamento sobre a vida socioeconômica das cerca de 140 famílias que residem no local.
– O levantamento sócio-econômico consiste em ouvir as comunidades e discutir com elas os assuntos ambientais e levantar outras informações. Além de orientar aos moradores sobre o que é o COMPERJ, vamos esclarecer sobre as empresas que virão para o município acompanhando o complexo – informou Gilda, que ainda destacou a preocupação da Petrobras com as mudanças que esses moradores sofrerão com a desapropriação de suas terras.
A Gerente de Relacionamento Externo da Petrobrás, Cláudia Labruna, informou que a Petrobras vai disponibilizar sociólogos e psicólogos para atender às famílias que deixarão suas casas, dando sugestões de como iniciar uma nova vida em um novo lugar. “Por isso é importante esse contato preliminar da Cena Brasileira, porque esse levantamento nos dará uma noção real da situação social das cerca de 140 famílias que residem naquele espaço”, disse.
Ao ser indagado sobre a possibilidade de alguns proprietários não possuírem a escritura das suas terras – o que acarretaria alguma dificuldade para o fechamento do negócio entre a Petrobras e o morador – o prefeito declarou que essa possibilidade não existe.
– Nós estamos falando de grandes propriedades. Ali temos apenas sítios e fazendas com áreas produtivas, e todos são pessoas esclarecidas, com certeza eles possuem a documentação das suas terras – disse o prefeito, que concluiu afirmando que quando o proprietário não tiver a escritura registrada em cartório, “o dinheiro deverá ser depositado na Justiça e ele terá que comprovar a posse da terra para ser indenizado”.
Cláudia Labruna afirmou que essa dificuldade é um dos objetivos da Cena Brasileira. “Eles também vão detectar dificuldades como essa e a partir daí começar a orientar o morador”, revelou.
Outras empresas em Itaboraí
A Cena Brasileira não será a única empresa a trabalhar na região a partir de janeiro. Outras firmas também chegarão com o intuito de realizar, a pedido da Petrobras, estudos sobre a conseqüência do impacto que a região irá sofrer com a chegada do Comperj. A investigação da qualidade da água e do solo, por exemplo, é de responsabilidade da BFU do Brasil; o monitoramento da qualidade do ar será da Cetrel Lumina Soluções Ambientais; já a empresa Base Aerolevantamentos, atuará no ramo de aerolevantamento e conclusão do cadastramento de propriedades. Além dessas empresas, também atuarão na região, a Embrapa ou Fundação Johanna Dobenheimer, que vai desenvolver o trabalho de inspeção e diagnóstico da vegetação local, a UFRRJ/FAPUR, que ficará responsável pela demarcação das faixas marginais dos rios e a Concremat, que responderá pelo diagnóstico ambiental.
Corredor ecológico
Cláudia Labruna anunciou que a criação do corredor ecológico no entorno do Comperj ficará sob a responsabilidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
– Em novembro foi protocolado na Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA), o pedido de avaliação técnica da área do Comperj, para ser dado início ao plantio da mata ciliar que irá compor o corredor ecológico. Para dar início estamos apenas aguardando essa liberação, pontuou Labruna, afirmando que esse é um tipo de trabalho que não é possível estipular uma data de conclusão. “O homem planta, mas o crescimento e o desenvolvimento ficam por conta da natureza”, frisou.