Rio - Dois dias depois da revelação de que mantinha um amante — e da suspeita de que teria um segundo namorado —, a ex-cabeleireira Adriana Almeida, 29 anos, viúva do milionário da Mega-Sena Renné Senna, foi presa às 11h20 de ontem, acusada de envolvimento na morte do marido. Adriana foi encontrada por policiais da 119ª DP (Rio Bonito) no Hotel Tio Sam, em Camboinhas, Região Oceânica de Niterói, onde estava escondida com uma advogada. Outras quatro pessoas — ex-seguranças de Renné e Adriana — também têm mandado de prisão expedido e são procuradas. Haveria ainda um quinto homem suspeito.
Adriana foi indiciada por homicídio qualificado, por motivo torpe. Outro agravante foi a impossibilidade de defesa da vítima — Renné teve as duas pernas amputadas devido a diabetes. Se condenada, ela poderá ser submetida a sentença de 12 até 30 anos de prisão. Renné foi assassinado com quatro tiros na cabeça no dia 7, num bar em Rio Bonito. A mulher, de acordo com o chefe de Polícia Civil, delegado Gilberto Ribeiro, seria a mandante do crime. Os autores diretos, dois homens. Os quatro ex-seguranças procurados são um bombeiro, dois PMs e um ex-PM.
A prisão temporária de Adriana — por 30 dias — foi decretada na noite de quinta-feira pela juíza Renata Gil, da 2ª Vara Criminal de Rio Bonito. Mas Adriana não foi localizada em nenhum dos endereços em Rio Bonito que tinha fornecido à polícia. Seu paradeiro foi descoberto ontem devido a uma ligação ao Disque-Denúncia (2253-1177).
INTIMIDADE
A juíza baseou-se no material apresentado pelo delegado Ademir Oliveira, titular da 119ª DP (Rio Bonito), e em dados que surgiram a partir de escutas telefônicas e da quebra de sigilo bancário da suspeita. Além disso, a Justiça bloqueou a conta conjunta que a viúva tinha com Renné e a pessoal. As conversas telefônicas indicariam relação de intimidade com os ex-seguranças.
O delegado Rafik Lousada, diretor do Departamento de Polícia do Interior, disse que as investigações agora vão se concentrar nos autores do assassinato. A prisão de Adriana, segundo ele, foi pedida para que a mulher não tivesse contato ou pressionasse testemunhas do caso. “A prisão é para evitar que isso aconteça. Presa, ela vai nos dar chances de fazer outras investigações”, disse. Além disso, as autoridades temiam que Adriana fugisse. Nas últimas semanas, a viúva evitou dormir em casa — a fazenda de R$ 9 milhões em Rio Bonito —, o que despertou a suspeita de que pudesse haver plano de fuga em curso.
Segundo o chefe de Polícia Civil, Adriana estava refugiada. “Aparentemente ela estava escondida (no hotel). Em tese, quem tem residência fixa e se hospeda em hotel está com medo.”
‘Estão me arrastando! Tô sendo presa!’, protestou
Ao sair do hotel, Adriana protestou: “Estão me arrastando! Tô sendo presa! Me ajudem!”. Dentro do estabelecimento, porém, agiu com discrição. “Gostaria de dar baixa na minha conta, por favor”, disse, na recepção. Segundo um policial, a ex-cabeleireira não protestou ao receber voz de prisão, mas chorou muito e só dizia que era inocente, ao ser algemada.
De lá, foi ao IML, no Centro, para exame de corpo de delito e, em seguida, passou na Polinter da Zona Portuária para assinar documentos. “Sou inocente. Não tenho nada a ver com esse assassinato”, disse, aos prantos, ao chegar à 72ª DP (Centro de São Gonçalo), à tarde. Horas depois, depôs na Delegacia de Homicídios, no Centro do Rio, e após, voltou a São Gonçalo. Seu advogado, Alexandre Dumans, protestou: “Isso foi um seqüestro, e não uma prisão. Agora vão beber o sangue da viúva!”. Ele vai entrar hoje com pedido de habeas corpus. “Ela não estava foragida. Foi para o hotel porque estava sendo importunada. Houve acordo para que fosse apresentada às 13h30 na delegacia para esclarecer seu depoimento. Mas fomos surpreendidos.” Na noite de terça-feira, policiais cumpriram mandado de busca e apreensão na fazenda. Foram levados vários documentos.
CONFORTO POR 24 HORAS
A tranqüilidade do Tio Sam Hotel & Fitness, um quatro estrelas em Camboinhas, Região Oceânica de Niterói, foi interrompida no fim da manhã de ontem pela prisão de Adriana Almeida. Hospedada desde a manhã de segunda-feira com uma advogada, ela só pôde desfrutar do conforto do lugar por pouco mais de 24 horas.
Segundo funcionários, poucas horas após chegar ao hotel, Adriana desceu para o sofisticado restaurante e almoçou na frente de outros hóspedes, aparentemente sem ser reconhecida. Em sua suíte — a segunda mais cara do Tio Sam, cuja diária custa R$ 342 —, havia televisão de tela plana, DVD, banheira de hidromassagem, sala de estar e frigobar.
O hotel não quis informar se Adriana já havia se hospedado antes, mas funcionário de padaria próxima contou que atendeu a ex-cabeleireira há menos de duas semanas. No dia, ela entrou sozinha na loja. Na lista de personalidades que já se hospedaram no Tio Sam estão Ivete Sangalo, Luciano Huck e a banda Babado Novo.
Fonte: O Dia