Flávio Azevedo

“A importância da reforma do Mercado Municipal, está na certeza de que o projeto irá beneficiar camelôs, feirantes e a população em geral”. As palavras proferidas pelo prefeito José Luiz Alves Antunes, na tarde da última terça-feira (30), enquanto visitava as obras de revitalização do Mercado Municipal, na Praça da Bandeira, no Centro da cidade, junto com o Secretário de Obras e Ronen Antunes, demonstram o interesse da atual administração de recuperar uma área que faz parte da história do comércio do município. O entorno do mercado, uma construção antiga datada de 1949, abriga também uma feira livre e uma praça onde os camelôs comercializam diversas mercadorias, que também passarão por reformas. O término das obras, de acordo com o Secretário Ronen Antunes está previsto para o final do mês de março ou abril.

Iniciadas há cerca de quinze dias, as obras estão sendo realizadas com recursos próprios, e vão custar R$ 456.906,59 mil aos cofres da prefeitura. O prefeito José Luiz disse que a reforma, que prevê a construção de novos boxes dentro do mercado, nova estrutura para a feira livre e a transferência dos camelôs da Praça da Bandeira, para o terreno onde funcionava um campo de futebol, dará mais conforto aos produtores rurais e artesãos (a prefeitura pretende instalar a Estação das Artes no local), que comercializam seus produtos e aos clientes.

– Pretendemos dar ao nosso produtor rural, um local de trabalho decente para que ele possa trabalhar com dignidade. Além disso, os artesãos da cidade, que são muitos, terão aqui também o seu espaço. Os comerciantes irão atender muito melhor qualquer um que passar por aqui, seja da cidade ou visitante – disse José Luiz.

Mudanças no projeto

O piso do terreno onde antes funcionava um campo de futebol, ao lado do mercado foi elevado e cimentado, e vai ganhar instalação elétrica para abrigar os ambulantes que trabalham na Praça da Bandeira. O projeto prevê ainda a instalação de 34 tendas padronizadas com 3 metros quadrados (antes seriam apenas 25), que serão divididas em 4 blocos, com cobertura de lona de vinil.

O local também irá ganhar duas entradas laterais, duas jardineiras e seis bancos arqueados de madeira e ferro fundido, com 4 metros de comprimento e 40 cm de largura. Para esclarecer algumas dúvidas dos camelôs sobre o funcionamento do camelódromo, o Secretário de Obras Ronen Antunes, juntou cerca de 10 deles, durante a visita da última terça-feira (30), para explicar como irá funcionar o novo espaço.

– Estamos acrescentando ao projeto duas entradas nas laterais do mercado (uma pelo camelódromo e outra pelo feiródromo). Serão dois portões de madeira trabalhada de 2,8 metros de largura e 2,5 m de altura. Infelizmente vamos perder um boxe de cada lado (agora serão 29, em vez de 31), mas essa nova passagem vai aumentar muito o trânsito das pessoas no mercado – disse o Secretário, que confirmou a construção de um ponto de ônibus na Av. Manuel Duarte. “Quanto mais gente passar por aqui, maior será o volume dos negócios”, disse Ronen.

O ambulante Daniel Nascimento Quintanilha, de 30 anos, disse acreditar que a reforma dará impulso às vendas. “Dá pra acreditar, é só nós analisarmos que sempre ouvimos promessas, mas dessa vez, a obra já está sendo realizada e isso é um bom sinal”, disse.

A reforma

Na primeira fase das obras, será feita a drenagem de toda a área, a troca do telhado de amianto do mercado por telhas de cerâmica mesclada, e construídos quatro banheiros com 12,30m²; dois serão dentro do mercado e dois na área externa. Os externos irão ganhar também vestiários para o uso dos feirantes. Os desenhos que existiam originalmente, desde que o mercado foi inaugurado em dois de agosto de 1949, serão entalhados novamente na fachada do prédio, que ainda ganhará mais 4,20 metros em cada lateral.

A área interna ganhará 29 novos boxes, medindo 7,80m², 9,66m² ou 23m². Os boxes terão balcão de granito ou ardósia polida, e portas metálicas de correr. Oito postes com arandelas em estilo colonial de 4,5 m de altura serão responsáveis pela iluminação do mercado e do seu entorno, que também receberá quatro novos portões de madeira trabalhada, já que com a mudança do projeto, serão abertas duas novas entradas nas laterais, para aumentar o fluxo de pessoas que circularão sobre o novo piso intertravado.

A área da feira livre

A área da feira livre, onde os produtores rurais comercializam seus produtos todos os sábados pela manhã, vai receber tendas padronizadas com 9 metros quadrados e quatro boxes destinados aos feirantes que trabalham com a venda de carnes. A iniciativa vai permitir uma melhor higiene na comercialização dos produtos, preservando a saúde dos fregueses. O projeto, que foi desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano, prevê ainda a construção de quatro jardineiras entre os boxes. O piso de paralelepípedos que existe hoje no local também será removido, dando lugar a bloquetes sextavados.

Comerciantes aprovam as obras no local

Com as obras, o comerciante Raniel Figueiredo Bezerra, proprietário de um açougue há 12 anos no Mercado Municipal, teve que se mudar para uma loja na Av. Manuel Duarte, atrás do Lagos Supermercado. Ele contou que gastou R$ 6 mil para reformar o espaço em 13 dias e ressaltou que pretende voltar para o antigo ponto, após a reforma: “minha expectativa é que depois da reforma, o mercado fique muito bom, mas se não me agradar, eu fico por aqui”, disse Raniel, revelando que já conseguiu novos clientes. “Eles dizem que não compravam comigo lá no mercado, porque o ambiente era horrível”, contou.

Já o seleiro Diozemir Mota, de 60 anos, há 30 anos proprietário de uma selaria no interior do Mercado, apesar de estar parado e passando dificuldades, acredita que vai recuperar o prejuízo quando voltar a trabalhar.

– Estou passando dificuldades porque estou parado. Mas tenho certeza que essa reforma vai ser boa para nós. Nos 30 anos que estou aqui, nunca nenhum prefeito teve essa iniciativa, mas Zé Luiz é corajoso e está fazendo esse benefício para nós. Vai muito ficar muito bom isso aqui, depois de pronto. Do jeito que estava não podia continuar, nós não tínhamos nem ânimo de vir trabalhar – declarou Mota.