Flávio Azevedo
A secretária municipal de Saúde Mônica Figueiredo, disse que toda população será atendida pelo projeto, pois basta apresentar qualquer receita médica para adquirir os medicamentos. Ela ressaltou ainda, que os remédios desse programa são comercializados com até 90% de desconto, mas não são doados. A secretária esclareceu também que os medicamentos serão vendidos de maneira fracionada, pois são fabricados em embalagens especiais e vendidos na quantidade exata prescrita pelo médico. Por exemplo, quem receber uma receita com quatro comprimidos prescritos, não vai precisar mais comprar uma caixa com sete.
– O mais importante desse programa é que ele universaliza o SUS, ou seja, toda população pode ser beneficiada, pois a Farmácia Popular do Brasil aceita as receitas, tanto da rede pública quanto particular. Grande parte dos medicamentos chega a ser comercializada com 90% de desconto. Outra vantagem é que os medicamentos comercializados nesse programa são fracionados – disse Mônica.
No Estado do Rio de Janeiro, além das 11 Farmácias gerenciadas pelas prefeituras dos municípios de Barra do Piraí, Barra Mansa, Itaguaí, Magé, Mesquita, Nova Iguaçu, Paracambi, Petrópolis, Queimados, Resende, Rio de Janeiro, São João de Meriti, Seropédica e Valença, ainda existem 296 farmácias privadas que são conveniadas com o Governo Federal e atendem a população.
Em Rio Bonito, desde o segundo semestre do ano passado, a Drogaria Pacheco está credenciada pelo projeto. No entanto, grande parte da população, ainda desconhece essa parceria. É o caso da pensionista Ilsa Maciel, de 55 anos, moradora da Mangueirinha, que além de não saber que a Drogaria oferece os medicamentos pelo Farmácia Popular, criticou a quantidade de itens que o governo disponibiliza para a população. “Acho até que a idéia é interessante, mas a quantidade de medicamentos disponibilizados é irrisória. O governo disponibilizou 107 itens, porém existem mais de 500 remédios no mercado. Os que doem no bolso mesmo, são aqueles que geralmente custam entre R$ 100 e R$ 300 reais ou mais”, disse a pensionista.
Convênio com o Governo Federal
Segundo a Secretária Mônica Figueiredo, a Farmácia Popular do Brasil é um projeto do Governo Federal, que é administrado pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz). Ela compara o seu funcionamento como uma franquia, onde a prefeitura através da Secretaria Municipal de Saúde apenas gerencia o programa. Para o município se adequar ao Farmácia Popular, precisa atender algumas exigências técnicas do Ministério da Saúde e da Fiocruz, entre elas, possuir um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPG) exclusivo – não pode ser o CNPJ da prefeitura – e ter um número de habitantes superior a 70 mil pessoas. Ao se enquadrar nessas exigências, o Governo Federal repassa R$ 50 mil para o preparo do espaço físico da futura farmácia, que recebe constante fiscalização da Fiocruz.
Após a inauguração, mensalmente o município receberá R$ 10 mil, que serão empregados no pagamento de pessoal, telefone, água, luz, internet, aluguel e manutenção do prédio. No caso de Rio Bonito, o gasto com aluguel não acontecerá, porque o prédio pertence ao município.
– O único lucro que o município alcançará com esse programa, é a população ter um melhor acesso a medicamentos básicos que são muitas vezes indispensáveis para eles – disse a Secretária, revelando que o dinheiro arrecadado diariamente na farmácia será depositado em uma conta da Fiocruz, para que ela faça a reposição do estoque. “Vamos contratar cinco funcionários, que irão trabalhar de segunda a sexta-feira de 8 h às 18 h, e aos sábados de 8 h às 12 h, que é o horário de funcionamento da farmácia”.
Medicamentos usados
A Farmácia Popular do Brasil oferece medicamentos que tratam das doenças com maior incidência no país. Estão disponíveis, também, preservativos masculinos (cuja utilização é importante para a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis), antihipertensivos, medicamentos de controle do diabetes, úlcera gástrica, depressão, asma, infecções, verminoses, antitérmicos e antibióticos. Além desses, estão disponíveis também, remédios para os quadros de cólicas, enxaqueca, queimadura, inflamações e anticoncepcionais. São 107 itens à disposição da população.
Um dos medicamentos mais usados para o combate da hipertensão é o Captopril 25 mg. Em pesquisa realizada pela reportagem da Folha da Terra nas drogarias da cidade na última terça-feira (27), a caixa com 30 comprimidos do medicamento custava R$ 17 em alguns estabelecimentos. Na Farmácia Popular, o cliente compraria cada comprimido por R$ 0,04; ou seja, para comprar os mesmos 30 comprimidos, o usuário iria desembolsar R$ 1,20, economizando R$ 15,80.