Flávio Azevedo

Referência da região em fornecimento de sangue, o Centro Municipal de Hemoterapia Dr. Edson José da Silva (Banco de Sangue), em Rio Bonito, recebeu nos últimos meses novos aparelhos e reformas no seu espaço físico. Localizado na Mangueirinha, em um prédio anexo ao Ambulatório Municipal Manoel Loyola, o prédio voltou a ser configurado como na planta original. Além disso, equipamentos fundamentais exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), já estão em funcionamento.
De acordo com a secretária municipal de Saúde Mônica Figueiredo, a principal aquisição do município para o Centro de hemoterapia é uma centrífuga que foi adquirida em outubro do ano passado com recursos próprios. O equipamento custou R$ 77.612,80 mil aos cofres públicos. A função do equipamento é separar as hemácias do plasma, um procedimento que se realiza em oito minutos.

Segundo a administradora do Banco de Sangue Dilma Fourny, ao assumir a administração da instituição a centrífuga antiga estava quebrada, e existia uma grande dificuldade para atender a demanda de plasma.
– Sem esse equipamento, o fornecimento de plasma ficava totalmente comprometido, e buscávamos no Hemorio. Mais adiante, fizemos uma parceria com o Hospital Municipal Orêncio de Freitas, no Barreto, em Niterói. O sangue coletado aqui era enviado para lá, e eles realizavam o procedimento. Era uma situação muito trabalhosa, por ser uma técnica que deve ser realizada em no máximo oito horas – conta a administradora.

Além da centrífuga, a Prefeitura Municipal, através de uma parceria com o Ministério da Saúde, também adquiriu três freezers novos. Todo o sangue doado, só pode ser utilizado depois de ser avaliado e liberado pelo Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio), e enquanto aguardam, eles ficam guardados em um dos freezers novos. Em outro, fica armazenado o sangue já testado pelo Hemorio e aprovado para o uso, e no terceiro freezer, fica estocado o plasma, que é conservado em temperatura de menos 30 graus celcios (- 30º C). Fourny ressalta as vantagens dos novos equipamentos. “Com as antigas câmaras de conservação, só conseguíamos atingir a temperatura de - 18º C, então nosso plasma tinha apenas um ano de validade. Com as novas câmaras, a validade do nosso plasma agora é de dois anos, porque o novo freezer alcança - 30º C, temperatura exigida pela Anvisa”, diz.
Os novos freezers são equipados com painel digital e alarme sonoro, que dispara se a temperatura diminuir. Além disso, foram instalados termômetros fora dos freezers, como medida de segurança. “A possibilidade de erro é praticamente zero e se houver falha no termômetro interno do freezer, o externo avisa”, explica Fourny.

Cuidados com os equipamentos

A mesma parceria com o Ministério da Saúde, também trouxe para o Hemonúcleo, uma autoclave vertical. O aparelho é usado para esterilizar todo tipo de material descartado pelo Banco de Sangue. A coordenadora da instituição explica o porquê da necessidade de se esterilizar os materiais usados, uma vez que são descartáveis.

– É preciso ressaltar que todo equipamento usado aqui na unidade é descartável, mas existe uma exigência da Anvisa, que o lixo produzido em unidades hospitalares seja manipulado de forma diferenciada do lixo caseiro. A preocupação do município é tão grande, que a prefeitura há cerca de um ano contratou uma empresa especializada em lixo hospitalar. Mas antes que eles levem o que é desprezado é preciso esterilizar tudo. O objetivo é fazer que caso exista alguma fonte de infecção no lixo, ela seja esterilizada – afirma.

Um das unidades mais complexas da Secretaria de Saúde, a manutenção do Centro Municipal de Hemoterapia custa cerca de R$ 40 mil por mês aos cofres do município, incluindo as despesas com pagamento de pessoal e fornecedores. Em outubro do ano passado, o Hemonúcleo voltou a atuar de acordo com a sua planta original, contando com dois laboratórios. No primeiro, manipula-se o sangue que chega, ou seja, o que acaba de ser doado. Ele fica armazenado nesse primeiro segmento, aguardando a liberação do Hemorio. Depois da liberação, ele segue para o outro laboratório, onde ficam armazenados o sangue e os seus derivados, aguardando a dispensação.

Nova aquisição

De acordo com a Secretária de Saúde Mônica Figueiredo, até o fim do ano o Banco de Sangue deverá ganhar um agitador de plaquetas. “Com a chegada desse aparelho, não será mais necessário ir ao Hemorio buscar as plaquetas”, ressalta a secretária, lembrando que elas poderão ser preparadas no hemocentro de. “Isso quer dizer, que nós vamos estar cada vez mais independentes do Hemorio”, concluiu Mônica.

Poucos doadores

Apesar dos investimentos que o Banco de Sangue recebe e da preocupação das autoridades municipais em atender a população com mais qualidade, Dilma Fourny, se queixa da pequena quantidade de doadores.

– Atualmente nós estamos operando com apenas 50% da nossa capacidade de captação. Poderíamos com tranqüilidade coletar 4.300 bolsas de sangue por ano, mas atualmente apenas 1.300 unidades são coletadas, o que é um índice muito baixo, já que temos uma demanda muito grande, pois atendemos além de Rio Bonito, Silva Jardim, Itaboraí, Tanguá e Maricá – diz ela.