
O que é assessoria de comunicação
A nomeação do jornalista e comentarista Franklin Martins, para a Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto vem causando algumas polêmicas. Escolhido pelo próprio presidente, o capixaba Franklin Martins e o presidente Lula possuem passados parecidos, pois o novo secretário, durante o período de resistência à ditadura, foi líder estudantil e militante do grupo comunista MR-8, participando do seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick, em 1969. Entretanto, o que me intriga é que a controvérsia não gira em torno da competência do novo secretário. O que percebemos, é o choro de alguns preteridos, pois pretendiam levar alguma vantagem se assumissem a pasta.
Alheio a este debate monocórdio, está grande parte dos leitores, ouvintes, telespectadores e participantes da grande rede, que ‘sem entender o espírito da coisa’, guardam o jornal, mudam a estação do rádio, trocam o canal da TV, ou acessam um site que tenha um conteúdo mais interessante.
Para entender o que faz o secretário de comunicação, vamos começar falando do Franklin Martins. A discussão em torno do seu nome, não ocorre por causa do trabalho árduo que ele terá para cuidar do presidente Lula e dos seus aloprados. Isso não interessa. A discórdia é motivada, porque a nomeação do jornalista contraria alguns interesses. Só para que o leitor entenda, o novo secretário irá administrar um orçamento bem rechonchudo e terá estatus de ministro. Em suas mãos vão estar a responsabilidade dos gastos com propagandas institucionais e o projeto de uma rede nacional pública de TV, que atualmente é a menina os olhos do presidente.
Com um orçamento bem menor que o do Franklin, mas em posição tão cobiçada quanto a dele – ninguém sabe o por quê, se o cargo traz tanta dor de cabeça – está o assessor de imprensa de artistas, celebridades e aquelas pessoas que tem grana para gastar com esse tipo de capricho. Geralmente esses profissionais cuidam da divulgação da imagem desses personagens.
Mas para trabalhar em grandes empresas, corporações, entidades e instituições, o trabalho é bem estressante. Engana-se quem pensa que o secretário de comunicação ou assessor de imprensa, tem que estar no microfone durante os eventos. Suas atribuições são bem mais significativas, e ele não precisa desse oba-oba. E com relação ao microfone, o secretário delega à alguém essa missão.
Apesar de ser nomeado por alguém, o responsável pela comunicação não é empregado de um nome, ele trabalha para uma instituição que é gerenciada por um nome. É preciso ter noção, que os nomes – embora mereçam destaque – passam e as instituições permanecem. Além disso, a comunicação vai cuidar da imagem dos departamentos em que a instituição se divide. Se for empresa, as diretorias; se for uma instituição política, as secretarias ou os ministérios.
A secretaria de comunicação deve cuidar também da comunicação interna e externa da instituição. Ele precisa saber da agenda de toda e qualquer programação, da instituição ou empresa, para que antecipadamente sua equipe esteja escalada, e possa acompanhar e divulgar a atividade realizada. Essa equipe deve ser treinada, interessada e bem liderada pelo chefe da comunicação. Funciona como um time de futebol, que para ser vitorioso precisa ser bem treinado e estar entrosado. Mas para que isso aconteça, é preciso que o secretário tenha condições de trabalho, exatamente como o presidente Lula fez com Franklin Martins. Carta branca para realizar suas atividades.
As falhas de um departamento de comunicação, geralmente não queimam o secretário de comunicação, mas sim a imagem da instituição e o nome que a gerencia. Talvez seja por isso que o presidente Lula escolheu um nome que possui tanta credibilidade. Afinal, “gato escaldado tem medo de água fria”.