... Pena não ser mais assim!

A Bíblia está repleta de histórias em seus 66 livros. Mas, duas delas me chamam a atenção de maneira especial. Já me peguei pensando várias vezes, será que histórias como as que eu vou narrar, não poderiam acontecer em nossos dias? A primeira delas é relatada no Capítulo 10, do livro de Levítico, no Velho Testamento. É um episódio que acontece na caminhada dos israelitas para Canaã. De acordo com a Bíblia, os dois filhos do sumo sacerdote Arão, chamados Nadabe e Abiú, que também eram sacerdotes, foram queimados e consumidos por Deus porque ofereceram fogo estranho em um ritual sagrado. É bom saber, que todo fogo usado nas cerimônias do tabernáculo (a igreja deles), deveria ser tirado de uma tocha que o próprio Deus havia acendido milagrosamente e que nunca se apagava. Os dois contrariaram a vontade de Deus... Foram castigados.

A outra história impactante, é um episódio ocorrido no Novo Testamento, no Capítulo 5 do livro de Atos. É a narrativa de um casal identificado pelo narrador como Ananias e Safira. A leitura nos faz entender, que eles haviam prometido doar para a igreja apostólica, o dinheiro que conseguissem com a venda de uma propriedade. Mas, como conseguiram um bom valor, resolveram não entregar todo o montante. Ananias trouxe parte do dinheiro e entregou aos apóstolos. No entanto, São Pedro disse o seguinte para ele: “não mentiste aos homens, mas a Deus”. E imediatamente Ananias caiu morto. Mas a história não termina aí. Ela continua, contando que sem saber do ocorrido, quase três horas depois Safira veio procurar o esposo. O apóstolo Pedro questionou a mulher sobre o valor levantado com a venda do terreno. Que triste fim! A história diz que após ela confirmar a mentira do marido, também morreu subitamente e foi enterrada junto dele.

Porque estou comentando isso? Porque é extremamente desagradável assistir aqueles noticiários que mostram pessoas ingênuas e de boa fé sendo enganadas por espertinhos que se dizem crentes e pastores. Tem pessoas que classificam essa gente como falsos profetas. Eu discordo, porque para ser um falso profeta é preciso ser competente e nem isso eles são. Vejamos esses exemplos:

1) Em 11 de julho de 2005, a Polícia Federal (PF) apreendeu sete malas contendo R$ 10.202.690 em dinheiro. Toda essa grana estava em Brasília e supostamente iria para Goiânia e São Paulo, em um jatinho fretado pelo deputado federal e presidente da Igreja Universal do Reino de Deus, João Batista Ramos da Silva (PFL-SP). Ele alegou que o dinheiro foi arrecadado junto aos fiéis e seria depositado numa agência do Banco do Brasil, na capital paulista. Não convencida da legalidade dos recursos, a PF decidiu deixar o dinheiro em uma outra agência bancária, onde ficou à disposição da Justiça até o caso ser esclarecido.

2) O casal Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes, fundadores da igreja Renascer, passaram por momentos que lembraram a série americana 24 horas. O casal foi preso por agentes do FBI, no dia 9 de janeiro desse ano, no aeroporto de Miami, lá na terra de Jack Bauer. O motivo da prisão foi o fato do casal, que embarcou em Guarulhos (SP), estar levando consigo US$ 56 mil, apesar de terem declarado que carregavam apenas US$ 10 mil (que é valor máximo que a legislação daquele país permite ser transportado por estrangeiros). Agora, os bispos estão sendo investigados por lavagem de dinheiro também pela polícia dos EUA. Sorte deles que não foram levados para a UCT para serem interrogados por Bauer.

3) A última, além de absurda, tem o enredo mais parecido com uma outra série americana, o CSI. Ora, por quê? Muito simples. Vamos conferir: a Polícia Civil de Osasco (SP) descobriu um suposto envolvimento do deputado federal Mário de Oliveira (PSC), com um pistoleiro que ele teria contratado por R$ 150 mil, para assassinar o também deputado Carlos Willian (PTC-MG). A novidade dessa história, que relembra o CSI, é que a vítima e o acusado são pastores influentes da Igreja do Evangelho Quadrangular, onde ambos possuem cargos de destaque. De acordo com polícia, o assassinato foi intermediado por Celso Braz Nascimento, membro da igreja comandada pelo deputado Mário de Oliveira, onde exerce as funções de pastor e diretor de comunicação.

Pergunto eu: não seria justo Deus enviar aquele fogo consumidor que incendiou Nadabe e Abiu, ou aquele mal súbito que caiu sobre Ananias e Safira também nesses casos? Penso que Papai do Céu pouparia o Seu nome de ser tomado em vão, manchado por escândalos, e acabaria com as tradicionais farras com o “dinheiro sagrado”, que apenas colaboram para deixar a imagem da religião desgastada, fazendo com que religião e religiosos verdadeiros, sejam poupados de piadas, comentários irônicos e jocosos.

É amigo... Infelizmente não é mais assim... Para a sorte deles. Deus mudou de tática. A mudança foi tamanha, que o Seu Filho (Jesus) passou por aqui há cerca de 2000 mil anos atrás fazendo apenas o bem, e mesmo não sendo um charlatão, terminou pendurado e humilhado em uma cruz. Parafraseando um provérbio americano: Deus salve o Brasil!