Flávio Azevedo
Com o objetivo de alcançar melhores salários, extinguir a violência nas áreas rurais, incluir as mulheres nos processos de reforma agrária e a realização de políticas sociais, que dêem as mulheres melhores condições de acesso aos direitos previdenciários, de moradia, entre outros, cerca de 50 mil mulheres de todo o Brasil, participaram da 3ª Marcha das Margaridas, que ocorreu em Brasília, no último dia 22 de agosto (quarta-feira). O evento que é organizado anualmente pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e Central Única dos Trabalhadores (CUT) mobilizou 27 Confederações e 4.000 mil sindicatos de todo País e até instituições internacionais. O Sindicato de Trabalhadores Rurais dos municípios de Rio Bonito e Itaboraí participaram do evento pela primeira vez, com cerca de 30 pessoas.
As caravanas chegaram ao Distrito Federal, na tarde do dia 21 (terça-feira), e ficaram concentradas no Parque Sara Kubitschek. Enquanto a programação do dia seguinte era organizada, os grupos participaram de debates sobre recursos naturais; mulher, política, poder e democracia; desenvolvimento com distribuição de renda e valorização do salário mínimo e do trabalho. No parque também funcionou a feira solidária das Margaridas. No período da noite, grupos regionais formados por mulheres animaram o encontro.
No dia seguinte, a Marcha das Margaridas partiu pela manhã em um cortejo de cerca de 3 km, o que o credenciou o evento como um dos maiores movimentos femininos de todos os tempos, porque percorreu nove quilômetros, até chegar à explanada dos ministérios e realizar um ato público em frete ao Congresso Nacional, onde foi lida uma carta da Marcha das Margaridas à sociedade.
A marcha foi recebida pelo presidente Lula e pela sua ministra da Secretaria Nacional de Políticas Públicas para Mulheres, Nicéia Freire, que informou a posição do governo para as 107 reivindicações apresentadas pela coordenação da marcha. Entre elas podemos destacar a integração de políticas públicas em combate à violência contra a trabalhadora no campo ao programa nacional, que receberá verbas de R$ 1 bilhão e a criação do Fórum Nacional de Enfrentamento da Violência contra as Trabalhadoras Rurais. Além disso, a secretária informou que será ampliado o Programa Federal de Promoção da Agricultura Familiar (Pronaf), destinado para as mulheres.
Durante o encerramento do evento, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, prometeu rever com os ministros da Previdência, Luiz Marinho, e do Trabalho, Carlos Lupi, uma portaria que autorize qualquer sindicato representante de agricultores familiares a emitir declaração de tempo de atividade rural para fins de aposentadoria. A reivindicação foi feita pelo presidente da Contag, Manuel José dos Santos, que ressaltou a importância de qualquer sindicato, por menor que seja, ter condições de solicitar a aposentadoria dos seus participantes, o que irá beneficiar aqueles que ainda não tem esse direito.
O presidente Lula aproveitou a ocasião para falar sobre o programa do biodiesel e garantir que a produção não irá privilegiar apenas os grandes produtores. De acordo com o presidente o biodiesel não pode ser como a cana-de-açúcar. Ele tem um selo social que é para cuidar e garantir ao pequeno agricultor, principalmente aqueles que moram nos Estados mais pobres, o direito de comercializar o seu produto a um preço justo.
O presidente do Sindicato de Rio Bonito, Edon Quintanilha, ressaltou a participação dos sindicatos no evento e aprovou a promessa do presidente Lula: “o presidente disse que as trabalhadoras rurais continuarão a se aposentar com 55 anos de idade, cinco anos a menos que a as trabalhadoras urbanas, além disso, a união dos sindicatos participando da Marcha também foi importante”, comentou.
História da marcha
A primeira edição da Marcha das Margaridas ocorreu em 2000 e reuniu 20 mil participantes. Na segunda, em 2003, o público dobrou, atingindo 40 mil pessoas. A mobilização das mulheres trabalhadoras rurais recebeu o nome de Marcha das Margaridas, para homenagear a primeira mulher líder sindical da Paraíba, Margarida Maria Alves. Ela foi presidente do Sindicato de Alagoa Grande, naquele Estado e foi uma das fundadoras do Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural. Além disso, durante os seus 12 anos de atuação sindical, ela moveu cerca de 600 ações trabalhistas contra os usineiros e fazendeiros da sua região. Essa presença sindical atuante custou a vida da sindicalista, que foi assassinada por pistoleiros, no dia 12 de agosto, de 1983, na frente de sua casa, diante do marido e dos dois filhos.