Guilherme Duarte

Oito meses após o assassinato do milionário Renné Senna, ganhador do prêmio de quase R$52 milhões no concurso 679 da Mega-Sena, a Juíza Renata Gil, da 2ª Vara Criminal de Rio Bonito, revelou que em no máximo duas semanas estará com a sentença de pronúncia pronta para ser proferida. Em entrevista exclusiva ao Jornal Folha da Terra, na tarde do último dia 30, ela informou que está apenas aguardando a manifestação final da defesa para concluir a sentença.

“Estamos na fase final do processo, já ouvimos todas as pessoas que tínhamos que ouvir e estamos apenas esperando as alegações finais da defesa para colocar um ponto final nesse crime. A sentença deverá estar pronta nas próximas semanas. Se forem condenados, eles podem pegar de 12 a 30 anos de prisão”, esclareceu Renata Gil, acrescentado que, provavelmente, o julgamento será aqui mesmo em Rio Bonito.

Os seis acusados – a viúva Adriana Almeida; o ex-PM Anderson Souza; sua mulher Janaína Silva; o motorista Edinei Gonçalves e os PMs Marco Antônio Vicente e Ronaldo Amaral – estão presos há cerca de 7 meses e deverão ir a Júri Popular ainda esse ano. No entanto, o Ministério Público enviou, no último dia 13 de agosto, um parecer a Juíza Renata Gil pronunciando apenas quatro dos seis indiciados. No documento, a promotora Thaísa Terra Meireles explica que não há provas suficientes que justifiquem o encaminhamento dos PMs Antônio Vicente e Ronald Amaral a Júri Popular. Mas cabe a Juíza concordar ou não com o parecer do MP.

Manobra da defesa

Na última terça-feira (4), o Tribunal de Justiça enviou o processo para o Ministério Público contendo um pedido de liberdade para o ex-PM Anderson Souza, além de uma solicitação de que mais uma testemunha de defesa seja ouvida. O promotor Guilherme Macabu Semeghini, que estava de férias e voltou ao trabalho no inicio do mês, acredita que essa solicitação seja mais uma manobra da defesa para desvirtuar o foco do processo. “A defesa já apresentou diversas testemunhas para tentar desvirtuar o foco do processo e essa pode ser mais uma tentativa. Não posso afirmar nada ainda, hoje (quinta-feira) vou analisar o pedido e tomar uma decisão”, informou o promotor.

Assim como a polícia, a promotoria acredita que Adriana e Janaína tenham sido as mentoras do crime e Anderson e Edinei seriam os executores do assassinato. No entendimento do MP, os policiais militares Marco Antônio Vicente e Ronaldo Amaral não teriam envolvimento no crime, que teria como motivação a herança de mais de R$ 40 milhões de Renné, que não tinha as duas pernas.

Relembre o caso

Na manhã do dia 7 de janeiro, Renné Senna foi morto com quatro tiros, em Lavras, enquanto conversava com amigos no Bar do Penco, local que freqüentava quase diariamente. Renné foi surpreendido por dois homens encapuzados que chegaram em uma motocicleta. Ele teria sido morto pelo carona, que de acordo com investigações seria o ex-PM Anderson Souza.

O crime, que chocou os moradores de Rio Bonito, teve repercussão nacional. Os principais veículos de comunicação do país noticiaram o assassinato do milionário, que até hoje não foi esclarecido. Várias versões surgiram para tentar esclarecer o caso. No começo, as principais suspeitas eram Adriana Almeida, a viúva, e Renata Senna, única filha de Renné. Até aparecer o motorista de Van Robson Andrade, que era amante de Adriana e havia passado o ano novo com a ex-cabeleireira. Robson deu informações importantíssimas, que, com o auxílio da quebra do sigilo telefônico e bancário da viúva, ajudaram a esclarecer o crime.