Flávio Azevedo

Com o objetivo de orientar a sociedade Riobonitense sobre o funcionamento do Conselho Tutelar, os conselheiros de Rio Bonito vêm periodicamente realizando palestras de caráter educativo nas escolas. O público alvo são as crianças e os adolescentes e os seus professores e pais ou responsáveis, para que tenham noção dos seus direitos e deveres. A presidente do Conselho Tutelar do município, Fernanda Farias, afirmou que uma das principais ferramentas de trabalho do órgão é a conscientização, pois a maioria das pessoas desconhece os seus direitos e deveres. “O Conselho é um órgão repressor para os pais que estão violando o direito das crianças, mas as pessoas precisam entender que o nosso intuito é colaborar com as famílias. Pouca gente sabe que a crianças têm direitos, mas também possuem deveres a cumprir”, pontua Fernanda.

Outra preocupação é com o aumento do número de ocorrências registradas em 2007. “Enquanto em 2006 a instituição registrou 295 atendimentos, esse ano, até a última terça-feira (25), 240 ocorrências já haviam sido anotadas”. Dados do Conselho Tutelar indicam que o maior índice de atendimentos em 2006 foi o de maus-tratos e negligência, com 77 ocorrências. Em seguida, foram registrados 58 casos de crianças e adolescentes sem o Registro de Nascimento; 40 casos de alunos com baixa freqüência escolar; 28 crianças com problema de comportamento e 27 em situação de risco. Além disso, o Conselho registrou 20 casos de violência sexual, 13 de espancamentos e 5 episódios de prostituição.

Ressaltando a união do colegiado de conselheiros, a presidente Fernanda Farias, disse que como acontece em todo grupo de pessoas, as desavenças acontecem, mas todos estão preocupados com o bom funcionamento do Conselho Tutelar. “Tento administrar o órgão de maneira que eu consiga agradar a todos os conselheiros e funcionários que estão lotados aqui, mas sem perder o respeito”, comentou.

“Os pais precisam observar os filhos”

Sem querer polemizar, Fernanda Farias disse que ao contrário do que as pessoas acreditam, o Conselho Tutelar não toma o filho dos pais, “nós apenas ajudamos a ordenar os ensinamentos que os responsáveis estão transmitindo”. No entanto, ela reconheceu que em alguns casos os responsáveis estão se omitindo e fugindo à responsabilidade de educar. “Não é correto generalizar, mas muitos pais, além de não exercerem uma vigilância eficaz sobre os seus filhos, não estão sabendo impor limites da maneira correta. Tentam fazer isso ameaçando. Não é assim que se adquire o respeito e o reconhecimento da criança”.

Questionada sobre o número de crianças e adolescentes usando bebidas alcoólicas e dirigindo carro e motocicletas, na cidade, Fernanda foi categórica: “esses são dois fatos que são muito sérios, porque tem feito vítimas. Penso que nesses casos os pais, além de negligentes e coniventes, estão colaborando para que essa criança ou adolescente tenha uma morte prematura”, disse a conselheira, argumentando que se alguém denunciar essa situação, o Conselho Tutelar atuará fazendo o pai assinar um termo de advertência. “Em caso de reincidência, o órgão representará os pais enviando um relatório e o termo assinado para a Promotoria de Justiça, que tomarão as medidas cabíveis”.

Notar mudanças no comportamento

Fernanda Farias destacou que uma das virtudes que os pais devem possuir é o “desconfiômetro”. Muitos acreditam nos filhos cegamente e não possuem o hábito de verificar a veracidade das estórias e desculpas. Nos casos de prostituição, segundo ela, os hábitos passam a apresentar claras diferenças.

– O adolescente abandona os estudos, passa a acordar tarde, almoça e sai de casa sem horário para voltar. Quando retorna, chega tarde da noite com roupas novas e objetos eletrônicos. Em muitos casos, os pais não se dão ao trabalho de perguntar como o adolescente está conseguindo esses presentes – disse.
Segundo Fernanda, os adolescentes que se envolvem com drogas também passam a se comportar de maneira peculiar. A conselheira reconheceu que em muitos casos as atividades diárias impedem que os pais notem a mudança de comportamento dos filhos, o que é interpretado pelo filho como um ato de abandono e desvalorização.

– Geralmente esse problema acontece com aquelas crianças e adolescentes que tem dificuldade no relacionamento com os pais, que não estão com um bom rendimento escolar, e o principal: passam a andar em companhias questionáveis. Embora hoje em dia os pais estejam extremamente envolvidos em prover o sustento do lar, essas obrigações não podem roubar o tempo para a família. Os filhos não podem acreditar que deixaram de ser importantes para os pais. Quando isso acontece os resultados são terríveis – concluiu.