Flávio Azevedo
Há cerca de um ano das eleições municipais de 2008, o clima político em Rio Bonito ficou mais quente na última semana, quando encerrou-se -- na última quarta-feira (3) -- o prazo para inscrição dos pré-candidatos, que pretendem disputar as eleições de prefeito e vereador. Além disso, colaborou para o clima de tensão, a expectativa pela decisão do Superior Tribunal Federal (STF), que na última quinta-feira (4), por 8x3, ratificou a decisão que já havia sido anunciada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidindo que o mandato pertence ao partido político e não ao parlamentar eleito. O STF ainda decidiu, que os parlamentares que trocaram de sigla partidária após 27 de março desse ano, poderão perder os seus mandatos caso o partido prejudicado ajuíze alguma ação na tentativa de rever o mandato.
A decisão do STF causou um corre-corre entre os grupos políticos da cidade, porque dos 10 vereadores Riobonitenses, metade mudou de partido nos últimos dias. O PMDB recebeu Reis, Caneco, Humberto, Marcus Botelho e Marcos Braga. Já o vereador Maninho trocou o PMDB pelo Democratas (DEM). Os demais, Rita de Cássia (PP), Jorge Brandão (PMDB), Abraão Nicolau (PP) e Aissar Elias (PR), continuaram nos partidos pelos quais foram eleitos. As manobras dos eleitos na tentativa de salvar o mandato e as ações dos suplentes que estão na expectativa de assumir o lugar dos que não foram fiéis ao partido pelo qual foram eleitos, devem ter desdobramentos significativos nos próximos dias.
Ontem, o secretário do PSDB Adilson Lessa confirmou que além da possibilidade dos vereadores Humberto e Marcos Braga perderem o mandato, os suplentes imediatos também não assumiriam porque também mudaram de partido. São eles: Luiz da Luz, Emanuel Meireles, Zé da Padaria e Patrícia Estrela. Assumiriam as duas vagas, o quinto suplente Ânderson Tinoco, que recebeu 170 votos em 2004 e Maurício Português, que com 112 votos ficou com a sexta suplência. Lessa ainda revelou, que o presidente do PSDB Moisés Gerval, está sendo procurado pelos dissidentes durante todo o dia para cancelar a saída do partido, já que as fichas de desfiliação poderão ser encaminhadas para ao Cartório Eleitoral até a próxima segunda-feira (8).
As especulações sobre as prováveis composições e coligações partidárias entre os pré-candidatos que disputarão as eleições para prefeito e vereador do próximo ano, vêm chamando a atenção dos Riobonitenses. Além disso, vários partidos estão contando com os mesmos nomes. De acordo com o presidente do diretório municipal do Democratas, Ronen Antunes, “as especulações incomodam e atrapalham as negociações”.
Especulações sobre o Executivo
Com a confirmação – feita pelo presidente do PT do B Luiz Henrique Valente, o Pingo – da pré-candidatura da dobradinha formada pelo deputado estadual Marcos Abrahão e o médico Emanuel Meireles, a grande expectativa fica por conta de quem irá compor a chapa com o atual chefe do Executivo José Luiz Mandiocão e com o vereador Reginaldo Ferreira Dutra, o Reis. Os dois políticos estão disputando o apoio do atual vice-prefeito Aires Abdalla a peso de ouro, segundo se comenta na cidade. Fontes ligadas aos dois grupos afirmam que, apesar de estar com a saúde debilitada, o “Turco” ainda seria o melhor nome da cidade para se fazer uma composição.
Algumas correntes afirmam que José Luiz também pode compor com o médico Anselmo Ximenes, ex-vice-prefeito. Já o vereador Reis também poderia ter como vice, a deputada federal Solange Almeida. Fontes ligadas ao grupo de Solange confirmam que ela não precisaria abrir mão do mandato de deputada. Aliás, em caso de vitória, ela poderia renunciar ao cargo de vice e retornaria para Brasília. Caso isso aconteça, a legislação diz que o Presidente da Câmara deve ocupar o cargo. De olho nessa possibilidade, alguns vereadores já estariam negociando a presidência do Legislativo um ano antes das eleições. Mas parece que outros nomes ainda correm por fora para compor com José Luiz. Dois deles seriam do próprio grupo do prefeito: os secretários Saulo Borges (Esporte) e Ronen Antunes (Obras). Outra possibilidade seria a permanência de Abdalla na chapa de José Luiz.
O eterno candidato José de Aguiar Borges, o Kaki, atualmente no PC do B, disse esta semana, que será candidato a prefeito em uma frente de esquerda, com seis partidos. Sobre quais seriam os partidos e os vereadores que estariam nessa composição, Kaki preferiu não revelar as siglas e os nomes.
A disputa para a Câmara
O PMDB, que atualmente está sendo presidido pela deputada federal Solange Almeida, disputará as eleições com metade dos vereadores eleitos, e ex-vereadores como Obede e Luiz da Luz. Fontes ligadas ao partido da deputada, afirmam que ela já teria fechado com Aires Abdalla, o que naturalmente significa uma aliança do partido com o PSC.
Alguns grupos estariam exigindo que os partidos não tenham candidatos com mandato. Isso ocorreu com a dupla PTN e PNN. O primeiro está confiante e vem para disputa com três ex-vereadores: Luiz da Luz, Nélio Pedreiro e Zé da padaria, além dos novatos Paulinho Cavalinho e Rosaldo Machado, entre outros. Já o segundo, apresenta nomes como Fernando Soares (INSS), Claudinho do Bumbum, do conselheiro tutelar Alessandro Silva e do ex-Presidente da Câmara de Vereadores Zezinho do Radiador. O caso de Zezinho pode gerar um impasse, porque o presidente do PTB Saulo Borges também confirmou que o ex-vereador assinou com o seu partido. Estreante na política, Claudinho do Bumbum falou sobre a sua expectativa: “candidatos e eleitores estão mais conscientes sobre problemas como a compra de voto. Penso que nessa política isso será diferente”, pontuou.
Como os vereadores Humberto Belgues e Marcos Braga saíram para o PMDB, “o PSDB foi esvaziado e praticamente não existe mais no município”, disse o secretário tucano Adilson Lessa, que criticou a troca e classificou como conspiratória a saída em massa dos integrantes do partido. Apesar disso, Lessa reconheceu que essa é uma tendência nacional. Questionado sobre o assunto na seção de quinta-feira (4), da Câmara de Vereadores, Belgues se defendeu: “eu me desliguei do PSDB a pedido do próprio Lessa. Ele me procurou se queixando que não estava conseguindo nomes para o partido com a presença dos vereadores que tinham mandato”, disse.
O PDT, da presidente Nilza Belgues, está coligado com as siglas PHS e PT. O partido concorrerá com nomes que já foram destaque na política local, como os ex-vereadores Marcos da Emater (atual Secretário Municipal de Agricultura), Tiãozinho e Papinha (que, no entanto, afirmou estar no PMDB). Além desses, disputarão as eleições pelo PDT, o comerciante Norival Melo e o professor David Salvador, que se desligou do PSOL. O PHS disputará com nomes como o dos advogados Ingston Mota e Rosicleto Pimentel. Na mesma chapa estão o empresário Bibinho e João Freitas, que pode surpreender com os cerca de 5 mil idosos que ele auxilia no seu grupo de terceira idade. No PT, Adílio Alves e Maria Luisa Loureiro, do Hospital Colônia são os nomes de destaque do partido. Essa coligação pode dar apoio integral ao pré-candidato a prefeito do PMDB Reis.
As siglas PTB, PV e PRB, estariam sendo coordenadas pelo ex-vereador Branco. O PTB vem para as eleições com nomes como o do secretário Saulo Borges, do ex-vereador Piaba, Wilsinho Belgues, Guimarães, Bonifácio e do presidente da Associação dos Moradores de Boa Esperança Jair. No PV, o presidente Branco, que não é candidato, conta com os nomes de Serjão da Guarda Municipal, Suerinho e Jefinho da Lan House. Fechando a coligação, o PRB traz o nome de Juarez do Alho.
O Democratas, partido do prefeito José Luiz, vem para a disputa com os nomes de Matheus Neto, Marquinho da Obra e Damião do Basílio, entre outros. Já no PP, a disputa fica por conta dos vereadores Maninho e Rita de Cássia, da ex-secretária de Bem Estar Social Marlene e do ex-vereador Aliézio Mendonça. Um dos coordenadores da campanha do prefeito José Luiz, Ronen Antunes comentou que “a nossa idéia é mesclar experiência com renovação”. Antunes revelou ainda que quando esteve reunido com o prefeito César Maia, ele confirmou a aliança do DEM com o PMDB, mas apenas na esfera estadual, e para os municípios que não estejam concorrendo a reeleição.
O deputado Marcos Abrahão deve concorrer com o apoio de quatro partidos: PSL, PT do B, PRTB e PAN. Luiz Henrique Valente, o Pingo, confirmou a idéia do deputado em renovar o quadro político de Rio Bonito. A coligação contém nomes como o do construtor Oséias Miranda, o empresário Wilson Móveis e do diácono Paulo César Rosa. Pingo também destacou que pré-candidatos como Fernando Soares, Nélio Pedreiro, Neném de Boa Esperança, Claudinho do Bumbum, entre outros podem dar apoio a Marcos Abrahão. Pingo declarou que o candidato do governo do Estado em Rio Bonito é Marcos Abrahão. De acordo com ele, ainda falta um ano para as eleições e o PMDB ainda pode ter que dar apoio a Abrahão na cidade. “Eu já falei com Reis que ele será candidato a vereador mais uma vez, e ele não quer acreditar”, provocou Pingo.
As coligações ainda estão sendo alinhavadas e os presidentes e coordenadores de campanha correm contra o tempo para organizar os seus partidos. O chefe do Cartório Eleitoral de Rio Bonito José de Tárcio Teixeira, revelou uma curiosidade: “até abril existiam 10 partidos na cidade, mas com a proximidade das eleições, outros 10 partidos surgiram no município”, disse Teixeira, que também comentou o que é feito nos casos de dupla filiação.
– Quando o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), descobre que o candidato está com dupla filiação, é formado um procedimento administrativo, e o filiado é intimado para tomar ciência do fato e se defender. A partir daí, o caso é com a Justiça Eleitoral – concluiu.