Adriana Ferreira Almeida, viúva de Renê Senna, ganhador da Mega-Sena assassinado em janeiro deste ano, e mais cinco acusados pelo crime, serão levados a júri popular, de acordo com o TJ (Tribunal de Justiça) do Rio. A data ainda não foi divulgada.

A sentença foi divulgada nesta terça-feira pela juíza Renata Gil de Alcântara Vieira, que decidiu manter os réus presos até o seu julgamento. O processo corre na 2ª Vara da Comarca de Rio Bonito, interior do Rio, onde o crime ocorreu.

Senna foi morto com quatro tiros na cabeça no dia 7 de janeiro deste ano em um bar. Almeida é apontada como a mandante do crime. Segundo o TJ, ela teria se aliado a uma amiga e a quatro ex-seguranças do milionário: o cabo da Polícia Militar Marco Antônio Vicente, o sargento Ronaldo Amaral de Oliveira, conhecido o China; o funcionário público Ednei Gonçalves Pereira; a professora de educação física Janaína Silva de Oliveira e o marido dela, o ex-PM Anderson Silva de Sousa. Este último teria exercido a função de chefe da segurança do milionário e, segundo as investigações, teria sido o autor dos disparos junto com o funcionário público.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime foi cometido por motivo torpe, pois a viúva pretendia se beneficiar de um testamento preparado por Senna. O homicídio foi praticado mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, pois o milionário foi surpreendido quando tomava cerveja em bar. À vítima, segundo a denúncia, não foi dada a possibilidade de fuga, já que Senna não tinha as duas pernas, amputadas por complicações causadas pelo diabetes.

Para a juíza, as provas produzidas durante o processo, como o depoimento das testemunhas, as interceptações telefônicas e as contradições dos acusados, são indícios suficientes da participação de todos réus no crime, sendo que o ex-PM e o funcionário público também serão julgados por roubo.

As interceptações telefônicas apontam o encontro pessoal da viúva com o ex-PM e a professora no dia 6 de janeiro, horas antes do assassinato. Segundo o TJ, a prova desmente a versão apresentada pela viúva de que não teria mantido contato com o casal após o rapaz ter sido desligado da segurança de Senna.

Contra a viúva, de acordo com o TJ, ainda pesam atitudes como ter abandonado a fazenda onde vivia com o milionário dois dias antes do crime, em razão de uma briga com Senna; a transferência de valores da conta conjunta do casal para uma conta pessoal logo após o crime e a contratação de um advogado criminalista para sua defesa horas depois do homicídio.

Fonte: Folha Online