Guilherme Duarte
A ex-cabeleireira Adriana Ferreira Almeida, de 30 anos, e mais cinco acusados de terem participado do assassinato do milionário Renné Sena, ganhador do prêmio de R$ 51,8 milhões da Mega-Sena em 2005, serão levados a júri popular. A sentença de pronúncia foi divulgada na última terça-feira (16) pela juíza Renata Gil de Alcântara Videira. A magistrada determinou também que todos os réus permaneçam presos até o julgamento, que só poderá ser marcado após o cumprimento do prazo dado para os advogados de defesa entrarem com recursos. Alguns deles anunciaram que vão apresentar à Justiça argumentos para anular a decisão.
Adriana foi apontada pela polícia como a mandante do crime. Ela teria se aliado a uma amiga - a professora de Educação Física Janaína Silva Oliveira - e quatro ex-seguranças do milionário: o cabo da Polícia Militar Marco Antônio Vicente, o sargento da corporação Ronaldo Amaral de Oliveira, o “China”; o motorista Ednei Gonçalves Pereira e o ex-PM Anderson Silva de Sousa, marido de Janaína. Anderson exerceu a função de chefe da segurança do milionário e, segundo a polícia, teria sido o autor dos disparos. Ednei foi acusado de pilotar a moto usada no crime.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime foi cometido por motivo torpe, pois Adriana pretendia se beneficiar de um testamento preparado por Renné, que excluía seus 11 irmãos e dividia a fortuna entre ela e a filha do milionário. O MP alega ainda que a vítima não teve chance de defesa. Renné foi surpreendido quando tomava cerveja num bar a poucos quilômetros de sua fazenda. Diabético, ele tinha as duas pernas amputadas.
Em suas alegações finais, o MP chegou a requerer que os ex-seguranças Ronaldo Amaral de Oliveira e Marco Antonio Vicente ficassem de fora do júri popular. Porém, para a juíza, as provas produzidas durante o processo, como o depoimento das testemunhas, interceptações telefônicas e contradições dos acusados, são indícios suficientes da participação de todos réus no crime.
Segundo a nota oficial do Tribunal de Justiça, as interceptações telefônicas apontam o encontro pessoal de Adriana com Anderson de Sousa e Janaína no dia 6 de janeiro, horas antes do assassinato. A prova desmente a versão apresentada pela viúva de que não teria mantido contato com o casal após Anderson ter sido desligado da segurança de Renné.
Pesam ainda contra Adriana algumas atitudes, como ter abandonado a fazenda onde vivia com o milionário dois dias antes do crime, em razão de forte briga com René; a transferência de valores da conta conjunta do casal para uma conta pessoal logo após o assassinato e a contratação de um advogado criminalista para sua defesa horas depois do homicídio.
Advogado da viúva reclama de decisão
O advogado Adelson Rodrigues, que representa a viúva Adriana Almeida, se mostrou indignado com a decisão judicial de levar os seis acusados no assassinato do milionário da Mega-Sena a júri popular e avisou que vai recorrer junto ao Tribunal de Justiça para anular o júri. “A decisão da juíza é trôpega, estapafúrdia e descabelada. Não faz sentido. Está na contramão do que foi apurado. Está claro que ninguém reconheceu ninguém. As duas testemunhas que viram o crime disseram ser impossível fazer um retrato falado dos matadores. E ninguém afirmou que a Adriana é a mandante do crime. Como minha cliente iria mandar matar alguém se era rica e dona de imóveis e uma fortuna?”, questionou o advogado.
Já Marcus Rangoni, advogado da filha da vítima, Renata Senna, declarou que sua cliente ficou muito feliz com a decisão judicial. “Esperamos que os seis envolvidos sejam condenados pelo júri popular. A Renata sempre demonstrou muita confiança na Justiça e está feliz”, contou ele.