
Seria a África o berço da humanidade?
Na última terça-feira (20) foi comemorado o Dia da Consciência Negra. Enquanto a grande mídia aborda temas clichês, que nas entrelinhas incentivam a discriminação, neste artigo abordarei um outro ponto, que atraiu minha atenção. Trata-se de um tema que está sendo ignorado intencionalmente pela elite mundial, mas é um debate que está se encorpando nos grandes centros de pesquisa do país, sobretudo na Universidade de Brasília (UnB), que além de ser um excelente centro de pesquisa sobre o tema, é pioneira no estudo da africanidade.
O tema em questão muda significativamente a história da origem da humanidade, pois de acordo com a doutora em psicologia Elisa Larkin Nascimento, em seu livro Introdução à história da África, o continente africano é o verdadeiro berço da humanidade e da civilização. Juntamente com ela, outros pesquisadores concordam que o processo evolutivo humano teve seu início na África. A complexidade do assunto está no fato de até hoje a história nos apresentar a Ásia como o berço da civilização.
Nunca é demais lembrar, que o pensamento tradicional está baseado sob víeis teológico, pois segundo a Bíblia, o homem foi criado por Deus e colocado no Jardim do Éden. Desse jardim saíam quatro rios: Tigre, Eufrates, Gion e Pison, que além de nascerem em uma região montanhosa da Armênia, cortam uma estreita faixa de terra situada na Ásia Ocidental, denominada Mesopotâmia, que no grego significa “entre rios”. Como esses rios nascem em uma região montanhosa da Armênia e cortam países como Irã e Iraque, e deságuam no Golfo Pérsico, a ciência e a religião, que geralmente estão em lados opostos, nesse aspecto dão as mãos, e concordam com essa localização.
No entanto, a idéia de que a África é o berço da humanidade e do desenvolvimento civilizatório está crescendo silenciosamente. Embora ainda encontre resistência para apoiar essa idéia, os pesquisadores têm citado que importantes avanços na manufatura de ferramentas, como o machado, se originaram na África, e foram espalhados pelo mundo quando os homens começaram a migrar pela Eurásia (a massa continental que forma a Europa e a Ásia, separados apenas pela cordilheira dos Montes Urais. Países como a Rússia e a Turquia estão nos dois continentes).
Especialistas e pesquisadores do assunto acreditam que ao sair do continente africano, esses homens primitivos deram início a um processo de intercâmbio genético enquanto se reproduziam. Esse processo resultou no aparecimento de populações com novas características, como a pele branca do europeu, os olhos puxados do asiático etc. Conclui-se, portanto, que os seres humanos evoluíram a partir da África.
Esses pesquisadores defendem que ao contrário do que se imagina, a África tem sido, em todos os aspectos, palco dos maiores avanços da história. No entanto, a discriminação começou quando se acreditou que o continente não tem história devido a cor da pele de seus moradores. Esses mesmos pesquisadores afirmam que povos africanos navegavam os mares, milênios antes das caravelas portuguesas e espanholas chegarem na América. Já um outro grupo, através de pesquisas genéticas, estão provando que o homem verdadeiramente tem sua origem na África. Além disso, outros pensadores têm afirmado que o fato da espécie humana nos livros didáticos, estar sempre retratada por um homem branco, estimulou a idéia discriminatória de hierarquia entre as “raças”.
Outro pensamento interessante, é que essas idéias discriminatórias destituíram o africano de sua condição humana, pois passaram a ser tratados como “selvagens” e “primitivos”. Uma última e igualmente importante afirmativa da sociedade científica, é o reconhecimento que essa discriminação dos africanos contribuiu para dizer que os negros são seres sub-humanos e irremediavelmente inferiores. Aliás, Portugal e a igreja católica utilizaram esse subterfúgio para defender a escravidão. Eles acalmavam a consciência dos fiéis e incentivavam o escravismo, dizendo que os negros não possuíam alma, por isso poderiam ser escravizados.