Há pouco tempo, eles vasculhavam a mata em busca de árvores para transformar em carvão.
“Primeiro a gente trabalhava com medo, pois o pessoal vivia vigiando a gente”, diz um ex-cavoeiro.
Hoje, eles continuam em busca de árvores, mas delas só levam sementes com autorização do Ibama.
“O pessoal faz a coleta duas a três vezes por mês, para depois selecionar os tipos de semente e fazer o plantio”, explica o biólogo Olício Ferreira.
As sementes são levadas para um viveiro e plantada uma a uma para virar mudas. Seis ex-carvoeiros de Rio Bonito fazem o serviço. Eles trabalham para a prefeitura. O projeto é uma parceria do município com o WWF, uma ONG que busca proteger o meio ambiente.
“Os infratores dos outros municípios vão comprar as mudas nos nossos ex-cavoeiros, hoje reflorestadores da região”, explica a secretária de Meio Ambiente, Carmem Motta.
O reflorestamento acontece nas margens do Rio Bacaxá. Dele, saem 80% das águas que abastecem os moradores de Rio Bonito. Além disso, o rio é o segundo em volume de água na Bacia do Rio São João. O Bacaxá é um rio ameaçado: parte das margens está assoreada. A erosão põe em risco o volume de água. Situação que deve mudar com o reflorestamento.
“A mata ciliar é que protege o rio. Em poucos anos, com o desenvolvimento das mudas, existe a possibilidade do aumento da quantidade de água do rio e o aumento da qualidade, pois as raízes já influenciam e aumentam a infiltração da água no solo”, explica uma especialista.
Fonte: http://rjtv.globo.com/