Guilherme Duarte

Um dia depois de a juíza Cristiana Aparecida de Souza Santos, da 1ª Vara de Rio Bonito, ter nomeado a ex-balconista Renata Almeida Senna, filha única do milionário Renné Senna, como inventariante dos bens do pai, a defesa da viúva Adriana Almeida entrou com uma ação na Justiça para tentar anular a decisão. Uma das primeiras decisões de Renata foi tirar a família da viúva Adriana Almeida da fazenda onde o pai morava.
“Não é picuinha, é legalidade. Eles não podem estar lá e não merecem. A propriedade não é definitivamente de Adriana. E, apesar disso, ela sim poderia morar lá. Imagina se os parentes da Renata também resolvessem se mudar para lá?”, questiona o advogado de Renata, Marcus Rangoni.

Segundo ele, por esse mesmo motivo, a filha de Renné só vai ocupar qualquer imóvel que pertenceu ao pai ao final do processo. Enquanto isso, Renata segue hospedada num dos bens de seu advogado na Região dos Lagos. Com a decisão de desvincular a família de Adriana do patrimônio do pai, o atual administrador da Fazenda Nossa Senhora da Conceição, em Lavras, Rio Bonito, que é cunhado da viúva, será demitido.
Na última quarta-feira (9), a jovem herdeira esteve no Fórum da cidade para tomar conhecimento do processo do inventário. Ela, no entanto, ainda não havia assumido o cargo porque a decisão só começa a valer a partir da sua publicação no Diário Oficial do Poder Judiciário. Ainda de acordo com a decisão da juíza, os valores somente serão liberados mediante a apresentação de todos os documentos comprobatórios. Assim, a herdeira natural do milionário obteve a primeira vitória sobre a viúva, que continua presa, acusada de ser a mandante do crime.

Em contrapartida, Adelson Rodrigues, advogado de Adriana, alegou que, no último testamento feito por Renné, o mesmo havia deixado 50% da Fazenda Nossa Senhora da Conceição para Adriana e ainda a metade que pertencia a ele, ou seja, todo o imóvel. “A propriedade não poderia fazer parte da herança porque pertence à minha cliente. A inventariante nomeada não pode administrar um bem que não está no espólio. Há entre elas intriga. Isto está claro nos depoimentos prestados à polícia. A Renata não agirá de forma imparcial na administração”, afirmou o advogado

O advogado entrou também com uma ação pedindo o desbloqueio de duas contas bancárias particulares de Adriana e de negação de paternidade. “O adequado seria reter somente o dinheiro que pertencia ao casal ou somente ao Renné, mas as contas dela não têm propósito. Minha cliente tem três filhos que estão passando por dificuldades financeiras. Eles estão em período escolar e falta recurso para, inclusive, comprar material escolar. A família dela está sobrevivendo apenas com doações de cestas básicas. Há também o fato da desconfiança de que Renata não seria filha dele”, argumentou a defesa

Dividas podem chegar a R$ 70 mil

Com os bens congelados durante o processo criminal, os imóveis do ex-lavrador estão com dívidas acumuladas de condomínio, luz, vacinação de gados e pagamentos de funcionários. “A idéia é colocar a casa em ordem, efetuar todos os pagamentos a quem é devido, colocar todos os assuntos pendentes em dia”, diz Rangoni, que estima que a dívida chegue a R$ 70 mil.

Renné Senna foi morto com quatro tiros na cabeça no dia 7 de janeiro do ano passado num bar no distrito de Lavras, em Rio Bonito, bem perto da fazenda onde morava com Adriana Almeida. Segundo a polícia, Renné ameaçou deserdar Adriana ao saber que estava sendo traído pela mulher.