Flávio Azevedo

Conduzidos por policiais da Delegacia de Homicídios (DH), do Rio de Janeiro, os três acusados de envolvimento no atentado sofrido pelo prefeito José Luiz Alves Antunes, no dia 1º de agosto de 2006, estiveram na 2ª Vara Criminal de Rio Bonito, na última quarta-feira (17), para participar de uma audiência de acusação. Daniel Pinto Júnior, Alex Rodrigues de Souza (o Kiko, que confessou ter feito os disparos contra o prefeito) e Carlos José Fraga, o Lagartinho, que teria contratado os pistoleiros, chegaram ao Fórum por volta das 13h, em uma viatura da DH e escoltados por quatro policiais, para acompanhar, junto com seus advogados, os depoimentos das testemunhas de acusação, já que, de acordo com a Lei, o acusado precisa tomar ciência pessoalmente do conteúdo da acusação. A pedido de seis testemunhas, os depoimentos foram tomados pela juíza Roberta dos Santos Braga Costa, na sala de audiências, apenas com a presença dos advogados dos acusados, que aguardaram na sala do Tribunal do Júri.

O prefeito José Luiz Antunes e as seis testemunhas de acusação, que estavam na pensão no momento do atentado fizeram o reconhecimento dos atiradores, mas José Luiz foi o único que fez questão de ficar frente a frente com os criminosos, pela segunda vez. O prefeito já havia feito um reconhecimento na DH, dias depois dos três elementos terem sido presos no município de Cachoeiras de Macacu, no dia 5 de outubro. Perguntado sobre a reação dos acusados quando estavam diante dele, o prefeito disse apenas que os bandidos “fizeram uma cara de quem está devendo”.

Os acusados estão incursos no artigo 121 (homicídio), parágrafos 2º (Homicídio qualificado), inciso I (mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe) e IV (à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido), do Código Penal Brasileiro. Eles podem pegar de 6 a 20 anos de reclusão para cada crime cometido. A juíza Roberta dos Santos Braga Costa, depois de encerrada a audiência disse que não poderia fazer nenhuma declaração, porque o caso corre em segredo de Justiça.

Preocupação ao depor

As testemunhas, em sua maioria pessoas simples que não estão habituadas a esse tipo de situação demonstraram preocupação durante o depoimento. Uma delas queixou-se do estresse e da apreensão que tem enfrentado desde que aconteceu o atentado. Aparentando tranqüilidade e com poucas palavras, o prefeito José Luiz revelou que é preocupante saber que o mandante do crime ainda não foi identificado pela polícia, mas demonstrou otimismo quanto a solução do caso. “Até tudo acabar a preocupação existe, mas nós chegaremos aos autores. Vamos esperar com paciência, aguardar e cuidar da parte preventiva”, disse o prefeito, se referindo a sua segurança pessoal.

Enquanto as testemunhas e o prefeito José Luiz Antunes davam seus depoimentos, os bandidos aguardavam na sala do Tribunal do Júri, no mesmo prédio, escoltados por policiais da DH e policiais militares de Rio Bonito. Por volta das 19h, quando nem as testemunhas nem o prefeito estavam mais no Fórum, os três acusados, um a um e algemados foram escoltados pelos policiais até viatura da DH, que aguardava no pátio interno, de onde foram levados de volta para a Polinter de São Gonçalo. Ao entrar na viatura, Lagartinho, o único que demonstrava nervosismo, escondeu o rosto com as mãos para não ser fotografado pela imprensa. O atendimento no Fórum da cidade foi normal, e pouca gente sabia que os acusados estariam presentes para tomar ciência dos depoimentos, que foram acompanhados também pela promotora Cláudia Sobrino Porto Virgolino.

Relembre o caso

José Luiz foi atingido por dois tiros no dia 1º de agosto de 2006, enquanto almoçava com uma secretária e um amigo na Pensão Das Irmãs, local que costumava freqüentar quase diariamente, na Praça Cruzeiro. Mandiocão foi surpreendido, por volta das 13h30, por dois homens – um deles armado com um revólver calibre 38. Testemunhas que também estavam almoçando no local contaram que os tiros foram disparados a menos de um metro de distância da vítima, que estava de cabeça, almoçando, no momento dos disparos. O prefeito foi atingido no ombro e no abdômen. Após os disparos, os bandidos fugiram em direção a BR-101.