
SOGRA PITBULL?
“Minha Sogra é um Pitbull” – comédia com texto, direção e atuação de Cláudio Ramos – esteve em cartaz na Associação Médica Fluminense/Unimed, em Niterói, nos dias 9, 10, 16 e 17 de janeiro, com a presença de um público expressivo. No palco em companhia da atriz Lyvia Rodrigues, Cláudio conseguiu, com seu talento múltiplo, arrancar gargalhadas da platéia com as situações expostas. Ele interpreta, simultaneamente, Valdemar (marido de Amélia, personagem de Lyvia Rodrigues) e sua sogra, dona Perpétua. O maior conflito entre eles é que a senhora reclama aos extremos do genro, alegando o tempo todo que o tal não serve para a filha. Valdemar, que também não tem papas na língua, discute claramente com dona Perpétua e a considera um “pitbull”. Como toda sogra sempre se mete um pouquinho na vida do casal, a personagem é o exemplo típico da sogra “pentelha” que não deixa a família respirar... Ou melhor, quem não pode respirar é o genro – seu maior problema. No fundo, dona Perpétua tinha mesmo superproteção pela filha porque, no fim do espetáculo, Valdemar falece, Amélia casa novamente e a mãe continua com a perseguição. Ela precisava mesmo de um divã para pensar mais em si e dá um descanso para a vida afetiva de sua filha.
A peça é envolvida por hits musicais sucessos nos anos 80, como “Beat Acelerado”, da banda Metrô, e “Ligeiramente Grávida”, do grupo Espírito da Coisa. O tom musical embala a trama num pique que deixa o público antenado o tempo todo. E, por falar nisso, interatividade é o que não falta na atuação. Cláudio e Lyvia conversam com o público, descem do palco, incluem espectadores na história, os considera culpados, os elogia, os coloca em “saias justas” e isso deixa o espetáculo mais próximo, mais participativo. Tal estratégia prende a atenção das pessoas, que demonstram sensação de pesar com a conclusão da peça.
Claro que nem toda sogra é assim. Ou é? Sei lá. Depende de tanta coisa: do genro, principalmente, se for uma boa peça e não ter fama de “pegador”, como Valdemar. Se ele for assim, coitado! Viverá constantemente no Calvário, cravado pela sogra.
De qualquer forma, “Minha Sogra é um Pitbull” se trata de uma homenagem às sogras, às mães, enfim, às mulheres que se dedicam à família e fazem dela uma missão até o fim da jornada, zelando como uma galinha ampara seus pintinhos. Ao Cláudio Ramos e toda sua equipe... Quanto bom gosto! Resta-me gritar... Bravo!
Para quem perdeu o espetáculo, ainda tem a oportunidade de assistí-lo do dia 26 ao dia 29 de janeiro no Teatro Municipal de Cabo Frio. Não dá para se arrepender.