No ano passado, a Comissão Eleitoral da Malhação do Judas, da cidade de Crato, no Ceará, elejeu como Judas a Adriana Almeida, acusada de assassinar o ganhador da mega-sena Rennê Senna, crime ocorrido em janeiro de 2007, em Rio Bonito.
A tradição da Malhação de Judas se repete no Crato. No Cariri, a participação dos grupos de tradição popular nos festejos acompanha um verdadeiro espetáculo. É programação para a 8ª Festa Popular da Malhação do Judas.
Popular ao pé da palavra. A eleição para escolha do Judas do ano é feita de forma aberta à participação da sociedade. A coordenação das atividades é do professor Cacá Araújo, presidente da Fundação do Folclore Mestre Elói. Em várias localidades do município serão espalhadas urnas.
A Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato, Fundação do Folclore Mestre Eloi e Sociedade Cariri das Artes realizarão a Festa Popular, com culminância no dia 22 de março. No dia 9 de março será a apuração dos votos e proclamação do eleito pela Comissão Especial do Judas 2008. O testamento de Judas, em versos, será elaborado de 10 a 20 de março, além da confecção do boneco gigante. A montagem acontece no Sítio Quinta.
O cortejo terá o acompanhamento dos Caretas do Distrito da Bela Vista e vários grupos de tradição popular, a exemplo da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto. Às 17 horas, será a chegada ao Sítio do Judas, montado no Largo da Rffsa, onde o traidor permanecerá até a hora de seu julgamento e malhação, sob a vigilância dos Caretas. Às 19 horas, encenação com balé aéreo no tecido “O Cão e a Serpente no gogó do condenado”, com o Circo-Escola Alegria e, em seguida, leitura do Testamento em versos. A Malhação do Judas terá show pirotécnico e artistas circenses com perna-de-pau e malabares de fogo. A festa continua com shows de bandas de forró e será encerrada às 23 horas.
Cacá Araújo explica que, praticamente, todas as grandes manifestações profanas ou religiosas existentes na humanidade foram herdadas dos primitivos cultos agrários surgidos antes de Cristo. “A Malhação do Judas é um espetáculo de grande beleza e significação que revive a festa pagã das Capitales Romanas”, explica.
No Crato, a festa existe desde o início do processo de colonização do Cariri, e, como em outros pontos do Nordeste, o Judas costuma deixar, em versos populares, o seu testamento, passando sua herança para pessoas da comunidade.
É tradição aproveitar a ocasião para retratar personalidades políticas ou pessoas que tenham cometido gestos condenados pela sociedade. É, desse modo, uma forma de fazer protesto popular.
A Malhação do Judas, segundo Câmara Cascudo, é uma manifestação tradicional que se insere no contexto cultural como um ritual de extrema significação e complexidade, simbolizando a expressão do mal e liberando o homem para fazer os destinos comunitários, da qual ressalta-se, também, o aspecto dionisíaco, a folia, a festa.
Mais informações:
Fundação do Folclore Mestre Elói
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Prefeitura do Crato
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