Guilherme Duarte
Um caminhão carregado de solvente, roving (fio plástico) e parafina tombou no Km 256 da BR-101, na altura da Mangueira, em Rio Bonito, no início da tarde da última terça-feira (25) e causou a morte de Camila Machado Evangelho, de 17 anos. Segundo informações de testemunhas que presenciaram o acidente, Camila e uma amiga, identificada como Gabriela Dias da Silva Duarte, de 18 anos, caminhavam pelo acostamento da rodovia em direção a um ponto de ônibus, quando foram atingidas pela carga do caminhão, placa NEF 0150 – Vitória/Espírito Santo, dirigido por Fernando Estevão Freire Henrique, 44 anos.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal o acidente teria sido causado após uma tentativa de ultrapassagem do motorista do caminhão, que ao ver que não conseguiria completá-la perdeu a direção do veículo e derrapou na pista. Camila morreu na hora. Gabriela foi levada ao Hospital Regional Darcy Vargas com fraturas em ambas as pernas e ainda permanece internada, sem previsão de alta. Fernando foi transferido de ambulância para o Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP) de Niterói com suspeita de fratura na perna.
A carga considerada tóxica, usada na fabricação de tinta, vazou e causou preocupação dos moradores locais, já que a menos de 100 metros do local do acidente passa o rio da Posse, que deságua no Rio Bacaxá, onde é captada parte da água que abastece a cidade. Um técnico da Feema foi deslocado até o local para avaliar a situação. “Nossa preocupação é com a contaminação da água do rio que passa aqui perto. A chuva que estava caindo acelerou o escoamento do solvente. Mas por outro lado isso é bom, pois o produto que está vazando é altamente inflamável e se estivesse muito quente poderia causar uma explosão”, disse o técnico Almeida, da Feema.
O comandante do Corpo de Bombeiros de Rio Bonito, o tenente Gabardo, explicou que foi preciso solicitar o auxilio do Grupamento de Operações de Produtos Especiais (GOPP) para que a carga fosse totalmente recolhida e não existisse mais risco de contaminação. “Como o material que vazou poderia contaminar o solo e água foi preciso a presença do GOPP. Primeiramente fizemos a contenção do solvente com dois caminhões de área cedidos pela Secretária de Meio Ambiente, até a chegada do GOPP. Os bombeiros do GOPP, munidos de roupas de proteção química, máscara de respiração e cilindro de oxigênio, fizeram a identificação do material que tinha vazado e realizaram remoção do solvente através de sucção. A ação de remoção durou cerca de duas e foi muito bem sucedida, pois não houve contaminação”, contou Gabardo.
Alguns moradores da localidade também ficaram preocupados com a possibilidade de contaminação dos rios. Como é o caso de Rosélio Mello. “Aqui nessa região a água é de poço artesiano, se o lençol freático for contaminado ficaremos sem água limpa em nossas casas. Não temos água encanada aqui”, disse Rosélio, que comentou ainda sobre o alto número de acidentes naquele trecho. “Volta e meia tem acidente aqui na pista, esse trecho é muito perigoso. Agora com a duplicação da pista, acho que o número de acidentes deverá diminuir bastante. É um perigo para nós que somos moradores aqui dessa localidade”, completou.
A operação terminou por volta de meia noite. Às 19h30, quando as equipes ainda trabalhavam no local para destombar a carreta, um engarrafamento de cerca de 5 quilômetros se formou nos dois sentidos da rodovia. No momento da remoção do solvente, apenas um sentido da pista estava liberado. Em seguida, a empresa responsável pela carga contratou uma firma especializada para destombar o veículo e recolher a carga que ainda poderia ser reaproveitada. O trânsito de veículos ficou lento devido à curiosidade de outros motoristas e o trabalho dos Bombeiros, que foram auxiliados pela Defesa Civil, Polícia Rodoviária Federal e Feema.
Amigos deixam mensagem no Orkut
Moradora de Silva Jardim, Camila estudava no Colégio Desembargador José Augusto C. da Rocha Júnior, onde cursava o 3º ano do curso normal (Formação de Professores). Na parte da manhã, ela fazia estágio na Escola Municipal Professor Antônio Ferreira, na Estrada Velha da Posse nº 28 – Mangueira, de onde havia acabado de sair para ir pegar um ônibus em direção ao Desembargador, quando foi atingida na cabeça por um galão de solvente.
No Orkut, dezenas de amigos deixaram mensagens de solidariedade para a família e de adeus para a jovem estudante. “Sem palavras pra toda essa dor. Só sei dizer que você vai fazer muita falta mocinha. Mas, esse sorriso cativante estará sempre em nossas lembranças. Fique com Deus. Sei que estais em um ótimo lugar”, escreveu sua amiga Roziane. Já Alex Santos disse: “Linda, fica com Deus onde quer que você esteja. Você é muito especial e será eternamente lembrada. Você nunca sairá dos nossos pensamentos. A vontade de Deus é mais forte do que a dos homens. Você deixará muitas saudades”. Renata Santos escreveu: “Vai em paz Camila. Você estará sempre em nossos corações. Saudades eternas”.
O corpo de Camila, foi sepultado um dia depois do acidente, no Cemitério Municipal de São Jardim, depois de ser liberado pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Itaboraí, onde foi necropsiado. Além dos familiares, amigos de classes e alguns professores compareceram ao enterro, já que no colégio onde Camila estudava, não houve aula para a sua turma. De acordo com um professor do colégio, todos os alunos do Desembargador José Augusto C. da Rocha Júnior estavam consternados com a morte de Camila. O corpo da estudante demorou cerca de oito horas para ser retirado do local, o que revoltou algumas pessoas.