Alfonso Martinez e Guilherme Duarte

A tromba d`água que caiu na tarde da última segunda-feira (24) em Rio Bonito deixou inúmeros estragos em todo o município. Além das diversas ruas alagadas, algumas casas, lojas, colégios, academias e restaurantes ficaram debaixo d’água durante a tempestade que durou cerca de 1 hora, causando prejuízos para os comerciantes e moradores Riobonitenses. No bairro da Bela Vista, na Rua Augusto José Corrêa, a força da água fez com que um buraco se abrisse no meio da pista, impedindo a passagem de veículos.

“Esses tubos não comportam mais o volume de água quando chove. A solução é fazer uma ponte e deixar a água correr sem nenhum tipo de barreira. A situação em que se encontra esse valão representa um risco para os moradores aqui do local. A força da água pode a qualquer momento fazer com que haja deslizamento de terra e, conseqüentemente, as estrutura das casas ficarão afetadas. É preciso também alargar essa rua, pois o número de carros que passa aqui diariamente é muito grande e atualmente só passa um carro por vez”, explicou o empresário Ricardo Nunes, proprietário de um imóvel em frente ao local onde se abriu o buraco.

Até ontem, a Defesa Civil Municipal havia registrado 14 ocorrências, a maioria delas relacionadas a queda de árvores, ameaças de desabamento de muros de contenção, deslizamento de terra e alagamento. Segundo funcionários da Defesa Civil, os bairros mais afetados foram o Centro, Rio Vermelho e Conjunto Monteiro Lobato (antigo BNH). Porém, na Rua São Francisco de Paula, no bairro da Bela Vista, a água invadiu várias casas e também causou prejuízos. “Toda vez que chove é isso, a água entra na minha casa e perco tudo, foi assim há quatro anos atrás e hoje a história se repetiu. Não tenho mais nada, a água acabou com tudo, meu carro ficou completamente debaixo d’água. Além disso, o mau cheiro que fica após a chuva é insuportável”, disse Indiomar Luis da Silva, o popular Índio, que teve o seu fusca, estacionado em frente a sua casa, totalmente coberto pela água.

Robert Campos, morador e proprietário de uma Lan House na mesma rua, acredita que seu prejuízo chegará a R$1 mil. “Aqui na minha Lan House também entrou uma grande quantidade de água. Calculo um prejuízo de quase R$1 mil, já que vou ter que trocar toda a fiação, ficar fechado durante três dias e consertar uma máquina que acredito que ficou danificada. O que me deixou satisfeito foi a preocupação do secretário de Obras, Ronen Antunes, ter comparecido aqui para analisar nossa situação e ter disponibilizado alguns funcionários da Secretaria para auxiliar na limpeza”, contou Robert. A Secretaria de Obras também disponibilizou funcionários para ajudar na limpeza das casas de vizinhos de Robert, de moradores da Rua Antenor Marmo e de outras localidades mais atingidas durante a tempestade, assim como para a limpeza de ruas e logradouros em vários bairros.

Comércio também teve prejuízos

No Centro da cidade, a situação também ficou bastante complicada. A água invadiu várias lojas, como o Atacadão dos Móveis e a Lar & Cia, ambas com frente para a Rua XV de Novembro e fundos para a Rua Dr. Marinho. Segundo o gerente do Atacadão dos Móveis, Wander Novato, o problema é antigo: “toda vez que dá uma pancada de chuva a Rua Dr. Marinho vira uma Lagoa. Em 2003, outra chuva como essa caiu em Rio Bonito e tivemos um enorme prejuízo. Dessa vez o prejuízo deve ficar em R$5 mil. A Rua Dr. Marinho só possui dois bueiros e não suporta a grande quantidade de água que vem de todos os lados. Acredito que se forem colocados mais dois bueiros, pelo menos os prejuízos serão menores. Além disso, é preciso que se faça limpeza e alargamento nos valões da cidade. Nós já fizemos obras para levantar a entrada dos fundos da loja, mas não adianta. Dessa vez, fui obrigado a atravessar um carro no meio da rua para evitar que outros veículos passassem e jogassem mais água aqui dentro da loja”, disse Wander.

Na rua Arthur Bernardes (rua da Cooperativa Agropecuária), os motoristas que tentavam passar, tinham que retornar pela contramão, já que o volume de água era muito grande.

Secretário diz que obras “minimizaram os danos”

Obras como a dragagem do Rio Bonito e o alargamento do vão da ponte ferroviária sobre o mesmo rio, na altura da Rua Dom José Pereira Alves (próximo ao Rio Bonito Atlético Clube), que foram realizadas pela Prefeitura de Rio Bonito no ano passado, suportaram bem a intensidade da chuva, segundo informações do secretário de Obras, Ronen Antunes, passadas através da assessoria de comunicação da Prefeitura. “As obras de dragagem do Rio Bonito e o alargamento do vão da ponte ferroviária minimizaram os danos que a chuva causou. A população pode ficar tranqüila que estamos analisando suas respectivas reivindicações, para podermos colocar em prática. Já estão sendo feitos trabalhos emergenciais, como dragagem nos rios e retirada de terras que deslizaram. Quanto ao buraco na Rua Augusto José Corrêa, as obras já começaram e devem ser finalizadas nos próximos dias”, explicou Ronen.

Alargamento do canal

Muitos moradores do Centro compararam a tromba d`água às chuvas que caíram no final da década de 80 no Centro da cidade, que ficou totalmente alagado, causando prejuízos e destruição. Moradores da Travessa Marmo, próximo a Padaria Guimeshe, relembravam o fato, enquanto aguardavam o nível da água baixar para atravessar da linha do trem para a Avenida Manuel Duarte. “A última chuva forte assim foi há cerca de 20 anos. Mas não pode com uma chuva de apenas 40 minutos a nossa rua ficar alagada. A água só não entrou lá em casa porque aumentamos o piso da casa”, disse Maria Angélica Nascimento. Já Bernadete Espírito Santo, também moradora da Travessa Marmo, disse que a limpeza do valão poderia ajudar: “tem que dragar o valão e retirar o lixo para isso não acontecer de novo”, sugeriu.

Telma Nascimento, que mora nas proximidades, sugeriu a união dos políticos da cidade para acabar com o problema: “Nós fizemos (elegemos) dois deputados, um federal e um estadual, e não era para passarmos por isso aqui não. Eles podem muito bem trazer recursos para abrir esse canal, que foi construído há décadas, contando com o apoio da prefeitura”, pontuou.

Na última quinta-feira (27), outra forte chuva caiu sobre o município, mas os estragos não tiveram as mesmas proporções do temporal de segunda-feira (24).