POR UM MILAGRE

Há exatos seis anos, numa sexta-feira, por volta da meia-noite, ao me preparar para dormir, comecei a sentir dor de cabeça. Com o passar dos minutos, a tal aumentava. Eu estava na sala, com a Bíblia Sagrada na mão, pronto para ler uma passagem, fazer minha oração e descansar pelo dia cansativo que tive no trabalho. Pensei... “Será que tem algum remédio aqui?”... Corri na cozinha, mas nada encontrei. “Então, vou orar e dormir”, intentei. No mesmo instante, fui para o quarto, dobrei meus joelhos na cabeceira da cama, falei algo com Deus (não me lembro o quê) e deitei. Segundo minha irmã, no meio da madrugada, comecei a fazer vômitos na cama. Minha mãe, que naquela noite dormia na casa do meu irmão porque sua esposa estava grávida e não passava muito bem, nem imaginava o que se passava comigo. Prontamente, minha irmã foi à casa da minha outra irmã (ao lado da minha casa) e a buscou com meu cunhado para me socorrem. Pensaram que podia ser problemas de fígado e me deram chás.

A parir do dia seguinte, me levaram para o hospital, foi constatado que minha pressão arterial estava muito alta (a máxima chegava a 22). Me medicavam e mandavam de volta para casa. Segundo minha mãe, eu reclamava de fortes dores na cabeça e meu pescoço não ficava mais ereto, parecia quebrado; só andava carregado por outras pessoas. Minha vista direita perdeu a musculatura da pálpebra e fechou. Cinco dias se passaram e eu não me recordo de nada. Entrei numa espécie muito estranha de coma, desse período não tenho nenhuma lembrança. Depois do sexto dia, eu abria os olhos, via pessoas e, logo, a visão se apagava, a memória desaparecia. Na verdade, vegetava, a vida já tinha se despedido de mim.

Foi, então, que me levaram ao neurologista e ele solicitou urgente uma tomografia computadorizada. Num sábado, próximo às 11h, minha família me levou para o exame. Lembro quando o rapaz que o realizou, viu o resultado e pediu a secretária que entrasse em contato rápido com o neurologista porque meu caso era muito grave. O médico, que estava no consultório (em pleno sábado de manhã), me atendeu. Diagnosticou o rompimento (interno) de dois vasos de sangue no lado esquerdo da minha cabeça e o líqüido derramou pelo lado direito. Pessoalmente, ligou para o hospital e solicitou que arrumassem um leito para mim na Unidade Intensiva (U.I). Fui internado às pressas, se voltasse para casa poderia não adentrar a noite mais, já se haviam passado muitos dias de sofrimento e sem o devido socorro a algo tão sério. Lá tive todo o cuidado necessário com acompanhamento do neurologista, do cardiologista e dos enfermeiros. Fiquei cinco dias na U.I e oito na enfermaria. As expectativas eram as piores. Para eu viver, só “por um milagre”. Amigos e conhecidos torceram muito, as igrejas locais entraram em propósito de oração por mim, só Deus poderia me socorrer, eu estava nos extremos: morreria ou voltaria a ser criança (perderia a memória).

Contudo, surpreendi as expectativas. Deus ainda tinha um plano que não podia ser interrompido. Fui melhorando, recebi alta, fiquei um tempo ainda quase sem falar (aos poucos a voz voltava); dois meses de repouso e passei por diversos tipos de tratamento, mas fui restituído em tudo. Meses depois, o neurologista disse que eu poderia voltar à faculdade e prosseguir meus estudos, nada impedia. Assim o fiz e, três anos depois, já me formava em Jornalismo. Voltei para minhas atividades normais e, quem poderia não viver mais, recebe o dom da vida como presente, novamente. Outro dado curioso, quem perderia a memória, hoje escreve essa história para você, meu querido leitor, entender que, para os milagres acontecerem, basta crer fielmente em Deus. Ele sabe de todas as coisas e nada pode interferir seus propósitos. Quem poderia devolver a vida de alguém, senão Ele? O que mais seria impossível para o Todo-poderoso? Eu o respondo: Nada! Pode acreditar.

Assinado: alguém que foi marcado por um milagre, eu mesmo... Edson Soares.