Guilherme Duarte
“Um homem tranqüilo, muito amigo e bastante enérgico nas suas funções. Esse era o meu irmão, o Monsenhor Antonio de Souza Gens”. Essas foram as palavras que Albina da Conceição Gens Moraes, 83 anos, encontrou para definir seu irmão Antonio de Souza Gens, que faleceu há quinze anos, aos 76, deixando muitas saudades não só em seus familiares, mas em toda população Riobonitense. Mas, muito mais que isso, Monsenhor Gens foi um exemplo de vida dedicada a propagar a palavra de Deus e, aliado a isso, dedicou grande parte de sua vida a tarefa de educador, ajudando a formar várias gerações Riobonitenses no tempo em que esteve a frente do antigo Colégio Cenecista Manuel Duarte (do qual foi um dos fundadores), que hoje leva o seu nome.
Filho de Antonio de Souza Gens e Arminda Maria Gens, Monsenhor Antonio de Souza Gens faleceu no dia 6 de abril de 1993 devido a um edema pulmonar agudo. Segundo informações de sua irmã Albina, o prefeito da época decretou feriado municipal no dia do enterro. Cerca de 4 mil pessoas acompanharam o corpo, que foi velado na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição e enterrado na Igreja Matriz Auxiliar, como queria Monsenhor. Na ocasião, foi celebrada uma missa de corpo presente pelo Arcebispo de Niterói, Dom Carlos Alberto Navarro, acompanhado de vários padres, alguns deles, ex-auxiliares de Monsenhor Gens, considerado uma liderança espiritual da região.
Dona Albina, como é mais conhecida, ainda guarda na lembrança os últimos dias de vida do irmão. “Lembro que um dia antes de meu irmão falecer, ele passou mal aqui em casa, mas não quis ir para o hospital, já que teria que levar os sobrinhos-netos para o colégio. No dia 6, ele passou mal novamente e foi levado direto para a UTI, onde horas depois veio a falecer. Foi muito traumatizante, nós sabíamos que uma hora ele iria, mas não naquele momento. Até hoje me lembro daquele dia, do hospital até o enterro. Sinto muito a falta dele, ele era um ótimo irmão e meu psicólogo. Sempre foi preocupado com a família”, revelou Dona Albina.
Padre e educador
Em seus 40 anos à frente do Colégio Cenecista Manuel Duarte, Monsenhor Antonio de Souza Gens formou várias gerações Riobonitenses que até hoje levam consigo seus ensinamentos. Nilda Pereira Soares, 50 anos, atual secretária do CCMASG, lembra com carinho dos momentos de convivência com o Monsenhor. “Até hoje sinto muita saudade dele. Monsenhor era meu o ídolo. Ele era uma pessoa muito dedicada ao colégio, muito preocupado com a educação dos jovens e uma pessoa muito rígida. Mas ao mesmo tempo em que era rígido, ele também era bastante compreensivo. Era como um pai para mim. Monsenhor me ensinou muita coisa, ele tinha um conhecimento muito amplo. Ele tinha punho forte e sabia impor limites nos alunos. Quem quisesse estudar aqui no colégio tinha que se adequar as normas do Monsenhor”, revelou Nilda, que começou a estudar no Colégio Cenecista em 1969, se formou em 1978 e começou a trabalhar como professora de 1ª a 4ª série em 1980, atendendo a um convite pessoal do Monsenhor. Ainda segundo Nilda, a idéia da atual diretoria é fazer um espaço em homenagem ao fundador do colégio, onde serão expostos seus pertences. Monsenhor Antonio de Souza Gens nasceu em Niterói no dia 2 de julho de 1916. Foi batizado na Matriz de São Sebastião do Barreto com seis meses de idade. Fez a primeira comunhão em 28 de dezembro de 1924. Entrou para o Seminário São José em 7 de março de 1930. Nove anos depois foi ordenado sacerdote em 31 de dezembro de 1939. Em seguida, ocupou o cargo de vice-diretor do Seminário S. José de março de 1940 a abril de 1941. Foi nomeado pároco de Santa Rita do Rio Negro em 27 de abril de 1941, onde ficou até março de 1944. Em 30 de abril de 1944, foi nomeado e empossado pároco de Rio Bonito. Foi agraciado pela Santa Sé com o titulo de Mons. Camareiro Secreto em 30 de novembro de 1952. Em 1953 foi escolhido como primeiro diretor do Colégio Manuel Duarte. Recebeu o título de Cidadão Riobonitense em 20 de janeiro de 1965.
Principais obras
Entre as suas principais obras estão a aquisição da Casa Paroquial em 1945; construção da capela de Santo Antônio (Lavras) em 1952; da capela de São João Batista (Praça Cruzeiro) em 1960; da capela Nossa Senhora de Fátima (Boqueirão) em 1961; da Casa de Caridade (São Vicente) em 1967, da capela São Pedro (Mata) em 1974 e construção da capela de Nossa Senhora Auxiliadora (Colina da Primavera) em 1974.
Além de Albina, Monsenhor tinha mais uma irmã, Maria da Glória Gens Mattos, de 84 anos, e um irmão, Nelson de Souza Gens, já falecido. Ao todo, são seis sobrinhos e 12 sobrinhos-netos.
Tiago Moraes, de 25 anos, sobrinho-neto de Monsenhor, revelou ter poucas lembranças da convivência com o tio-avô. “Quando meu tio-avô morreu, eu ainda era muito jovem e não me lembro de muita coisa. Ele era muito amigo e adorava ficar conversando com a gente. Lembro também de algumas vezes que íamos para o sítio e ficávamos brincando. Ele era uma pessoa muito boa”, contou Tiago.
Nas comemorações de 200 anos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, a família pretende transferir os restos mortais do Monsenhor Antonio de Souza Gens, localizado atualmente na parte de fora da Igreja Matriz Auxiliar, para a parte interna da Igreja. Desde o seu falecimento, sua irmã Albina manda rezar uma missa todo dia 6 em homenagem ao irmão.