Guilherme Duarte e Flávio Azevedo

Presa desde o dia 30 de abril do ano passado na 72ª DP (Mutuá), a viúva Adriana Almeida foi transferida na manhã do último dia 11 para o presídio feminino Nelson Hungria, no Complexo de Presídios de Gericinó, em Bangu. O advogado da viúva, Jackson Costa Rodrigues, disse que a transferência de Adriana não tem fundamento, já que onde ela estava não oferecia riscos a ninguém. Adriana deixou a carceragem feminina da Polinter, em São Gonçalo, com uma Bíblia nas mãos.

De acordo com o delegado titular da Polinter, Rivaldo Barbosa, a mudança atende à questões administrativas. “A transferência é apenas mais uma das medidas que eu estou tomando nesse início da minha administração. Não é nada demais, apenas uma forma de gerenciar os presos. Ela é para nós uma presa como qualquer outra”, explicou Rivaldo.

A transferência pegou Adriana de surpresa. Assustada, ela demorou cerca de 20 minutos para arrumar as malas e deixar a 72ª DP. Seu advogado, Jackson Rodrigues, disse que vai tentar reverter a transferência. “Não há nada que justifique esta transferência. Além disso, ela ainda não é condenada e não deve ficar em presídio. A mudança é muito ruim, pois em São Gonçalo os filhos e parentes dela podiam visitá-las mais facilmente”, disse Jackson.

Em Bangu, Adriana Almeida terá a companhia da amiga e personal trainner, Janaína Silva Oliveira, que é suspeita de ter ajudado a planejar o crime. Ela foi transferida para Bangu, por determinação da juíza, Roberta dos Santos Braga Costa, da Segunda Vara Criminal de Rio Bonito, e está em uma cela especial, por ter curso superior. Janaína é mulher do ex-policial militar Anderson Sousa, que trabalhou como segurança do milionário e teria sido o autor dos disparos que mataram Renné.

Seis acusados irão a julgamento

A situação da viúva pode se complicar ainda mais nos próximos meses. É que a juíza Roberta dos Santos Braga Costa, atual responsável pelo caso, deverá marcar o júri popular dos seis acusados de participar da morte de Renné para o final do mês de junho, segundo estimativa de um dos promotores do caso. A data do julgamento só está dependendo da avaliação de recursos impetrados pela defesa de três dos seis acusados pelo crime. Os recursos são da viúva Adriana Almeida, do cabo da Polícia Militar Marco Antônio Vicente e da professora de educação física Janaína Oliveira Costa. Os três presos contestam a denúncia oferecida ao Ministério Público contra eles.

Para o promotor Guilherme Macabu, os recursos seriam uma estratégia para prolongar o processo e, com isso, adiar o julgamento, principalmente no caso de Adriana. No entanto, ele afirma que a avaliação desses recursos deve durar no máximo 30 dias. “A defesa já vem tentando obter habeas corpus para que ela responda em liberdade, mas nenhum foi concedido. Essa é só mais uma tentativa de um benefício”, disse ele, lembrando que ainda não há uma previsão de data para o júri, mas que tudo leva a crer o mês de junho seria o mais provável.

Em janeiro, quando o crime completou um ano, a filha de Rennê Senna, Renata Almeida Senna, foi nomeada pelo Ministério Público como inventariante da herança deixada pelo pai. Com isso, ela passou a administrar bens como a fazenda onde o milionário vivia. Uma quantia, cujo valor é mantido em sigilo, foi liberada pela promotora Marcele Navega para que Renata possa gerir as despesas da propriedade.

Segundo Guilherme Macabu, o dinheiro ajudou a acertar a situação dos empregados da fazenda, cujos salários estavam atrasados, e também na manutenção da estrutura e da saúde das cabeças de gado criadas no local. “Houve sim um período de dificuldades na fazenda, mas esse dinheiro que foi liberado ajudou a equilibrar as coisas por lá”, disse o promotor.

Além dos acusados já citados, também irão a julgamento o ex-policial militar Anderson Souza (acusado de ser autor dos disparos que mataram Renné), Ednei Gonçalves Pereira e o também ex-policial militar Ronaldo Amaral.