Flávio Azevedo
As causas que motivam a evasão escolar, problema que nos últimos 10 anos cresceu em escalas alarmantes no Brasil, foi um dos temas mais debatidos do XVI Encontro Regional dos Conselheiros Tutelares da Região Leste Fluminense. O encontro, que é realizado a cada três meses, nos municípios que compõem a Região Leste Fluminense (Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Silva Jardim), foi realizado na manhã da última quarta-feira (14), no salão nobre do Esporte Clube Fluminense, no Centro. O evento foi organizado pelo Conselho Tutelar de Rio Bonito.
Prestigiaram o encontro, na parte da manhã, a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Rio Bonito (CMDCA), Elizinete Silva Santos, o presidente da Regional Leste Fluminense, Ezaquiel Siqueira Conceição, e as secretárias municipais de Trabalho, Habitação e Bem-Estar Social, Lílian Antunes e de Educação e Cultura, Ana Maria Alves de Figueiredo, que foram recebidas pela presidente do Conselhoto Tutelar de Rio Bonito, Fernanda Farias. A solenidade foi iniciada com a execução do Hino Nacional Brasileiro e do Hino Municipal de Rio Bonito.
O primeiro tema discutido foi a evasão escolar. A palestrante Márcia Pombo, apontou as principais causas que afastam as crianças, os jovens e os adultos das salas de aula. De acordo com ela, esses alunos passam a integrar uma estatística que cresce a cada dia. “A evasão escolar subiu de 5% em 1997, para 8% em 2002, somente no ensino médio”. A palestrante, que também é professora, destacou a falência dos valores familiares como um dos problemas que estão sendo enfrentados pelas instituições de ensino e conseqüentemente pelos Conselhos Tutelares.
– Precisamos identificar o que tem causado a fuga dos estudantes das salas de aula. Eu acredito na família, mas ela está em crise e o problema está estourando em nossas mãos. A criança precisa viver em um ambiente equilibrado para se desenvolver. Mas, isso não tem acontecido – avaliou.
A palestrante também destacou, que em muitos casos a evasão escolar é motivada pelo fato da realidade cotidiana do aluno ser diferente da que é mostrada pelas escolas. Ela argumenta que o estudante não se reconhece nos exemplos escolares e fica desmotivado. “Nós falamos em casa e família, mas inúmeros alunos moram num cômodo que serve como quarto, sala, cozinha etc. Nós falamos em pai e mãe. Porém, existem estudantes que nem conhecem seus pais”, comentou. Segundo Márcia Pombo, crianças que precisam trabalhar e são vítimas de violência também abandonam a escola. “Outra situação problemática é que os pais não estão sabendo impor limites para as crianças e adolescentes”, disse.
Outro estímulo para a evasão escolar, segundo a palestrante, é o fato da escola, “principalmente a pública, que é a realidade que eu conheço” não estar atraindo o jovem com didáticas novas e profissionais que estejam interessados em educar. “A escola precisa ser revitalizada. A repetência está ligada a evasão escolar, mas nem sempre a culpa é de quem está sentado. Algumas vezes a culpa é do professor e da estrutura escolar”, pontuou.
Secretária defende a escola pública
A secretária Ana Maria Figueiredo, foi enfática e cobrou cuidado ao se dizer que a escola pública está em decadência. Ela reconheceu que “existe diferença entre os alunos da escola pública e privada em todos os aspectos”. Mas lembrou também, que “existem famílias que integram as classes mais carentes, e moram em áreas vulneráveis, que são mais estruturadas que muitas famílias de classe média e alta”. Ana Maria concluiu afirmando que “às vezes falta respeito aos profissionais que trabalham na escola pública”.
Durante o restante do dia, os palestrantes Ilana Fialho, Cláudio Roberto Sobral e Carlos Nicodemos, discutiram outros temas como, ética e organização, atendimento, estrutura, harmonia interna e externa dos Conselhos