Flávio Azevedo

A greve dos funcionários dos Correios, que começou no dia 1º de julho, começa a preocupar as pessoas que dependem do funcionamento do serviço para receber desde as tradicionais correspondências, quanto às encomendas e as contas de energia elétrica, telefone, fatura de cartão de crédito, entre outros. Segundo os Correios, cerca de 110 milhões de cartas e encomendas já deixaram de ser entregues em todo o Brasil. Em Rio Bonito, cerca de 120 mil correspondências estão empilhadas no setor de triagem, no Centro da cidade.

A empresa diz que está tomando diversas medidas para diminuir o atraso, mas o número de encomendas e cartas que aguardam para ser entregues é grande. Algumas pessoas foram até o setor de triagem da agência de Rio Bonito tentar retirar cartas, contas e encomendas, mas não obtiveram sucesso, porque os funcionários que fazem esse serviço também estão em greve. Com isso, tudo que chega aos locais de distribuição permanece embalado, o que dificulta localizar o que está sendo procurado.
Algumas empresas, prevendo o prolongamento da greve, que segundo os grevistas, não tem data para acabar, prorrogaram a data de vencimento de seus boletos, porque muitas faturas não chegaram ao usuário. Embora a maioria dessas contas seja acessada pela internet, as empresas reconhecem que grande parte dos usuários não possui acesso a internet.

Em Rio Bonito

No setor de distribuição da agência de Rio Bonito, um funcionário que não quis se identificar, disse que os 18 dias de greve resultaram num total de 120 mil correspondências que aguardam o fim da paralisação para ser entregues. De acordo com ele, as únicas coisas que estão sendo entregues são encomendas registradas, cartões, telegramas e talão de cheques. O serviço está sendo feito pelos profissionais que não aderiram a greve.

Dos 23 carteiros de Rio Bonito, apenas dois não cruzaram os braços. Um desses, que preferiu não se identificar, argumentou que não parou porque ele acha que a greve deveria ser geral. “A gente fica em casa, mas as cargas continuam chegando. Quando eu vejo isso, não consigo ficar em casa”. Já outro carteiro, que aderiu a greve e também preferiu permanecer anônimo, lembrou que o movimento é em busca de direitos que haviam sido prometidos pelo presidente Lula. “Tem gente achando que essa paralisação é para conseguirmos aumento de salário, e não é. Estamos em busca do plano de carreira, cargos e salários e lutando para que o abono de 30% concedido à categoria seja incorporado ao salário”, disse.

Na agência de Rio Bonito (onde também funciona o Banco Postal), a gerente Rosa Maria Marques disse que cerca de 70% do movimento diminuiu. Ela comentou que chefiou os carteiros durante 25 anos e nesse tempo “essa é a greve mais extensa que ela já viu”. A gerente concluiu dizendo que “o prejuízo não é só dos correios, porque os usuários também acabam sendo prejudicados”, avaliou.

Reivindicações dos grevistas

Os funcionários querem adicional de 30% do salário por periculosidade. A categoria também reivindica revisão no plano de carreira e no programa de participação nos lucros. Segundo os Correios, o adicional de risco foi pago como abono durante seis meses, como previa o acordo com os trabalhadores. A empresa afirma também, que pratica a distribuição de lucros conforme a legislação vigente.