Flávio Azevedo
Cerca de um ano depois de iniciar diálogos e debates com as instituições e as comunidades sobre os impactos do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), nos municípios que estão no entorno do empreendimento, que será instalado em Itaboraí, o Conselho Comunitário Municipal do Comperj (Concrecomperj) de Rio Bonito esteve reunido na noite da última quarta-feira (30), no Motorista Futebol Clube para debater os resultados alcançados até agora e apresentar as metas escolhidas como prioritárias pela Primeira Conferência realizada pelo Conselho. Cerca de 30 pessoas participaram do encontro.
A Coordenadora do Concrecomperj de Rio Bonito, Andréa Guimarães e a ambientalista Elaine Mendonça, apresentaram os resultados da Conferência, que aconteceu no mês de abril, nos bairros de Boa Esperança, Rio Vermelho, Sambê e no Centro, entre os dias 15 e 19. Segundo a coordenadora, os movimentos sociais e populares participaram ativamente dos debates e escolheram para receberem investimentos do governo federal, as áreas de saúde, educação, cultura, turismo e esporte, segurança e geração de emprego e renda. Além disso, a agricultura e apicultura, transporte, meio ambiente e direitos sociais, também foram elencados como setores carentes de investimento no município.
O coordenador regional do Concrecomperj Nilson Viana Cesário, afirmou que o conselho está atendendo as expectativas do governo federal, que pretende com os resultados obtidos dos vários debates do 1º, 2º, 3º e 4º setor, investir em políticas públicas que tragam mais progresso para a região dos municípios que estão no entorno do Comperj. “Chamamos essa área de região ‘Comperjiana’. Temos certeza do crescimento dessa parte do Estado, sobretudo se os conselhos funcionarem como devem, ou seja, com a participação maciça de todas as entidades e associações”, avaliou Cesário.
Antes de apresentar os resultados da conferência, a ambientalista Elaine Mendonça apresentou um vídeo com imagens da natureza sendo agredida através de queimadas e despejo de esgotos. O vídeo também mostrou a importância da prática da reciclagem, a necessidade de substituir alumínio, aço e plástico por produtos biodegradáveis, o emprego de energia renovável, a urgência de preservar as matas e reflorestar as áreas devastadas.
Crítica
A coordenadora Andréa Guimarães ressaltou que “o Concrecomperj não é uma entidade partidária, mas precisamos usar nossa influência política para que as nossas propostas sejam implantadas”. Representantes de associações de moradores aproveitaram a ocasião para criticar a postura “oportunista” de alguns políticos que estariam usando os resultados favoráveis alcançados através do Conselho para se promoverem diante da comunidade.
– As verbas que foram aprovadas para beneficiar a comunidade do Parque Andréa foram conquistadas porque nós lutamos, e muito, para conseguir – disse a vice-presidente da associação de moradores daquela localidade, Cenita Santos Chevrand. O presidente da Associação de Moradores da Praça Cruzeiro, José Balbino, concordou com Cenita e acrescentou: “essa situação impede que a comunidade riobonitense perceba a importância do nosso conselho, porque a luta é nossa, mas outros levam a fama”.