Tempos Modernos

Ainda estamos estarrecidos com a tragédia do último dia 24 (quinta-feira), quando a empregada doméstica Marivanda de Oliveira, de 39 anos, foi assaltada e baleada no Centro de Rio Bonito, em plena luz do dia. Para quem não sabe, a doméstica passou a integrar as estatísticas de um crime chamado “saidinha de banco”. Infelizmente, para aqueles que estão preocupados com a nossa cidade, as notícias não são boas. Alguns dados apresentados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), publicados no dia seguinte ao crime (sexta-feira, 25) são bem preocupantes.

As informações mostram os índices de criminalidade no Estado do Rio somente no mês de maio. Segundo o ISP, o crime de latrocínio – roubo seguido de morte – teve um aumento de 29,4%. O roubo a transeunte é o delito que aparece com a segunda maior taxa de aumento na pesquisa. Considerando o acumulado até maio de 2008, foram 4.321 casos, mais 18,5% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Isso prova a veracidade do que escrevemos no parágrafo acima.

Algumas situações que devem ser analisadas. Primeiro, que o crime aconteceu por volta das 15h20min, horário de intenso movimento na Av. Presidente Castelo Branco, que imaginávamos ser o trecho mais seguro da cidade, por abrigar quase todas as agências bancárias riobonitenses. No caso de Marivanda, só para variar, os bandidos, além de levar os seus R$ 4.650, fugiram em uma motocicleta, veículo que tem sido um fiel parceiro desses criminosos.

Apesar disso, embora essas histórias sejam reais e constantes, algumas pessoas não apreciam a divulgação desses fatos. Eles argumentam que “a publicação dessas histórias deixa a população alarmada por pouca coisa”. Além disso, existe o argumento, “que o povo vai achar que a cidade está entregue as baratas, e isso não é verdade”. Aliás, sempre me perguntam por uma coluna chamada “Ronda Policial”, que eu escrevia aqui mesmo no FOLHA DA TERRA em um passado não muito distante. Eu gostaria de aproveitar a ocasião, para informar aos meus leitores, que o ‘falecido’ espaço foi censurado por um dos integrantes da equipe de um delegado que passou por aqui. Ele me procurou e disse que “as suas histórias estão desmoralizando a minha equipe”. De acordo com ele, “todos os dias acontecem mortes, assaltos, roubos de veículos, entre outras coisas. Como isso é normal e rotineiro, não é notícia, logo não precisa ser publicado”, argumentou.

A sociedade riobonitense precisa com urgência abandonar o pensamento romântico e provinciano que insiste em classificar Rio Bonito como uma cidade pacata do interior, que é habitada por um povo ordeiro e pacífico. Penso que devemos ser ordeiros e pacíficos sim, mas a partir do momento que a violência está sendo praticada às 15h20min na rua que é o centro financeiro da cidade, se continuarmos com essa postura vamos nos tornar prisioneiros dentro de nossos lares, e os bandidos vão nos tirar o direito inalienável de ir e vir. Isso ocorrerá, principalmente, se continuarmos ocultando os episódios de violência que existem em nossa cidade.

Só para nortear a cabeça de quem continua achando que Rio Bonito é aquela cidade onde outrora dormíamos de portas e janelas abertas, ontem (1º de agosto), completou dois anos que o prefeito José Luiz Antunes (DEM), sofreu um atentado enquanto almoçava em uma pensão na Praça Cruzeiro. Embora a polícia tenha conseguido prender os atiradores e o contratador (que irão a júri popular), eles permanecem calados e ainda não revelaram o mandante do crime – pelo menos é o que sabemos. Eu fico intrigado com o fato desses sujeitos estarem presos há cerca de um ano e ainda não terem aberto o bico. Quem protege esses sujeitos?

Em agosto de 2007, o prefeito José Luiz Antunes enviou uma mensagem para a Câmara de Vereadores, propondo que a Guarda Municipal fosse armada. Segundo ele, a guarda com poder ostensivo poderá atuar em prol da segurança da cidade de maneira mais eficiente. Desse projeto nasceria a Secretaria Municipal de Segurança Pública. Na ocasião, o Legislativo rejeitou a mensagem, mas em recente entrevista ao programa “O Tempo em Rio Bonito”, da rádio Sambê FM (105,9), a deputada federal Solange Almeida (PMDB), disse que uma Secretaria Municipal de Segurança Pública já deveria ter sido implantada no município. Eu não me lembro do deputado estadual Marcos Abrahão (PSL) falando sobre isso, mas por se tratar de um Policial Militar, acredito que ele não seja contrário a idéia.

Vamos pensar nisso e aproveitar a ocasião, para cobrar dos candidatos que buscam uma vaga no Legislativo ou tentam alcançar a cadeira do Executivo, a inclusão do tema segurança em seus projetos. Penso que deveríamos deixar a hipocrisia de lado, e perceber que o futuro chegou e já mostrou o seu principal cartão de visitas: a violência. A esse fenômeno social, não podemos responder com incompetência, conivência e passividade.