
SOMOS MUTANTES
Quem não se assusta com as criações da “Drª. Júlia”, personagem da novela “Os Mutantes – Caminhos do Coração”, exibida pela Rede Record? Seres incríveis e absurdos que mais parecem querer nos apavorar do que envolver numa trama novelística. Com a agressividade que nos afronta, a ficção tem mais cara de filme do que uma novela comum de horário nobre da TV. A coisa é tão séria que nos leva a pensar se tudo aquilo poderia se tornar realidade. Inclusive, tememos que cientistas tentem atividades similares e, com isso, causem estragos no mundo. Do jeito que a situação transcorre nada é impossível.
De fato, a emissora investe pesado em cenários, preparação de elenco e, até mesmo computação gráfica que criam aranhas, sapos e outros seres gigantes. No início, quando a novela se chamava apenas “Caminhos do Coração” (na primeira parte da trama), muitas crianças se encantavam com os “bichos” que apareciam na ilha “deserta” mais povoada do planeta. Esse fato se deu por lembrar a ingenuidade do “Sítio do Pica Pau Amarelo” que, mesmo mostrando um minotauro jamais aterrorizaria alguém, principalmente seu público-alvo: as crianças.
Contudo, a novidade nos leva a refletir: todo ser humano é mutante. Temos uma existência desenrolada por fases que se distribuem em infância, adolescência, juventude, idade adulta e terceira idade. Em cada uma dessas etapas, muitas mudanças ocorrem no caráter, na personalidade, nos conceitos, nas mentalidades, nos corpos, enfim, somos influenciados a todo o instante a mudar para melhor ou para pior. Seja lá como for, é inevitável a transformação.
Logo, por que ter tanto pavor das criações de uma mera novela se, às vezes, na vida real agimos por formas trágicas, através do preconceito, da violência ou da corrupção? Antes de temermos algo inverídico, deveríamos ter vergonha da condição falha e imperfeita que temos. Devido a ela, manchamos o mundo com cores negras ou vermelhas, ou seja, em palavras mais reais, geramos mortes e sangue. Muito sangue.
Acredite: “somos mutantes”.