Pesquisa ou balão?

Os dicionários de Língua Portuguesa definem a palavra pesquisa, como ato ou efeito de pesquisar; indagação ou investigação. Já para o termo ‘balão’, que popularmente conhecemos como um objeto que decora as noites de São João, o dicionário apresenta várias definições. Por exemplo, aquele globo de vidro para serviço de laboratório, que se chama ‘balão’. Também tem esse nome, aquelas saias enfunadas com muita roda. Aliás, até uma embarcação muito utilizada nos países asiáticos tem o nome de ‘balão’.

Mas na verdade, as últimas definições que encontrei foram as que realmente chamaram a minha atenção. São elas: ‘boato falso’ ou ‘balela’. Esses nomes atraíram a minha atenção, porque no meio jornalístico, a primeira coisa que aprendemos é a diferença entre uma notícia e um ‘balão’. Nessa época de eleições, por exemplo, pelo fato de trabalharmos com a informação, diariamente as pessoas nos fazem questionamentos que são causados por, digamos, ‘balões’, que além de ‘desmatarem’ o bom senso do eleitor, também incendeiam os valores morais da população.

O que vou escrever agora poderá desagradar a alguns, mas quando o jornalista não é leviano e sua conduta é pautada pela ética, ele não pode deixar de bem informar as pessoas que o procuram. Aliás, nunca é demais lembrar, que muita gente culta e letrada é ignorante no quesito política. A propósito, alguns não querem acreditar que certos elementos utilizam práticas condenáveis, na cara de pau, no momento de angariar votos. Por exemplo: eu fico intrigado com os boatos de ‘pesquisas’ que temos notícia, porque sempre está em primeiro lugar, o candidato que encomendou a tal pesquisa. Não é uma coincidência? Outra curiosidade dessas ‘pesquisas’ é que elas nunca são registradas. Será por quê? Resposta: porque trata-se de um ‘balão’!

Você deve estar se perguntando: “é difícil fazer uma pesquisa eleitoral”? Bem, existem alguns institutos mais baratos – contratados pelos grupos políticos sem dinheiro ou sem conhecimento de causa – que se limitam a ouvir algumas pessoas apenas no Centro da cidade. Resultado? ‘Balão’! Tem aqueles que se dizem muito bons, porque pesquisam da Praça Cruzeiro até o Rio do Ouro. Resultado? ‘Balão’! Não servem, porque os moradores de localidades populosas como o Boqueirão, o 2º Distrito (Boa Esperança) e o 3º Distrito (Basílio) foram excluídos dessa linha reta. Mas depois desses, as coisas começam a melhorar, porque aparecem empresas melhores e mais caras, onde esses bairros populosos são visitados. Resultado? ‘Balão’!

Penso que você continua se perguntando, “mas, afinal, quando a pesquisa é confiável”? Bem, para ter essa tal confiança, além de atingir as áreas centrais e periféricas, o pesquisador precisa ir até os confins do município, em localidades como Tomascar, Jacundá, Mineiros, Braçanã, Tatus, entre outras. Às vezes, parece que não mora ninguém nesses lugares, mas no interior de qualquer fazenda ou sítio dessas localidades, podem morar mais de 50 pessoas. Contudo, o forasteiro que não conhece a geografia riobonitense – como diria Leir Moraes, “são aves de arribação”, porque baixam por aqui faltando três, quatro meses para as eleições e desaparecem com a mesma velocidade que chegaram – ao identificar no mapa essas localidades, pensa que nesses extremos não existem votos. Ou seja, no momento que esses eleitores são ignorados, a pesquisa torna-se um ‘balão’, porque não retrata a opinião do município como um todo.

É bom saber também, que estamos falando de Rio Bonito, um município onde em 2000, numa eleição muito semelhante a essa que estamos presenciando, o resultado foi surpreendente. Naquela, todas as pesquisas e opiniões davam como certa a vitória de Aires Abdalla ou José Luiz Antunes, mas quem ganhou foi Solange Almeida, com uma diferença de apenas 400 votos para o terceiro colocado (José Luiz). Ignorar essas áreas mais isoladas, significa deixar de fora do processo, cerca de duas mil opiniões. Em caso de uma diferença de mil votos, a margem de erro da pesquisa é alterada e o resultado torna-se imprevisível.

Mas digamos que o profissional contratado seja sério, e como manda o figurino, ele percorreu os 462 quilômetros quadrados do município. Quando chegam os resultados, a coordenação de campanha fica feliz e desanda a divulgar os resultados. Que resultado é esse? Um ‘balão’! Você deve estar se perguntando: “mas será possível, esse cara nunca está satisfeito”? Amigo leitor, sem querer ser estraga prazeres, uma equipe composta por profissionais não está nem aí para quem está na frente da pesquisa, porque o seu real interesse está no índice de rejeição do contratante e de seus adversários. Aí sim, de posse desses dados, começa o trabalho com duas missões: a primeira, visa quebrar a rejeição do assessorado; já na segunda, o objetivo é reforçar os pontos negativos do adversário.

Não adianta o candidato ter 50% de aprovação e 50% de rejeição, se o adversário dele tem 10% de aprovação – bem menos –, e nenhuma rejeição. Esses míseros 10% de aprovação, se bem trabalhados podem facilmente alcançar os 100%, porque o sujeito não tem rejeição. Já o candidato que tem 50% de aprovação fica estagnado, e aumentar 1% para ele é quase impossível devido a rejeição.

Dito isso, deixo aqui a minha dica: “não solte ‘balões’!