Com o objetivo de ajudar os nossos leitores a votarem com mais consciência nas eleições de 5 de outubro, o FOLHA DA TERRA está transcrevendo as entrevistas concedidas pelos candidatos a prefeito de Rio Bonito, nos dias 17, 24 e 31 de agosto no programa “O Tempo em Rio Bonito”, da rádio Sambê FM (105,9). Eles responderam perguntas sobre todos os setores da administração municipal. O jornalista Flávio Azevedo sabatinou os três candidatos, que responderam as mesmas perguntas, por cerca de 2h30min. O primeiro entrevistado foi o vereador Reginaldo Ferreira Dutra, o Reis (PR), da coligação “O Melhor Para Rio Bonito”, seguido pelo deputado Marcos Abrahão (PSL), da coligação “Renovação Já”. Fechou a série de entrevistas o prefeito José Luiz Antunes, o Mandiocão (DEM), que busca a reeleição pela coligação “Quem Compara Vota”. Devido ao tamanho da entrevista, ela será dividida em três edições.
Saúde: Recentemente o jornal O Dia veiculou uma estatística afirmando que dos 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro, Rio Bonito ocupa a 91ª colocação em qualidade de saúde. Quais são os seus projetos imediatos para melhorar esse quadro?
Reis: Fico muito triste ao ver o meu município doente. Quando eu critico a forma como a saúde da cidade tem sido conduzida pela atual administração, alguns dizem que é perseguição política. Mas a pesquisa da Firjan, divulgada pelo jornal O Dia, mostra que estamos falando a verdade. Rio Bonito ficou atrás de Tanguá e Silva Jardim. Isso é um absurdo! Precisamos colocar o Loyola para funcionar 24 horas, temos que diminuir o tempo de espera dos exames, implantar atendimento 24 horas nos postos de saúde do interior e investir no Esperanção, que também precisa funcionar 24h, entre outras melhorias.
Marcos Abrahão: Isso é uma vergonha, porque existem pessoas em nossa cidade que dizem trabalhar para a saúde, mas na verdade a estão destruindo. O que me deixa indignado é que éramos referência nesse setor. Mas isso não é de agora, esse descaso vem acontecendo ao longo dos últimos 20 anos. Eles ficam preocupados em transferir doentes e se esquecem de ajudar a diretoria do Hospital Darcy Vargas, que trabalham (os diretores) como loucos. Devo lembrar também, que os postos de saúde funcionam precariamente. Nós temos que ter condições de sair de casa e ser atendido sem ter que ficar em porta de prefeito e vereador pedindo esmola.
José Luiz: É uma notícia equivocada, porque quais municípios estariam em melhores condições que Rio Bonito? Além disso, essa pesquisa é de 2005, primeiro ano do meu mandato. A partir daí, nós investimos no Centro Odontológico, construímos novos Postos de Saúde da Família (PSF), postos de saúde, reativamos o Banco de Sangue, que estava interditado quando assumi, construímos o Laboratório Municipal de Análises Clínicas, entre outras realizações na área de saúde. Reconheço que ainda há muito que fazer, mas a saúde não está tão ruim como dizem os críticos. Para 2009, o funcionamento do Loyola 24 horas é um compromisso, mas isso deve ser feito com a razão e não com a emoção.
Educação: Os professores da rede municipal tem se queixado da forma como a educação está sendo gerenciada pela atual administração. Uma das exigências é que os diretores das escolas sejam escolhidos através de eleições. Outro problema é a falta de creches. Que melhorias o senhor está preparando para esse setor?
Reis: Essa é outra área que ficou esquecida nesses quatro anos e foi promessa de campanha. Vou prometer valorização profissional, refazendo o plano de cargos e salários. Na pesquisa da Firjan a educação também ficou mal colocada. A saúde, a educação e o funcionalismo precisam ser valorizados. Por isso, vamos oferecer plano de saúde e vale transporte para o funcionalismo. Penso em implantar um projeto que existe em Araruama, que é a Casa Creche. Vamos construir escolas nos bairros de Basílio, Praça Cruzeiro, Boa Esperança e Mangueira, que irão funcionar em horário integral, para tirar as crianças da rua. Também construiremos a Casa do Educador, onde o professor poderá se reciclar, e oferecer transporte gratuito para os alunos de todos os níveis.
Marcos Abrahão: Quando nós trouxemos a Coordenadoria de Educação Serrana V para Rio Bonito, nosso trabalho tornou-se conhecido. Meu plano é trabalhar em parceria com a iniciativa privada, chamando as empresas de fora do município a assumir a administração de uma creche, um posto de saúde, porque não é possível que essas empresas explorem a nossa cidade e dêem apenas ‘meia dúzia de empregos’! A Prefeitura Municipal sozinha não vai conseguir solucionar os problemas que enfrentamos. Mas temos um candidato por aí dizendo que diploma não governa. Então, o que esperar desse senhor?
José Luiz: Reconheço essa carência e a partir de 2009 vamos construir creches em vários bairros. Já reformamos mais de 50% das nossas escolas e estamos construindo, onde era o antigo barracão, a maior escola do nosso município. As obras atrasaram porque encontramos enterrados naquele local, 50 tambores de 200 litros cheios de remédio vencido. Sobras de administrações anteriores. Com isso, as obras pararam até sabermos o que fazer com todo aquele remédio. Outra coisa que muita gente esquece é que oferecemos uma merenda de qualidade em nossas escolas e isso é investimento em saúde preventiva. Além disso, investimos em livros didáticos, na qualificação dos professores e agora contamos com um a faculdade aberta que tem cerca de 400 alunos.
Educação II: Apesar da prioridade do município ser com o ensino fundamental – o ensino médio é com o Estado e o superior com o Governo Federal – existe um clamor muito grande da população riobonitense por uma faculdade. Que esforços podem ser feitos para atender esse anseio, já que temos cerca de dois mil universitários em nossa cidade? Aliás, se continuarmos comprando um ônibus a cada ano, no fim de uma década teremos uma frota maior que a da empresa São Geraldo.
Reis: Isso é um sonho! Não vou prometer, mas vou fazer um estudo junto com a minha vice Solange Almeida e com o companheiro Aires Abdalla, que trouxe cinco reitores aqui para conversar com o atual prefeito, mas nenhum deles agradou ao chefe do Executivo. Tenho medo de prometer e não cumprir. Mas penso em trazer uma faculdade para Rio Bonito e colocar ali na antiga Nadisa.
Marcos Abrahão: Em 2000 a prefeita (Solange) queria que os universitários pagassem pelo transporte. Ou seja, mais uma vez ela disse que não assumiria o seu compromisso com os universitários. Eu me comprometi em resolver o problema e trouxemos aqueles ônibus azuis como um paliativo. Mas ficaram nesses ônibus e ninguém fez nada até agora. Aliás, existe verba para trazer a faculdade sim. E nós vamos buscar e tornar esse sonho realidade!
José Luiz: Já estive com alguns reitores, mas as negociações estão mais adiantadas com a Unigranrio. A partir de 2009 vamos reformar o segundo galpão da antiga Nacional Diesel e instalar ali a Secretaria de Educação e Cultura e um shopping que será um grande atrativo para Rio Bonito. E na parte superior, vamos construir salas de aula para receber a faculdade.
Emprego: O desemprego é um problema nacional. Isso significa dizer, que não é uma particularidade de Rio Bonito, onde os desempregados são muitos. Além disso, quem não possui experiência, mesmo formado e com boa qualificação, não consegue encontrar colocação no mercado. O que o senhor pretende fazer para aumentar a oferta de emprego à população riobonitense?
Reis: Esse é um problema nacional, mas cada governante tem que fazer a sua parte. Afinal, 50% das pessoas que me procuram é sempre para pedir emprego. Por isso, além do Condomínio Industrial que já existe, vamos criar a Cidade Industrial, que será uma ligação da BR-101, com a RJ-124 (Via Lagos). Assim, atenderemos quem mora em Boa Esperança e na cidade. Com a chegada do Comperj, as empresas que vierem se instalar na região certamente vão querer vir para esse local e, com isso, vamos ter mais empregos. Nessa cidade teremos casas populares, posto de saúde, um centro de qualificação e uma guarita da Guarda Municipal. Não vou acabar com os contratos, porque quero diminuir o desemprego.
Marcos Abrahão: O problema do desemprego não é nacional, como dizem. Temos uma série de cidades com administrações sérias, que estão se destacando por criar mais empregos que a demanda. Vimos isso recentemente em um programa de televisão. Porém, isso só acontece, quando existe capacidade administrativa. É o que precisamos buscar. Nós precisamos acordar desse pesadelo eterno e renovar.
José Luiz: O problema é a qualificação e a capacitação que ainda é muito pouca em Rio Bonito. Nós vamos investir mais nesse setor. Estamos ministrando um curso de pedreiro na escola de Rio dos Índios, onde cerca de 40 alunos já estão quase se formando e vão sair de lá qualificados para o mercado de trabalho.
Emprego II: O problema é que a infra-estrutura que o Condomínio Industrial oferece não é boa. Não seria mais atrativo ao empresário se ele encontrasse um local saneado, pavimentado, com água, energia elétrica, telefonia, entre outras coisas a sua disposição?
Reis: Um dos meus projetos é criar a Secretaria de Indústria e Comércio, que vai ter como principal objetivo buscar parcerias para dinamizar o setor. Mas eu vou optar por colocar alguém que, além de competente, tenha também conhecimento e relações na área, para que possa alavancar o setor de maneira satisfatória.
Marcos Abrahão: A idéia de Condomínio Industrial virou moda. Aliás, aquele espaço está muito mal utilizado. Veio a Nutriara, a Gaia – aquele depósito de lixo tóxico que pode a qualquer momento vazar e causar um desastre ambiental e provocar câncer nas pessoas que moram naquela região. Essas empresas trouxeram ‘meia dúzia’ de empregos e apenas sugam a cidade. É por isso que nossos empresários precisam participar do processo eleitoral. Convidei a todos, mas eles ficam com medo de serem perseguidos. Isso não pode continuar acontecendo.
José Luiz: Preciso lembrar a todos do investimento que fizemos na antiga Nacional Diesel, que era um cartão postal negativo para Rio Bonito e hoje funciona como o Centro Administrativo. Estamos também estruturando a área do nosso Condomínio Industrial com a abertura daquela estrada que liga o Centro da cidade ao 3º Distrito. Ali construímos duas pontes e investimos em energia elétrica para o local. Isso vai atrair o empreendedor.
Qualificação: Às vezes o emprego até existe, mas o cidadão não é qualificado para a vaga que está disponível. Aliás, em Rio Bonito há muito tempo se oferece apenas cursos de enfermagem, mecânica, contabilidade, magistério e informática. Sobretudo com a chegada do Comperj é importante ter atenção para com essa situação. Aliás, aqui já tivemos um Senac. O que o senhor pretende para esse setor?
Reis: Sobre esses cursos que existem, nós temos que agradecer a Aires Abdalla, porque foram implantados no tempo que ele foi prefeito. Na verdade qualificação é o que precisamos trazer para a cidade. Pretendo implantar um Pólo de Qualificação ali onde hoje é o Centro Administrativo. É claro que algumas secretarias vão continuar ali, mas vamos trazer para o local também cursos de mecânica, exploração de petróleo e buscar uma Faetec para preparar o nosso povo para o mercado de trabalho. Não adianta sonhar com o Comperj sem trazer qualificação. Hoje temos muitos desempregados porque eles não possuem a qualificação necessária.
Marcos Abrahão: Nossos cursos estão sendo oferecidos, mas não existe laboratório de qualidade para os alunos. Como o curso de mecânica vai ter qualidade, se não dispõe de um laboratório decente para o professor transmitir o conhecimento necessário. Vendo isso, os jovens podiam participar da vida pública e mudar essa realidade.
José Luiz: Não posso deixar de lembrar que os nossos técnicos de enfermagem e de mecânica estão espalhados por todo o Estado do Rio e são considerados os melhores em suas empresas. É compromisso nosso trazer escolas técnicas a partir do ano que vem, para qualificar nossos munícipes.
Comércio: Nossos empresários e comerciantes se queixam da evasão de pessoas por ocasião dos feriados e fins de semana prolongados. Segundo eles (os empresários), “a população não prestigia o comércio local”. É fácil perceber que se tornou cultural no riobonitense, a busca por outros centros comerciais. Sabendo que o senhor será prefeito do fornecedor e do consumidor, como o senhor pretende gerenciar essa questão?
Reis: Por isso vou criar a Secretaria de Indústria e Comércio. Hoje quem tem uma remuneração superior a R$ 1 mil, compra fora da cidade. Quem compra fora da cidade está prejudicando o município, porque perdemos em arrecadação e o sujeito está prejudicando a si próprio. Quero aproveitar para fazer um pedido a população, para que prestigie o comércio local. Mas pretendo criar uma parceria com os comerciantes, onde o servidor municipal que comprar no comércio local terá um desconto. Essa é uma forma de prestigiar o comércio local.
Marcos Abrahão: Isso não é cultural, porque não acontecia antes. Que esforço tem sido feito para fazer uma integração entre Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Associação Comercial de Rio Bonito (ASCIRB)? Aliás, nosso povo vai para onde? Para a pracinha do Green Valley? Porque nossos jovens estão morrendo pelas estradas? Porque não existe nada para eles em Rio Bonito. Você viu aquela peça ontem? E no cinema, que filme você assistiu? Aquele show bacana, você foi? Pois é, não tem nada, mas isso vai mudar.
José Luiz: O desemprego em Rio Bonito é um problema, mas o nosso comércio é o maior gerador de empregos da cidade. Quando eu assumi o governo há quatro anos, muitas lojas estavam fechadas e era placa de aluga-se para todo lado. Hoje o comércio está aquecido e estamos recebendo investidores de fora da cidade, o que aumenta a oferta de empregos.
Segurança: Quando um pai percebe os filhos passando por sérias privações, muitos perdem a cabeça e entram para a criminalidade. Há cerca de 20 dias, uma pessoa foi assaltada e baleada no Centro financeiro de Rio Bonito. Aliás, as autoridades não gostam de admitir que a violência esteja crescendo no município, mas episódios como esse mostram essa realidade. Quais são os seus projetos para dar mais segurança aos riobonitenses?
Reis: Com a chegada do Comperj, certamente Rio Bonito receberá muitas pessoas de fora. Pensando nisso, vamos criar a Secretaria Municipal de Segurança, que vai fazer convênios com a Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal, que vai estar nas entradas da cidade com rádios e fazendo ronda com a PM, porque eu fiquei triste com esse quadro de violência. Temos que parar de dizer que tudo é culpa do Estado, nós precisamos fazer a nossa parte, porque quem não sabe somar não pode dividir.
Marcos Abrahão: Precisamos não varrer o lixo para baixo do tapete, porque não adianta esconder. Afinal, estamos sofrendo na pele. Hoje foi essa moça... Amanhã pode ser um de nós. Furto em residências e roubo de carro está um absurdo. A culpa não é da Polícia Militar e da Polícia Civil. Nós precisamos de uma administração que se preocupe com isso. Não é ficar prendendo motinha das crianças pelas ruas da cidade, porque corrigir isso é uma obrigação dos pais.
José Luiz: A segurança também é um problema nacional. No caso do meu atentado foram os olhudos e gargantas largas. Mas ainda somos um município privilegiado. Reconheço que temos problemas, mas graças a Deus, ainda temos um índice bem pequeno de violência. Quando nós investimos no emprego para o jovem, indiretamente combatemos a violência. Outra preocupação nossa é a iluminação pública, que ainda não está como gostaríamos, mas está bem melhor do que era quando assumimos. Iluminação também é investir em segurança. Temos também o monitoramento da cidade durante 24 horas, que é feito por 16 câmeras.
Segurança II: Na ocasião em que o prefeito José Luiz enviou à Câmara de Vereadores aquele projeto que previa armar a Guarda Municipal, um comerciante me disse que “armar a guarda era uma temeridade, mas uma guarda desarmada não acrescenta nada”. Como o senhor vê essa situação?
Reis: Eu sou contra que um município de 50 mil habitantes como Rio Bonito tenha uma guarda armada. Se voltar à Câmara eu voto contra de novo. Pode andar junto do policial, mas armado não. Voto favorável a qualificação, porque a guarda foi feita para proteger o patrimônio público, orientar o trânsito etc. Cidades maiores que Rio Bonito não tem guarda armada. Precisamos parar com esse negócio de vaidade. Tenho certeza que se fizermos uma pesquisa na cidade, a população também vai se mostrar contra essa situação.
Marcos Abrahão: Sem seriedade isso não adianta! As igrejas, pastores e padres estão tentando salvar nossos jovens, mas estão sozinhos e precisam ser ajudados. A violência é uma realidade que está batendo a nossa porta e precisamos dar um basta nisso. Para isso, precisamos investir em saúde, educação, cultura, no comércio, porque tudo isso gera emprego e diminui a marginalidade.
José Luiz: Nosso efetivo da Guarda Municipal era de 14 homens, hoje são 60 guardas. Conseguimos uma verba de R$ 231 mil do Ministério da Justiça para qualificar, aperfeiçoar, capacitar e treinar nosso efetivo da Guarda Municipal. Mas a Câmara de Vereadores não aprovou a utilização dessa verba e podemos perder esse recurso. Nossa contrapartida é de apenas 10% do valor repassado.