Alícia Uchôa
Do G1, no Rio


Foi adiado pela segunda vez o julgamento de três dos seis acusados de envolvimento na morte do milionário da Mega-Sena. Com a ausência do advogado Mauricio Neville, que defende Anderson de Sousa, os outros réus, acusados dos mesmos crimes, pediram o cancelamento da sessão desta quarta-feira (10). O julgamento que estava marcado para o dia 4 de setembro tinha sido adiado para esta quarta.

A juíza Roberta dos Santos, da 2ª Vara de Rio Bonito, na Baixada Litorânea do estado, marcou nova audiência para o dia 7 de outubro no I Tribunal do Júri do Rio.

Ex-seguranças de Renné Senna, Anderson Sousa, Ronaldo Amaral e Ednei Gonçalves são acusados de terem participado do assassinato em janeiro de 2007, em Rio Bonito, na Baixada Litorânea do estado.

A viúva Adriana Almeida, sua amiga Janaína Oliveira e o também ex-segurança Marco Antônio Vicente serão julgados separadamente por terem recorrido na Justiça da sentença de pronúncia, que determina que os réus sejam levados a júri popular.

Defesa pede mais provas

Segundo a defesa de Ednei, o pedido de adiamento do réu se deu por causa de uma prova que ainda deve ser anexada ao processo. O pedido já havia sido negado pela Justiça duas vezes, mas o advogado deu entrada com um habeas corpus na última segunda-feira (8) e aguarda a decisão.

"Meu cliente estava na farmácia dele na hora do crime. Quero que o rastreamento da conta telefônica do local esteja nos autos, para provar que há testemunhas que falaram com ele por telefone e ele estava longe de Rio Bonito", explicou o advogado Julio Braga.

Já o julgamento de Ronaldo foi adiado a pedido do promotor Guilherme Macabu, que alegou que a lei manda que os executores sejam julgados antes de acusados que tenham outro tipo de envolvimento no crime.

Agressão

Algemado, o policial e ex-segurança de Renné Ronaldo Amaral chegou ao tribunal exaltado. Ele empurrou fotógrafos e cinegrafistas, além de um policial. "Imprensa não era para estar aqui", reclamou.

Acusações

De acordo com o inquérito, Anderson é suspeito de ter sido o autor dos disparos que matou Renné, quando ele estava num bar a 7 km da fazenda onde morava. Ronaldo é dono de uma motocicleta que seria a utilizada no crime, que estaria, segundo a acusação, pilotando a moto.

Eles são acusados de homicídio qualificado, mediante paga ou promessa de recompensa, homicídio qualificado à traição, de emboscada ou dissimulação e concurso material. A sessão será presidida pela juíza Roberta dos Santos Braga Costa, da 2ª Vara de Rio Bonito.

O crime

Renné foi morto no início de janeiro de 2007, quando estava num bar no distrito de Larvas, em Rio Bonito, a 7 km da fazenda onde morava, quando foi atingido por um homem encapuzado numa moto.

Ex-lavrador, ele havia ganhado a Mega-Sena no valor de R$ 52 milhões cerca de um ano antes. Diabético, Renné tinha as duas pernas amputadas. Depois de sua morte, a viúva, a filha e os irmãos travam batalhas na Justiça pela fortuna.