“Guerra Fria” em Rio Bonito

Conhecemos como “Guerra Fria”, o período político que começou depois da Segunda Guerra Mundial, onde os Estados Unidos e a União Soviética passam a disputar a hegemonia na política e na economia mundial. Com um regime baseado no socialismo, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) administravam os países que compunham esse bloco com base na economia planificada, partido único (Partido Comunista), igualdade social e falta de democracia. Já os Estados Unidos da América (EUA), a outra potência mundial, defendia a expansão do capitalismo, baseado na economia de mercado e na propriedade privada, tudo isso dentro de um sistema democrático.

O EUA liderou uma forte política de combate ao comunismo em seu território e em todo mundo, usando, sobretudo o cinema, a televisão, os jornais, as propagandas e histórias em quadrinhos. Era como difundiam o “american way of life” (jeito de viver americano). Na URSS não foi diferente, já que o Partido Comunista e seus integrantes perseguiam, prendiam e até matavam aqueles que discordavam do governo. Um sistema de investigação e espionagem foi usado pelas duas potências. Enquanto a espionagem norte-americana era realizada pela Central Intellingence Agency (CIA), os funcionários do Komitet Gosudarstvenno Bezopasnosti (KGB) faziam os serviços secretos soviéticos.

Essa explicação inicial foi necessária, para que você percebesse a leitura que eu faço, do clima político que se instalou em Rio Bonito na atual eleição. Embora muita gente insista que eu devo me conformar com os sofismas da política – “porque política sempre foi assim” – penso que em situações passadas, alguém deveria ter vindo a público para dizer que esses esforços deveriam ser canalizados na busca pelo desenvolvimento do município. Acredito que a sociedade humana evolui, por isso, se alguém fizesse esse alerta no passado, nós, hoje, estaríamos em um estágio superior a esse que vivemos. Ou seja, não estaríamos vendo essa “Guerra Fria”, que sai violentamente dos gabinetes de vossas excelências em busca do seu, do meu, do nosso voto.

Para quem ainda não entendeu o assunto, devo lembrar que depois de uma série de papeizinhos e jornaizinhos apresentando os pontos negativos de “Fulana”, de “Sicrano” e de “Beltrano”, nossas casas foram invadidas na madrugada da última segunda-feira (22), por um DVD onde o personagem principal é o vereador Carlos André Barreto de Pina, o Maninho (PPS). A real intenção era prejudicar a possível reeleição do prefeito José Luiz Alves Antunes (DEM), mas quem pode ser realmente prejudicado é o parlamentar, que parece ter entrado de “gaiato no navio” – quer dizer, no ônibus. Embora a minha relação com o referido vereador não seja das melhores, eu não posso aproveitar que o sujeito está caído para pisar no seu pescoço.

As pessoas que possuem uma mente mais prodigiosa devem lembrar que as cenas exibidas no tal DVD, foram protagonizadas na tarde do dia 22 de dezembro de 2006, quando o prefeito José Luiz Antunes percorreu com uma comitiva, as obras que havia realizado nos primeiros dois anos de sua administração. O passeio começou na Praça Fonseca Portela e terminou na unidade do Programa de Saúde da Família do Boqueirão. As pessoas foram transportadas, naquele dia, em dois ônibus recém adquiridos para o transporte de universitários.

Eu, na verdade, não estava no coletivo, acompanhei o trajeto em carro particular, mas lembro que quando chegamos ao ginásio Satiro Narciso de Oliveira, no Parque Andréa, em meio a risos e gargalhadas, “ator”, “diretor” e “produtor” do curta metragem mostraram para mim e um amigo as imagens medonhas que reconheci logo que vi na última segunda-feira. Tudo não passou de uma brincadeira de péssimo gosto que foi filmada por um, até então, amigo – imagine se fosse inimigo!?

Refletindo sobre esse fato, pensei em uma das frases mais conhecidas que o mundo filosófico conhece. Ela é de autoria do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e diz o seguinte: “há três coisas que jamais voltam atrás: a flecha atirada, a oportunidade perdida e a palavra proferida”! Embora tenham paradigmas diferentes, Nietzsche e o sábio Salomão comungam do mesmo pensamento, porque bem antes do alemão, o rei hebreu escreveu o seguinte provérbio: “Como maçã de ouro em salva de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” (Provérbios 25 – 11).

Portanto, que as pessoas públicas e autoridades de nossa cidade aprendam a escolher as suas palavras. Além disso, que mantenham o ‘desconfiômetro’ sempre ligado, a fim de evitar surpresas desagradáveis. Aliás, como eu também sou uma pessoa pública, me coloco entre esses que obrigatoriamente deveriam apresentar uma postura decente, preconizando e cultivando um caráter polido, cortês e civilizado. Isso é um desafio para todos nós e quem discorda deve trocar de ofício!