Guilherme Duarte

A greve nacional dos bancários, que já dura quase duas semanas, ainda não tem data para terminar. Na última quinta-feira (16), a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e o Comando Nacional dos Bancários se reuniram, em São Paulo, para tentar chegar a um acordo, mas nada foi resolvido. Por conta disso, os bancários decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado.

Os bancários estão reivindicando um reajuste salarial 13,23%, além de um novo modelo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR): três salários, mais um valor fixo de R$ 3.500; vale-alimentação de R$ 415 e tíquete-refeição de R$ 17,50 por dia. Já a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) está oferecendo a classe um reajuste de 7,5%, além de um PLR no mesmo modelo de 2007: 80% do salário, além de um valor fixo de R$ 878. Na reunião da última quinta-feira (16), a Fenaban teria subido a proposta de aumento de 7,5% para 9%, para os bancários que recebem até R$ 1,5 mil, e mantido os 7,5% para quem ganha acima desse valor, proposta que não foi aceita pela categoria.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários de Niterói e Região, Selso Pereira Machado, que trabalha na Agência do Banco Real de Rio Bonito, o objetivo da greve não é prejudicar a população e sim reivindicar os benefícios a que a categoria tem direito. “Estamos apenas reivindicando nossos direitos. Nosso objetivo é ter melhores condições de trabalho”, disse Selso, que fez questão de lembrar que durante a greve as operações simples como depósitos, saques e transferências podiam ser feitas pela internet e nos terminais de atendimento eletrônicos.

Com a paralisação dos bancos, o número de atendimentos nas Casas Lotéricas aumentou consideravelmente. Nos primeiros dias da greve, o tempo de espera para atendimento nas Loterias ultrapassou 30 minutos, como explica a dona de casa Roseli Gonçalves. “Geralmente, quando venho pagar alguma conta aqui nas Casas Lotéricas não demoro mais de 10 minutos. Com a greve dos bancos, demorei quase 40 minutos para pagar minhas contas. E não tem outro jeito, se a gente atrasa o pagamento das contas, depois teremos que pagar multas”, disse Roseli.

Em Rio Bonito, todas as agências bancárias estão paralisadas desde o último dia 8. Ao todo, cerca de 5.400 bancos estão com as portas fechadas, em todo país.