Flávio Azevedo

A sucessão do atual presidente da Câmara Municipal de Rio Bonito, vereador Carlos Cordeiro Neto, o Caneco (PR), que só será definida após a posse dos novos vereadores, no dia 1º de janeiro, já está provocando uma acirrada disputa nos bastidores da política local. A notícia da última semana, informando com exclusividade que cinco dos 10 vereadores eleitos no último dia 5 de outubro, já saíram na frente na disputa pela presidência do Legislativo riobonitense, teve repercussão entre os demais eleitos. Na ocasião, a reportagem da FOLHA apresentou o nome dos vereadores Carlos André Barreto de Pina, o Maninho (PPS), Rita da Cássia (PP), Aliézio Mendonça (PP), Saulo Borges (PTB), Fernando Soares (PMN), como os favoritos para a Presidência da Casa.

O primeiro a se manifestar foi o vereador Marcus Botelho (PR), que em entrevista ao programa “O Tempo em Rio Bonito”, da Rádio Sambê FM (105,9), no último domingo (19), anunciou que também é candidato à Presidência da Câmara. De acordo com ele, “eu sou um vereador de dois mandatos e acabo de ser eleito para uma terceira legislatura. Acho que essa situação me credencia para disputar a cadeira da Presidência”, analisou Botelho, que, segundo ele, contaria com os votos de Carlos Cordeiro Neto, o Caneco (PR), Humberto Belgues (PSDB) e Abner Alvernaz, o Neném de Boa Esperança (PTN), que também integra o grupo do vereador Reginaldo Ferreira Dutra, o Reis (PR).

O que pode ser um balde de água fria para as pretensões de Botelho, é o fato do vereador Humberto Belgues ter declarado, na tarde da última sexta-feira (24), na redação da FOLHA, que também pretende ocupar a principal cadeira do Legislativo: “Eu já estou articulando as composições necessárias para ser o Presidente da Câmara. Minhas chances são grandes”, destacou o vereador tucano, que não acredita na interferência do prefeito José Luiz Antunes (DEM), no processo de escolha da Presidência da Câmara. “A minha idéia é de administrar o Legislativo de outra forma. Quero ter a oportunidade de ser um divisor de águas na Presidência da Casa. Isso é possível fazer se administrarmos a Câmara com transparência, para que possamos voltar aos tempos de outrora”, pontuou Humberto.

Novos tempos

De acordo com o vereador Humberto Belgues, o seu primeiro mandato foi um aprendizado. “Descobri que dialogar é melhor do que brigar. Infelizmente, eu aprendi a duras penas, que o político deve ser fiel aos seus ideais e não a um grupo político”, lamentou o vereador tucano, garantindo que “nunca mais brigo com político nenhum”. Belgues prevê que até o fim de novembro será conhecido o nome que vai ocupar a Presidência do Legislativo. Com a visibilidade da chefia do Legislativo, ele sonha alçar vôos mais altos em sua carreira política. Além disso, fontes ligadas ao vereador, afirmam que Humberto estaria prestes a romper com o grupo da deputada federal Solange Almeida (PMDB).

Saulo Borges: “Não sou oposição”

O advogado e vereador eleito Saulo Borges, um dos candidatos à Presidência da Câmara, não ficou satisfeito com a informação de uma fonte ligada ao Executivo, dando conta de que ele, por ter chegado ao governo através do grupo do atual vice-prefeito Aires Abdalla, gera desconfiança no grupo do prefeito José Luiz. “Sou do grupo de José Luiz e nunca fui do grupo de Aires. Na eleição de 2004, ficou decidido pela coordenação de campanha, que seriam candidatos pelo PSC, partido de Abdalla, Matheus Neto e eu. Inclusive, houve prejuízo para nós dois, porque se estivéssemos no DEM, em 2004, certamente teríamos sido eleitos”, explicou Saulo Borges.

Ainda segundo Saulo, esse ano ele teve apoio de uma parte da família de Aires Abdalla, “mas a maior parte do grupo do atual vice, apoiou o candidato Marquinhos da Luanda Car (PSC), e não a minha candidatura”. De acordo com Saulo Borges, “essas informações partem de pessoas da cúpula do governo que não gostam de mim. Isso acontece, porque eu fiz algumas críticas ao governo, do qual eu faço parte. Agora, o fato de ser do grupo não pode me impedir de enxergar as falhas que existem na administração para juntos melhorarmos”, frisou Saulo, afirmando que não houve nenhum entendimento com o grupo de vereadores da oposição. “Não aconteceu sequer uma reunião com eles”, garantiu.

O futuro vereador é da mesma opinião de Humberto Belgues. Ele acredita também, que o prefeito José Luiz não vai interferir na escolha do Presidente da Câmara. “Na última segunda-feira (20), estive com o vice Matheus Neto. Conversamos sobre várias coisas, inclusive sobre a Presidência Câmara, quando eu sugeri a realização de uma reunião com os vereadores Rita de Cássia, Maninho, e os eleitos Aliézio Mendonça e Marcinho Bocão, para definirmos essa questão”, revelou Saulo, que está aguardando a confirmação dessa reunião. “O meu pensamento hoje é de conciliação. Minha passagem pelo Legislativo será uma maneira de mostrar como será a minha postura na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Saulo deve ser candidato a deputado estadual 2010), mas antes de falar mais sobre isso, preciso aguardar a decisão da Justiça a respeito do meu irmão Dalton Borges, em Saquarema”.

Fernando Soares também quer a presidência

De acordo com o vereador eleito Fernando Soares, ele também pretende pleitear a vaga de Presidente do Legislativo, mas não vai se posicionar contra o governo. “Não tenho pretensão de ficar contra o prefeito, mas quero ajudar e participar do governo. Realmente, o vereador Abraão Nicolau (PP) é alguém da minha confiança. Ele é um dos que me motivam a não me posicionar contra o governo”, comentou.

Sobre a parceria que tem com Saulo Borges, Fernando disse que por serem da mesma coligação, “é normal que estejamos juntos nesse processo”. Sobre a sua amizade com o também vereador eleito Neném de Boa Esperança, ele diz que ela nasceu quando PTN e PMN romperam, antes mesmo da coligação ser registrada. “Esse rompimento foi orquestrado para prejudicar a minha candidatura. Apesar de estar no PTN, ele percebeu a injustiça que fizeram comigo. Embora eu integrasse o PMN, Neném me apoiou. A partir dessa dia, combinamos que se fossemos vitoriosos em nossas campanhas, nós caminharíamos juntos. Ganhamos e estamos juntos”, revelou Fernando Soares, que juntamente com Saulo Borges e Neném de Boa Esperança, podem definir para que lado vai a Presidência da Câmara de Vereadores.