
Lições da tragédia paulistana
Na última semana, a cidade de Santo André, em São Paulo atraiu a atenção de todo país, que acompanhou com apreensão e preocupação, o seqüestro das adolescentes Eloá Cristina Pimentel e Nayara Silva, ambas de que 15 anos. As meninas estavam na casa de Eloá acompanhada de dois amigos e faziam um trabalho escolar, quando Lindemberg Alves, de 22 anos, ex-namorado dela, invadiu o apartamento. Isso ocorreu na segunda-feira (13). Começava uma das mais longas agonias registradas no Brasil: um seqüestro que durou mais de 100 horas e terminou de maneira trágica para a adolescente Eloá.
De acordo com pessoas ligadas ao próprio Lindemberg, ele é extremamente ciumento, agressivo e não teria aceitado o término do namoro com a estudante, com quem se relacionava há cerca de três anos. O relacionamento seria tumultuado e entre os dois aconteciam muitas brigas. Na sexta-feira (17), Lindemberg atirou contra as adolescentes. O tiro teria acontecido antes ou depois da invasão da polícia, ainda não se sabe. Nayara, que levou um tiro na face, foi atendida por um bucomaxilofacial e se salvou. Já Eloá não teve a mesma sorte. Baleada na cabeça e na virilha, ela teve morte cerebral cerca de 24 horas depois de ter sido baleada.
Penso que em Santo André, deveriam construir um mausoléu semelhante ao Taj Mahal, que existe na cidade indiana de Agra. Ali a adolescente deveria ser sepultada. Digo isso, porque em minha opinião, o martírio enfrentado por essa adolescente deveria servir de alerta para as famílias brasileiras, que deveriam esquecer o sensacionalismo da história e pensar nas lições que podem ser tiradas dessa trágica história. Eu não tenho dúvidas, que mais uma vez, a degradação da família – algo tão comum e considerado normal ultimamente – é a principal responsável não por mais uma história absurda.
Analisando as famílias dos envolvidos – seqüestrador e vítimas – posso comprovar essa afirmativa. Vamos analisar o caso desse jovem: Os pais desse rapaz, nunca notaram o desequilíbrio emocional do Lindemberg? Ele tinha uma arma. Os pais não perceberam? Algumas pessoas do seu convívio, disseram que ele teve mudança de comportamento depois do rompimento do namoro. Os pais não observaram isso? Alguém poderá argumentar: “mas ele não aceitava conversar e agredia a família”. Eu digo que isso não é desculpa, e pergunto outra coisa: “que atenção os pais deram a esse jovem na sua adolescência”? “Eles conheciam os seus hábitos”? “Sabiam a hora que ele saia e chegava”? “E quando saía, eles conheciam o seu destino”?
Sobre os pais da Eloá. Será que nunca perceberam o tipo de sujeito que estava namorando a filha deles? Aliás, será que eles sabiam que esse namoro existia? Sabiam que esse relacionamento era marcado por crises de ciúme e agressividade ao alongo de três anos? Ou esses pais são daqueles que vêem a filha saindo de casa quase pelada e olham como se ela estivesse vestindo um hábito de freira? Porque em nossa sociedade, a filha do vizinho é ‘prostituta’, mas a nossa, que têm as mesmas práticas é uma ‘santa’. Já viram isso? Será que os pais percebiam a angustia da Eloá? Certamente ela deveria apresentar esses sinais, porque o doente assediava ela constantemente. Mais tarde descobriram que o pai é fugitivo da polícia! Pode?
Porém, antes de crucificarmos essas famílias, penso que deveríamos olhar para o nosso umbigo e questionar: você conhece a pessoa com quem a sua filha ou o seu filho se relaciona? Você conhece quem são os amigos dos seus filhos? Aliás, você conhece os seus filhos? Tem você, dialogado com eles para identificar os seus hábitos? Ou você tem vergonha de mostrar que sente amor e se preocupa com eles? Você houve confidências do seu filho e da sua filha? Pergunta especial para os papais: “você respeita e ama a sua esposa, para que seu filho aprenda através do seu exemplo, que a namorada dele deve ser respeitada”? Agora as mamães: “você trata o seu marido, com carinho e abnegação, para que a sua filha trate o namorado da mesma maneira”?
Amigo, a observação de acontecimentos como esse seqüestro em Santo André e essas perguntas reflexivas, nos permite chegar a uma triste conclusão: a família está em completa desordem. E, essa desorganização, é fruto de uma sociedade doente, que não preza os valores morais nas relações de qualquer natureza. A coisa é tão complexa, que quando alguém procura preservar a moral e os bons costumes, é logo tratado como se fosse um alienígena ou um ser exótico.
Que Deus nos ajude!