Flávio Azevedo
Os riobonitenses já estão preparados para o Dia de Finados, no próximo domingo, dia 2, quando através de preces, missas, oferendas e outros gestos de carinho e abnegação, as famílias lembram dos seus entes queridos que partiram do seu convívio cotidiano. Os sete cemitérios municipais de Rio Bonito, no Centro da cidade e nas localidades do Basílio, Lavras, Boa Esperança, Jacundá, Braçanã e Rio Seco, já estão preparados para receber os visitantes. Para isso, a prefeitura reforçou o número de funcionários responsáveis pela limpeza dos cemitérios da cidade. Cerca de 40 homens foram designados para limpar os túmulos e pintar os muros e meio fios.
O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Luis Francisco Soares, declarou que “um esquema especial foi criado para o Dia de Finados, porque o número de visitações aos cemitérios aumenta nessa ocasião”. No cemitério Central da cidade, onde o Monsenhor Guedes, pároco responsável pela Igreja Nossa Senhora da Conceição, celebrará uma missa às 9h30min, até ontem (sexta-feira), haviam 25.678 pessoas sepultadas, sendo 17.293 adultos e 8.385 crianças. Durante o fim de semana, cerca de duas mil pessoas devem visitar o local. “Muita gente antecipa a vinda ao cemitério”, comenta o responsável pelo local, José Mariano de Castro.
Concorda com Mariano, o responsável pelo cemitério Central do Basílio, José Borges. Ele comentou que durante a semana, “algumas pessoas vieram até aqui enfeitar o túmulo dos seus parentes, porque como o Dia de Finados caiu num fim de semana, muita gente tinha outros compromissos”. É o caso de Gilda Solon Pontes e Maria Lúcia Soares, respectivamente filha e viúva do ex-prefeito Edgard Monnerat, que faleceu há 30 anos. Moradoras de Icaraí, em Niterói, elas vieram ontem (sexta-feira), ao cemitério Central para enfeitar a sepultura do ex-prefeito. “Antecipamos a nossa vinda a Rio Bonito, porque no domingo não poderíamos vir. Nós viemos aqui todos os anos”, disse Gilda.
No Cemitério Parque Jardim das Acácias, que é uma empresa privada, a gerente Luciane Castro, informou que no domingo (amanhã, 2), o cemitério vai funcionar das 7h às 17hs. “Como é um dia de muito movimento nas dependências do cemitério, todos os setores da empresa estarão funcionando”. Segundo ela, “quem vier aqui poderá ter acesso a recepção, ao escritório, a venda de planos, a lanchonete e outros serviços que a empresa oferece. A partir das 10hs, na capela do cemitério, será celebrada uma missa pelo padre Eric Araújo, da Paróquia São João Batista da Praça Cruzeiro”, comentou.
‘Causos’ do Dia de Finados
Em atividade no cemitério Central de Rio Bonito, há cerca de 30 anos, José Mariano de Castro revelou à reportagem da FOLHA, alguns fatos curiosos e pitorescos da data dedicada aos “Finados”. Segundo Mariano, algumas pessoas chegam ao cemitério, brigam com os funcionários porque não encontram a sepultura do seu parente, “mas depois descobrem que a pessoa foi sepultada em outro cemitério da cidade”. De acordo com ele, “a maioria sai de fininho e vai embora sequer sem pedir desculpas”. Mariano também comentou sobre outras famílias que chegam, enfeitam a sepultura, acendem velas, rezam e somente depois de algum tempo percebem que estão na sepultura errada.
Uma data quase esquecida
Na loja Florarte, que há 28 anos é a única que comercializa somente flores na cidade, a expectativa pelo aumento de vendas existe, mas a proprietária Nilcéa Magalhães Álvares, afirma que a cada ano que passa o movimento de clientes no Dia de Finados diminui. “No passado vendíamos muito mais”, frisa. De acordo com a comerciante, “além das pessoas não darem mais a importância devida ao feriado, o número de ambulantes colabora para enfraquecer o movimento da loja”. Ela também comentou, que as espécies de flor mais procuradas para o Dia de Finados são palmas e monsenhor.
Tem a mesma opinião a professora Gilda Solon Pontes, que enfeitava ontem (sexta-feira), no cemitério Central da cidade, o túmulo do pai. Embora ele (o pai) já tenha falecido há 30 anos, ela contou que todos os anos ela vem à Rio Bonito. “Infelizmente, devido a correria do dia-a-dia, as pessoas não têm mais tempo para cultuar os seus mortos”, analisa a professora, que concluiu dizendo que “eu também tenho uma vida muito corrida, mas papai quando estava vivo dava tanto valor a essa ocasião, que eu tenho que vir aqui todos os anos”.