Guilherme Duarte

Cerca de 150 pessoas prestigiaram o lançamento do primeiro livro da poetisa riobonitense Nilza Moraes Rolim, na noite da última quarta-feira (5), no Esporte Clube Fluminense. Denominado “Estados d’Alma”, o livro reúne algumas poesias que a escritora escreveu durante seus 88 anos de vida. Na ocasião, Nilza foi homenageada com o projeto “Hora de Arte”, do Departamento de Cultura, da Secretaria Municipal de Educação e Cultura.

Acompanhada de familiares e amigos, Nilza não conseguia esconder a emoção de ver seu primeiro livro lançado. “Estou muito feliz, mas acho que eu não merecia isso. Na verdade, o livro foi uma surpresa pra mim. Meus familiares que tiveram a idéia e fizeram tudo sem me avisar. Só fiquei sabendo do livro há um mês. Mas foi uma surpresa muito agradável. Confesso que eu não esperava ter um livro lançado com minhas poesias, mas ficou tudo muito lindo”, revelou a poetisa.

Estados d’Alma

O livro “Estados d’Alma” é composto por 117 páginas, onde estão publicadas 45 poesias de Nilza Rolim. Nas páginas iniciais são encontrados depoimentos da secretária de Educação e Cultura, Ana Maria Figueiredo, do escritor e poeta Leir Moraes e da coordenadora do Departamento de Cultura, Carminha Cordeiro. Lá, Leir Moraes diz o seguinte: “Nilza Rolim revela aos leitores a verdadeira arte de escrever, transmitindo conhecimento e imensa solidariedade à natureza e ao ser humano, com profundidade e a inteligência que sempre marcou a sua vida, como poeta, mestre e exemplo de extrema exaltação aos puros conceitos familiares”. Para Carminha Cordeiro, homenagear Nilza Rolim é homenagear o patrimônio cultural de Rio Bonito. “Nilza representa a cultura riobonitense. Ela é um patrimônio cultural da cidade”.

O evento

O evento começou por volta das 19h30, com a participação de alunos do curso de Formação de Professores, do Colégio Municipal Dr. Márcio Duílio Pinto, que declamaram diversos poemas de autoria de Nilza Rolim, como “Shangri-lá”, “Nesta manhã de sol”, “Tuas mãos”, “Transporte” e “Saudade”. Em seguida, o professor Wanderlei Valadares, acompanhado do músico escultor Dawson Nascimento, cantou a música “Te acho linda” em homenagem a escritora. O coral Santa Cecília e o Ballet Arte e Vida também prestaram sua homenagem a poetisa, assim como os múcicos Renato Primão e Luiz Muniz.

Devido ao grande número de pessoas presentes, os organizadores do evento preferiram que a homenageada da noite não autografasse os livros na ocasião. Anayna Rolim, uma das duas filhas de Nilza, encerrou a cerimônia agradecendo a todos que prestigiaram o evento. Em entrevista logo após o encerramento, ela revelou como surgiu a idéia de fazer um livro com as poesias da mãe. “Há muito tempo tínhamos a idéia de lançar um livro com algumas poesias da minha mãe, mas esbarrávamos na dificuldade de editar um livro. Tentamos de várias formas, mas acabou que não conseguimos e chegamos a desistir da idéia. Há cerca de cinco anos, retomamos o projeto, pois não poderíamos deixar essa bonita trajetória passar em branco. Conseguimos alguns apoios e graças a Deus estamos lançando esse livro hoje. Estamos todos muito felizes”, disse Anayna.

Conhecido por sua dedicação a educação e cultura, o educador Carlos Alberto de Moura Machado, o professor Betinho, foi um dos que compareceram para prestigiar a escritora Nilza Rolim. Segundo ele, Rio Bonito é carente de eventos culturais. “Penso que outras Horas de Arte deveriam ser realizadas no município. Essa homenagem foi muito própria, porque além de poeta, a sua vida foi uma poesia”, disse Betinho.

 

Nilza Rolim

Filha de Ignácio Vieira de Moraes e Eurydice Rolim Moraes, Nilza Moraes Rolim nasceu no dia 2 de dezembro de 1919, em Niterói. Escritora, poetisa e professora, Nilza começou seus estudos primários em Rio Bonito terminando-os em Niterói. Junto com o professor Wilson Federici lançou a pedra fundamental do Colégio Rio Bonito, onde lecionou por muitos anos. Em 1952, casou-se com o poeta e jornalista D’Azevedo Rolim e voltou para Niterói. Em 1960, retornou à Rio Bonito, voltando a trabalhar no Colégio Rio Bonito, além de ingressar no então Colégio Manuel Duarte, onde permaneceu até se aposentar.