
Abuso nas noites riobonitenses
Há duas semanas seguidas, a FOLHA DA TERRA vem publicando cartas de eleitores, que estão denunciando alguns abusos que vem acontecendo nas noites riobonitenses, sobretudo nos fins de semana. Segundo os leitores, vem dos moradores e proprietários estabelecidos na Avenida Sete de Maio, o principal pedido de socorro, porque segundo eles, vários veículos com o som ligado muito acima dos decibéis permitidos pela Lei estão tirando o sossego das pessoas, não só pelo alto volume, mas também pelas músicas de conteúdo pornográfico que são tocadas.
Além dessa situação, outro leitor lembrou dos motociclistas que circulam sem capacete e sem educação – de trânsito e de casa – pelas ruas de Rio Bonito. Segundo ele, todos abusam e praticam inúmeras imprudências, imperícias e irresponsabilidades. O problema não pára por aí, pois amparados pela falta de vigilância das autoridades e pela sensação de impunidade – garantida através de uma simples ligação para algum figurão da cidade, quando o veículo é apreendido – alguns estão ultrapassado os limites do bom senso e tem causado sérios transtornos a eles mesmos. A prova disso, é que de vez em quando um deles perde a vida.
Depois dessa narrativa, penso que fica patente a necessidade de um debate sobre esse assunto, que geralmente é deixado de lado, porque depois de uma rápida análise, notamos que a culpa não é daqueles que imaginávamos. Ou seja, o susto é muito grande, quando descobrimos que o dedo da responsabilidade aponta em riste em nossa direção nos acusando de ser coniventes. Apesar disso, é preciso tocar na ferida. E que ninguém fique chateado ou aborrecido, mas se você ‘vestir a carapuça’, reflita e seja parte da solução, não do problema.
Para começar, penso que Estado do Rio de Janeiro deveria trocar a vistosa farda azul da Polícia Militar, por uma vestimenta de palhaço. Sem esquecer a tradicional bola vermelha no nariz. Rogo aos meus amigos policiais, que não entendam a minha sugestão como um ato desrespeitoso a corporação. Mas compreendam que essa é a forma que encontrei, para externar a minha indignação, contra os inúmeros vexames impostos aos policiais em todos os níveis de comando. Digo isso, porque estamos cansados de vê-los arriscarem suas vidas num árduo e perigoso trabalho, e no fim de tudo, chega um figurão e desmancha o que eles fizeram, para atender o vício do “Jeitinho Brasileiro”, que é tão bem analisado pelo antropólogo Roberto Damata, no livro “O que faz o brasil, Brasil?”.
É provável que essa situação provoque em alguns policiais, o desinteresse para solucionar a desordem reclamada pelos nossos leitores. A leitura que faço dessa situação, é que a força policial é utilizada como um instrumento de promoção pessoal ou como ferramenta para aumentar a rede de relação de alguém. Ou seja, esse alguém, se aproveita de certas situações, para mostrar à sociedade que ele é uma figura tão influente, que manda até na polícia. Confesso que eu fiquei me perguntando: “o que acontecerá com os proprietários de motocicletas e automóveis apreendidos por estarem incomodando o sossego das pessoas”?
Bem, a resposta deveria ser uma boa multa, a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e o encaminhamento do veículo apreendido para um local chamado de Depósito Municipal (existe isso?). Acredito que a devolução do bem apreendido, assim como a regularização da CNH do infrator deveria ser gratuita e sem essa ‘lavoura’ que se tornou o tal pagamento de diária do depósito. Porém, o sujeito teria que comprovar que durante seis meses freqüentou a auto-escola revendo o Código Nacional de Trânsito e outras coisas importantes que se aprende em uma instituição dessa natureza. Apesar disso, a CNH recuperada deveria ser provisória, como acontece com os iniciantes. Ou seja, o infrator ficaria um ano em observação, para que a Justiça se certificasse que o sujeito deixou de ser irresponsável. Mas, infelizmente, não é isso que acontece.
Todas às vezes que um carro ou uma moto são apreendidos, aparece alguém para reafirmar que o Brasil é o país da impunidade. Esse alguém vem munido daquela velha máxima: “todos são iguais perante a Lei, mas alguns são mais iguais do que os outros”. Ou seja, a polícia cumpriu o seu dever, mas a verdade é que grande parte da população quer que a eficiência dos policiais ocorra apenas quando ela vai fiscalizar o outro. Nos momentos que eu sou o infrator, outra máxima é invocada: “Aos amigos, tudo! Aos inimigos, o rigor da Lei”! Dizem que esse é o lema da polícia. Eu discordo, porque nas ocasiões que eu vi isso funcionar, foi em prol de sanar uma irregularidade de alguém.
Você deve estar se perguntando: “e o velho e manjado “você sabe com quem está falando?”, o articulista não vai mencionar?”. Bem, isso realmente é um problema sério, real e existe, mas é assunto para outro artigo.