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Bate Boca e agressões marcam a semana da Câmara

21/12/2010 09:51:23

Flávio Azevedo

Continua indefinida a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Rio Bonito. Esta semana aconteceram reuniões diárias, com exceção do dia 8 de dezembro, que foi feriado municipal (Dia da Padroeira da cidade). Como não houve quorum na sessão de ontem (sexta-feira, 10), o presidente da Casa, vereador Fernando Soares (PMN) marcou outra para a próxima segunda-feira (13).

Na última quinta-feira e ontem, além da eleição para a renovação da Mesa Diretora, estavam na ordem do dia outras 12 mensagens, entre elas a aprovação das contas da administração financeira do prefeito José Luiz Antunes, referentes ao exercício de 2008; o orçamento de 2011; a criação do Centro de Especialização Odontológica do município e a mensagem que pede autorização para a concessão da gratificação natalina para os servidores contratados.

Na sessão de segunda-feira (6), do grupo que faz oposição a presidência, apenas o vereador Abner Alvernaz Júnior, o Neném de Boa Esperança (PMN), compareceu. No dia seguinte, terça-feira, quem só o vereador Carlos Cordeiro Neto, o Caneco (PR). Na quinta, quem representou o grupo foi a vereadora Rita de Cássia (PP). Já na sessão de ontem, o grupo foi representado pelo vereador Márcio da Cunha Mendonça, o Marcinho Bocão (DEM). Já o grupo da situação estava desfalcado do vereador Saulo Borges (PTB).

Clima quente

De todas as sessões do ano, inclusive, entre aquelas que aconteceram embates e agressões, como o entrevero entre os vereadores Humberto Belgues (PSDB) e Maninho (PPS), que se agrediram na sala de reuniões da Casa, em abril deste ano, a reunião da última terça-feira foi a que teve mais tensão. O clima esquentou entre os vereadores Caneco e Fernando Soares. Houve bate boca, gritaria e Caneco classificando o processo de escolha da nova presidência como “fraude e armação”.

A polêmica

Durante a sua fala, o vereador Caneco falou sobre a sua trajetória política de quatro mandatos, destacou que sempre houve embates entre vereadores, mas sempre de forma democrática, assim como as eleições sempre foram realizadas com democracia. “Hoje a cidade inteira já sabe o que está acontecendo. Alguns de forma diferente, porque a imprensa local não tem falado a verdade sobre o que está se passando aqui, porque ninguém seria louco de votar uma lei que impedisse o registro da chapa que disputaria a eleição”, disse o vereador, que continuou fazendo as suas acusações.

– Tem alguma coisa errada aí. Podem ter certeza! Sujeirada! E a culpa é de quem? É do presidente da Casa. Porque quando ele é eleito, é para ele ser um democrata que interceda junto aos pares para manter a Casa em ordem. Hoje, inala no ar um odor fedorento desse presidente! Não condeno nenhum colega aqui, só o senhor poderoso presidente, que não apresenta nenhuma das atas e o projeto de resolução inicial que foi adulterado. Por que ele não apresenta? Ele não pode amedrontar os vereadores dizendo que vai cassar o mandato! Não é assim que se consegue nada na vida! – disparou.

Na sequência, o vereador Humberto Belgues disse que não poderia ficar calado, por ser o presidente da Comissão de Constituição e Justiça. “Eu garanto que ninguém adulterou o projeto. Quero lembrar que a vereadora Rita de Cássia deu entrada, por escrito, pedindo cópias do processo, estamos providenciando e vamos entregar o documento inteiro para ela. Erros e acertos acontecem e que todos nós possamos tirar lições do que aconteceu. Eu não agi de má fé e tenho certeza que qualquer outro que estivesse em meu lugar agiria da mesma forma.

O vereador Caneco retomou a palavra, disse que respeita o vereador Humberto, mas voltou a dizer que “hoje, está acontecendo um golpe na Câmara de Rio Bonito, porque nunca na história, a minoria ganhou da maioria. Teve armação sim senhor! Eu não sou doido! E coitado do vereador Marcus Botelho (PR), que foi inocente nessa história! O povo está sabendo como o presidente está conduzindo esta Casa!”.

Diante destas palavras, o presidente da casa assumiu a tribuna, disse que não estava se envolvendo no processo eleitoral da Câmara, lembrou que não é candidato a reeleição – assim determina o Regimento Interno da Casa –, quando foi interrompido pelo vereador Caneco que aos berros de “vossa excelência não vai cassar ninguém!”, não deixou o presidente falar.

O presidente em exercício, Humberto Belgues, que assumiu a presidência para que Fernando Soares usasse a tribuna, pediu que Caneco deixasse o colega falar, mas não foi atendido. Belgues pediu que o microfone de Caneco fosse desligado, mas como ele tem a voz potente, não resolveu. Transtornado, o vereador Caneco, aos gritos, jogou o microfone no chão e continuou falando junto com Fernando, que pediu ao colega, “educação” e oportunidade para se pronunciar: “eu te deixei falar, agora respeite a minha vez! A Procuradoria está trabalhando dentro da Lei! O problema é que ele (Caneco) é o culpado pelo erro que foi cometido pelo grupo de seis vereadores”.

Enquanto isso, o vereador Caneco ironizava e dizia: “que vergonha! Cadê a resolução?”. Nesse clima a sessão foi encerrada, com o vereador Caneco saindo chamando o presidente de “safado!”, frente a um plenário quase lotado de munícipes estupefatos com a cena que presenciaram.

Relembre o caso

De acordo com a Procuradoria da Câmara, o projeto de resolução, inicialmente, marcava a eleição da nova mesa diretora para o dia 16 de novembro. As chapas dos candidatos a presidência também deveriam ser apresentadas na mesma data. O vereador Carlos Cordeiro Neto, o Caneco, fez uma emenda mudando a data da eleição para o dia 30 de novembro, mas não citou a data da apresentação das chapas.

No dia 16 de novembro, apenas o vereador Humberto Belgues registrou a candidatura. O vereador Marcus Botelho, candidato da oposição, não registrou sua chapa no dia 16, perdeu o prazo e os problemas começaram.

O grupo de seis vereadores questiona este entendimento, acusa a mesa diretora de interferir no processo de maneira “fraudulenta” e tenta na Justiça a anulação do processo.

Quando fechávamos esta matéria, por volta das 20h50min, de sexta-feira (10 de dezembro), nós recebemos a informação do procurador geral da Câmara Municipal, François Ranieri, informando que o juiz da Comarca de Rio Bonito, Marcelo Espíndola, indeferiu o recurso que os seis vereadores impetraram no Fórum da cidade, mas cabe recurso.

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