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Pesquisador diz que Rio Bonito poderia ser um pólo

25/05/2009 21:22:17

Flávio Azevedo

Em entrevista ao programa “O Tempo em Rio Bonito”, o diretor do Centro Brasileiro de Pesquisa Física, o cientista e pesquisador, José Abdalla Helayel Neto, disse que Rio Bonito é uma cidade que não tem identidade, mas com investimento e vontade política, o município pode ser transformado num pólo educacional. “Quando você diz que é de Rio Bonito, qual é a referência? Que cidade é essa? Você diz que é caminho para Cabo Frio? Que é aquela cidade onde começa a ViaLagos? Precisamos trabalhar dentro de um projeto pensado, para começar construir uma identidade educacional para Rio Bonito”, analisou.

O cientista José Helayel é riobonitense e saiu da cidade em 1968, para concluir os estudos em Niterói. Concluído o 2º grau, ele ingressou na PUC do Rio de Janeiro, onde se graduou em física e matemática. Ainda na PUC, ele fez um mestrado e em 1978, foi para a Europa, para concluir outro mestrado e vários pós-doutorados, sempre sobre a coordenação do indiano Abdul Kalan, que ganhou o prêmio Nobel de física, em 1979. Depois de morar 10 anos no exterior, ele voltou ao Brasil, fixou residência em Petrópolis e começou a viajar pelo mundo, como professor visitante em universidades européias e americanas, onde também lecionou. Há cerca de dois anos ele decidiu voltar para Rio Bonito.

“Educação de qualidade”

Segundo o pesquisador, Rio Bonito é uma cidade marcante na área da educação. “Quando eu era estudante, escolas como o Barão do Rio Branco, o Colégio Cenecista, coordenado pelo Monsenhor Gêns e o Colégio Rio Bonito – onde estudei –, coordenado pelo professor Paulo Pffeil eram unidades muito boas”. José Helayel lembrou que as escolas davam uma boa formação e a garotada era muito estudiosa. “Isso nos deu uma educação de base muito forte. A minha geração e as gerações anteriores e posteriores, sempre que saíram de Rio Bonito para a vida acadêmica chegavam bem preparados aos grandes centros”, ressaltou.

Passados 40 anos, o pesquisador afirma que encontrou em Rio Bonito, uma educação que não se deteriorou e que tem escolas muito boas. “Uma escola que me impressionou fortemente foi o Colégio Estadual Dyrceu Rodrigues da Costa. A educação, como a culinária, tem que ser feita com amor, e a equipe do Dyrceu ama o que faz. A preocupação daquelas professoras com a educação me tocou muito”. Já entre as instituições privadas, José Helayel disse que o Colégio Monsenhor Antonio de Souza Gens, chamou a sua atenção, “porque além dos bons alunos, a escola se dispõe a formar cidadãos para a vida”. Ele disse ainda, que os universitários riobonitenses são conscientes e sabem da importância do papel da educação para desenvolver a cidade.

O pesquisador acredita que esses atributos credenciam a cidade para ser um pólo educacional. Para alcançar essa realização, ele diz ser necessário criar um projeto bem organizado, bem coordenado e sem amadorismo. “Mas ter vontade política é fundamental para que o projeto dê certo. Não custa muito dinheiro, mas precisamos conscientizar a população e as autoridades que temos um histórico educacional”. Como nas cidades de interior a influência política é muito forte, José Helayel faz um alerta: “não podemos ter um curioso tomando conta desse projeto, porque, hoje, o mundo é dos profissionais”.

Crescimento e desenvolvimento

Sobre a sua expectativa quanto a chegada do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, o cientista comentou que “existem duas palavras que precisam ser trabalhadas com o devido peso. Uma é crescimento e a outra é desenvolvimento. Nós precisamos saber se a região cresceu... Se desenvolveu ou ambos. O ideal seria ambos, mas muitas vezes o crescimento não é acompanhado pelo desenvolvimento. José Helayel acredita que a educação não vai resolver todos os problemas, “mas vai permitir alcançar o desenvolvimento que precisamos”, disse.

Segundo o cientista, Rio Bonito ainda tem a educação como vocação, e as autoridades, e até a população, deveriam ter mais consciência da contribuição que Rio Bonito pode dar nesse setor. “Com a chegada do Comperj, a questão é: Rio Bonito será uma cidade dormitório, ou vai se agregar de forma particular sua nesse desenvolvimento que está chegando? O pólo regional de educação é um programa que não é complicado de realizar, porque é um projeto que se houver vontade política acontece, porque competência nós temos”, concluiu.
 

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